terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Peixe pingado... peixe bom!

Muitas vezes a gente vai atrás do peixe e volta de mãos vazias... é fato, realidade de pescador. Algumas vezes a gente é contemplado com algum peixe bom. Arriscar é parte deste jogo.  O amigo Alessandro pegou esta corvina que pesamos e bateu em 7 kg. Era um peixe comprido, era um peixe bastante forte. Na batida, apenas uma pequena afrouxada de linha. Ele perguntou pra mim se o caniço estava batido... olhei, olhei, estiquei a linha, e nada. Disse: "acho que não bateu, mas está estranho!" Pensei que algum peixe tivesse batido e cuspido o anzol, mas estiquei a linha novamente, e fui tratar da minha pescaria. Quando olhei de novo para o caniço, a linha embarrigada encostava no chão. Corri, estiquei a linha, e nada... coisa mais estranha! 
Na praia, Ales disse: "Não bateu mesmo?" Respondi: "Cara, acho que esta batido, mas esta quieto... o peixe tá dormindo no anzol!" Começou a recolher... até que ele percebeu umas cabeçadas na linha. Recolheu um peixe até o valo da beira... foi então que o peixe acordou e brigou muito na beira. Foi uma das corvinas maiores e mais estranhas que pude presenciar em captura. Para Alessandro foi uma boa pescaria, embora de único peixe. Poucos papaterras, duas arraias e mais nada pra lembrar... exceto a parceria, amizade de sempre, que a gente cultiva na beira da praia entre um arremesso e outro. Coisa de pescador...

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pega a estrada da pescaria e volta de mãos vazias...


Muitas vezes... incontáveis vezes fui pescar e não peguei nada. Isto é difícil para um pescador mal acostumado. Nesta temporada fui pescar 4 vezes, apenas. Em três pescarias fiz um escore alto... foram 33 burriquetes, 10 corvinas, e 2 arraias. Obviamente, muitos destes peixes voltaram para a água, mas isto é uma realidade de poucos pescadores. Tanto para soltura como para tantas capturas, felizmente, estou aprendendo a ler o mar... Não adianta fincar calão na areia e esquecer. Em lugar que o peixe não esta, vc não vai encontrar muitas ações. Isto tenho dito aos amigos... insistência para pegar peixe em lugar do marasmo é garantia de frustração. O peixe não bate, levanta acampamento e troca de lugar. Na pescaria em que não peguei nada, outros dois amigos também não pegaram nada... e um terceiro pegou uma corvina boa, apenas. Naquele momento, deveríamos ter deitado "cabelo" pra baixo... 10 km, que fosse. Contudo, voltamos contra a corrente dos últimos dias... erramos. Pegar a estrada da pescaria é incerteza do resultado... pode ser que apareça o pescado, pode ser que não. Arriscar é preciso, histórias vão ficar, mas na ausência do peixe... trocar de lugar é preciso!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Pescaria de corvinas... amém!

Imagem de uma corvina com aproximadamente 4 kg
Alguns amigos estavam curiosos sobre esta semana... quem pesca no mar no mês de dezembro, sabe muito bem que é um ótimo mês para pesca de algumas espécies. A corvina Micropogonias furnieri  (Desmarest, 1823) é pescada e vista por aqui nos meses de primavera e verão, ocasionalmente fora de época também. A corvina é um peixe cobiçado pela pesca de beira de praia pela diversão oferecida no combate. Não se assemelha um burriquete em fôlego, mas o estilo do peixe é muito parecido, embora menos intenso no combate. É comum presenciar diferença de coloração do prateado limpo e/ou com tons dourado, amarelo e até mesmo rosado, metalizados. Eventualmente se captura algumas com manchas pretas chamadas vulgarmente de petrolheiras. Alguma pessoas dizem que esta variante é ligada ao habitat, mas não encontrei nada científico sobre isto, parecendo ser pura imaginação destes que insistem em afirmar a relação de cor com hábitos alimentícios. 
Eu e um amigo resolvemos escapar no meio da semana para investir numa suposta aparição em massa de corvinas. Escolhemos um lugar longe de cabos de redes, vilas e pescadores amadores, e começamos. Pela manhã pescamos 12 exemplares com peso de aproximadamente 3 a 5 kg. A tarde capturamos mais 6 peixes. Os peixes da tarde eram um pouco maiores, onde certamente estavam com peso de 4,5 a 5,5 kg. Alguns peixes foram abatidos para consumo próprio, outros libertados. Os peixes reagiram as iscas de peixe-rei, marisco e tatuíras. Não conseguimos corruptos e percebemos que não era necessário devido a forte resposta dos peixes ao marisco. 
A pescaria de corvinas é muito divertida quando o cardume é localizado. Perde-se algumas batidas, mas de maneira geral o peixe fica muito bem ferrado pq a primeira mandada é forte. Muitas vezes, dependendo da área de arremesso e localização onde o peixe esta se alimentando, ele bate ao contrário, afrouxando a linha. Isto deve ser acompanhado atentamente pelo pescador, pois linha frouxa é pedida para anzol desengatar. É muito comum ver pescadores perdendo peixes quando a linha não é mantida esticada. 
O dia foi muito divertido... dia de pescaria com muitas ações é garantia extra para um bom dia, mas a outra parte da pescaria certamente é a amizade. Pescar sozinho é muito bom... mas pescar com um amigo é melhor ainda. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A próxima pescaria...


Taí... chegou fim de ano. A poeira começa abaixar, no segmento da bicicleta, onde atuo fortemente, as atividades estão encerradas para este ano. Isto se traduz em oportunidade para pescaria. Organizar as ideais, administrar os outros trabalhos da semana, e então partir pra uma nova aventura. Que seja inesquecível... como muitas que já vivi. Estou acompanhando a previsão a meses, para uma boa leitura dos mares. Muitos acham que isto é bobagem, mas seria apenas sorte o que vivi nas duas últimas pescarias? Será que a experiência e atenção sobre as fases do mar, movimentações, etc não correspondam aos acertos? Bem, já que não posso ir tantas vezes como eu gostaria, que sejam boas oportunidades. Quantas vezes pesco por ano... 4 ou 6 vezes. Pouco... mas eu tenho me divertido muito mais do que pessoas que vão todos os finais de semana. Eu acerto a data... eu acerto o lugar do peixe. Eu me divirto e planejo sempre a próxima pescaria. Aproveitando a oportunidade... "diga não as redes e a pesca industrial!" A escassez de pescado é responsabilidade do estado, que simplesmente esquece ou não cumpre o papel de fiscalizador. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ferros ao mar... casa de peixe!

fotografia executada em 2007
A imagem ao lado é o que restou da proa de um navio grego chamado de Mount Athos. O gigante encalhou no final da década de 60 (março de 1967), deixando sua carreira de cargueiro de lado. No interior havia adubo... e por ali encerrou sua história de navegação. Os restos deste, e de outros gigantes, se encontra no mesmo lugar que um dia foi abandonado. As histórias são parecidas, barco encalhado, barco a deriva por problemas mecânicos de leme ou motor. O mar bravo da costa gaúcha se encarrega de jogar as embarcações contra a margem. Uma vez de encontro a ela... dali raramente são retirados pelo custo e dificuldade. Infelizmente para seus proprietários, mas felizmente para os peixes e para os pescadores, estes gigantes de ferro transformam-se em "residências" de peixes variados. Garoupas e outras espécies desfrutam destes locais permanentemente... outras como corvinas e burriquetes, também miraguaias, passam por eles e fazem pausa para alimentação. Especula-se que algumas espécies utilizam estes até mesmo para reprodução, mas é informação imprecisa. A verdade é que se percebe grande quantidade de alimento junto destes naufrágios, mexilhões, caramujos, caranguejos, pequenos crustáceos, siris usam estes recifes artificiais para abrigar-se e fixar-se. Tais seres vivos atraem grandes quantidades de peixes passageiros. 
Por volta do ano 2000, pescava com meu pai ao redor deste navio com mar baixo de nordeste, quando ele perguntou pra mim. "Tu tá jogando a linha tão pertinho... vai trancar!" 
O lugar de pesca era a apenas 5 metros da areia seca... ao lado do navio, por toda extensão, havia uma valeta escura que denunciava profundidade incomum. Cheguei pertinho com o caniço e praticamente deixei a chumbada escorregar o barranco dentro dágua até que chegasse ao fundo. A profundidade era de mais ou menos 2 metros, água gelada e turva. Caminhei de volta até o calão descanso do caniço e estiquei a linha para acompanhar a ação de algum peixe. Nestes lugares a quantidade de peixes pequenos e siris é tão grande que se recomenda recolocar a isca a cada 5 minutos. Era uma ação de pequeninos atrás da outra... corvininhas com um palmo que obviamente voltavam para a água. Em uma das vezes, recoloquei a isca ao lado do navio como na primeira oportunidade. Percebi que naquele momento não havia ação de peixes pequenos... estranhei e até pensei que estivesse para dentro do casco do navio, em algum lugar que os peixes não acessavam. Foi então que vi uma pequena tremida na ponta da vara que me deixou tranquilo de que estaria pescando. Enquanto pescava, ajoelhei-me para desenterrar um marisco ou tatuíras. Então como o canto de olho percebi que algo balançou firme e diferente. Olhei para cima e vi o caniço envergado com a ponta para o navio. Corri para o caniço e senti o peso do peixe. Em seguida o retirei da água... era uma corvina de aproximadamente 3 kg. Meu pai ficou muito surpreso de que houvesse um peixe assim tão na beira da praia. E eu disse... navios são mágicos! Nos navios vc pode acreditar que nos cantos mais desmerecidos pode haver peixe de bom tamanho. Navios são casas para peixes... esta foi uma história que jamais esqueci, de verdade, nem mesmo eu acreditava que poderia haver peixe tão perto do seco. Bastou uma valeta de 2 metros de largura por 2 metros de profundidade para uma corvina encontrar o caminho da refeição. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O mar e as histórias... e os pilares de Deus


Quando erámos crianças, eu, o amigo Rodrigo, e meu irmão Guilherme, costumávamos pescar distante de casa acreditando em algo que hoje descrevo como fé pesqueira. Tinha um lugar na beira da praia que a gente acreditava ser diferente do que se formava em frente a nossas casas... neste lugar era comum pescar bons papaterras. A gente pescava uns grandes, alguns que hoje imagino girar em torno de 700-1000 gramas. Acreditava e pescava peixes maiores... Eu lembro que a gente colocava uma expectativa sobre as pescarias! Ouvíamos e criávamos mitos sobre pesca. Enquanto éramos crianças vivíamos ali sob o olhar dos pais, e pescávamos somente por ali no "bairro" da praia. Algumas vezes eu ia com meu pai longe pela praia, com o carro, uns 20-30 km de distância. Naquele tempo parecia muito, hoje é comum eu nem ir pescar nestes lugares porque eles já estão povoados. Muito tempo depois de tirar carteira de habilitação, um amigo havia me contado sobre um lugar que tentaram construir uma plataforma de pesca. Achei que ele estava inventando a história... Um dia resolvi ir do Quintão até o Balneário Mostardense para ver como era a praia neste trajeto. Então fui... sozinho, rumo ao horizonte de estrada de areia paralela ao mar. A praia estava boa para andar de carro... e o fiat uno é um tipinho que vai mesmo, e o melhor de tudo, gasta pouco e custa pouco! Então eu passei por naufrágios, embarcações abandonadas e consumidas pelo mar, vilarejos de pescadores, faróis e estes pilares que batizei de pilares de Deus. Olhando os pilares parece que eles mostram o caminho de algo. Sabe lá o que isto quer dizer, mas eu achei muito interessante, e sendo em uma região tão remota, certamente poderia ser uma grande pescaria. Passei por este lugar umas 4 ou 5 vezes na minha vida. Nunca pesquei em frente, ou por falta de buraco aparente, ou por ser apenas passagem no dia, mas é um lugar que eu fiquei pensando ser digno de lendas. E os velhos da época devem ter muita história para contar desta região que por muito tempo foi apontado como região de tubarões e violas. Hoje estes peixes estão quase esgotados, mas em tempos passados, deveria ser uma barbada fazer pescaria na região. Nascem histórias "contadas" por um avô, pai, tio... são histórias do mar. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O caminho... ser dono da própria sorte pesqueira!

Muitas vezes me perguntei sobre a direção certa para pescar. Esta é a maior dúvida que vive o pescador... para onde ir? Para que direção devemos rumar e assim encontrar o peixe? Devo me contentar com alguma notícia e informação passada por um colega, ou devo correr atrás de minha própria história? Sem dúvidas esta é a grande pergunta que os pescadores se fazem... principalmente aqueles que por uma infelicidade do destino são "maus" escolhedores de lugares para pesca. Não é raro observar alguém pescando em um lugar ruim... isto é fato! Vc passa por um lugar e lá esta o cidadão pescando em um buraco raso, no meio do nada, quando no caminho havia muitos pontos bonitos e promissores. A verdade é que ele sabe de alguma coisa que vc não sabe ou simplesmente é um péssimo pescador. A dúvida pode ser tirada... pergunta! "pescou algum peixe, amigo?"
A surpresa pode ser grande, as vezes o cara achou um buraco de peixe que parece inesgotável, as vezes ele esta matando alevinos, ou pode estar apenas gastando o tempo que ganhou de presente quando deu as costas para a cidade grande. Ninguém nasceu sabendo pescar... mas que uns aprenderam alguma coisa e que outros continuam insistindo no vazio, isto não resta dúvidas. Ultimamente tenho adotado a prática de reflexão que exclui minha forma de pensar que já aprendi muito. Quando a gente pensa que sabe muito, logo deixa de aprender, pois em muitos casos se encerra a porta da novidade. Valos fundos podem ter grandes peixes escondidos... bancos rasos também, buraqueira da beira, idem! Se vamos pro norte ou pro sul... bem, isto é uma questão de intuição, experiência, pensamento pesqueiro! Eu só sei que é muito bom saber que em algum lugar tem peixe e que vc só precisa procurar... Como nesta estrada que termina no mar, de lá, vamos para esquerda ou para direita? A intuição é mais valorosa que qualquer palpite furado. Cria tuas próprias aspirações pesqueiras, elas podem levar vc de encontro com o novo que ninguém presenciou. Podem ser burriquetes, corvinas ou qualquer outro peixe... vc decide! Vc faz a sua sorte...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Corvina, burriquetes e amanhecer no paraíso...

 Vamos lá... Bom, primeiro dia de pescaria, chegamos lá na praia umas 10 hora da manhã. Acorda cedo, coloca as coisas no carro, passa na casa do Wlad pra pegar ele e as tralhas, estrada ruim (RST-101), beira da praia péssima pra rodar de carro, mar alto na linha de trânsito... complicado! Enfim, chegamos e nos colocamos a pescar. Do início ao fim do dia foram poucos peixes... muitos bagres, siris, alguns papaterras, um burriquete e uma corvina pescados. Wlad pescou a corvina e o burriquete... o mar corria forte, não tinha boa lida pra pescaria. Preparamos água para banho, churrasqueira e dormimos cedo pra assumir a pesca as 6 horas da manhã. Durante a noite teve vento forte de rajada, acordei na madrugada e pensei que nem ia ter pescaria no dia seguinte. As 6 horas da manhã, desentoca do barraco e nos deparemos com um ventinho nordeste fraco-moderado. O nascer do sol foi este aí que flagrei pra dividir com vcs. Colocamos as coisas no carro e fomos para o pesqueiro. Arruma tudo e joga a linha na água... o que vai ser?


Primeiro arremesso, primeiro burriquete... pequeno, 2 kg. O dia foi de atividade, muitos papaterras, nenhum bagre! Muitas foram as batidas de burriquete... pesquei 16 burriquetes de 2 e 3 kg. Soltei grande parte... Wlad pescou também uns 4 ou 5 peixes. Perdi uns 3 peixes, talvez 4 peixes, não recordo. Um dos peixes era fora de padrão, bateu no marisco fechado, na buraqueira da beira, peixe pesado sentido na linha. Quando dei linha pq o peixe pediu, oportunizei uma mudança de ângulo do peixe que cuspiu o anzol. Acho que ferrou em um lugar da boca que não permitiu a resistência da mandada. Foi uma burrada... tinha que  trazer na pontinha da unha, contar com este imprevisto. Contudo, de histórias assim é feita a pescaria. E que seja o maior de todos a ser perdido, afinal, história de pescador é história de pescador.  

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Bomba ao mar... é bomba de iscas mesmo!




Na última pescaria que rendeu muita diversão de burriquetes e briga com duas arraias morcego, aconteceu algo que nunca havia acontecido comigo. Acho que o mar trouxe muita diversão pesqueira, mas no meu descuido levou minha bomba de corruptos. Enquanto trazia um burriquete no cuidado e atenção da pescaria, o mar deu uma lambada de onda que desenterrou a bomba de corrupto e ao mesmo tempo levou para dentro do mar. Chupada de bala... deveria ter enterrado melhor. Ovos quebrados não tem conserto, assim como bomba que foi para o fundo do mar. Pensando na próxima pescaria, dei jeito de fabricar como eu gostaria de ter... fui no depósito de restos de obra dos meus pais, encontrei algumas peças, e hoje fui até a ferragem e comprei o restante que faltava. Com os materiais que juntei, fiz dois conceitos de bomba, ambas de 75 mm de diâmetro, porém sistema de puxada diferente, bem como comprimento das bombas. A bomba das duas imagens mais ao alto é para corruptos, crustáceo comum nos mares com areia formada em baixa maré. Em todo Brasil existem algumas espécies, mas aqui no sul apenas duas, até onde me recordo. Sendo bem comum aquele de cor rosada, grande. Embora seja uma grande isca, eu não dou muita importância para esta isca. Prefiro mesmo pescar corvinas, papaterras e burriquetes com marisco, ou até mesmo com tatuíra. Por este motivo, fiz esta outra bomba com perfil mais curtinho, levezinha, apenas para cavar mariscos. A bomba grande é pesada para esta finalidade, além do mais, quando precisar puxar corruptos, ela estará desgastada para este ofício. Prefiro deixar uma para cada uma das atividades. A bomba pequena tem borracha menos apertada, sendo mais leve pelo tamanho e pelo efeito de borracha mais livre, e então o braço direito que já não é mais aquele aguenta legal. Amanhã vou colocar em prática as duas bombas para fins de teste. Note que a bomba de corruptos fiz o topo com um CAP de 75 mm para pressão dágua, e não para esgoto, pois no passado tive uma que usava CAP para esgoto, que na rapidez acabou quebrando. Nenhuma das bombas foi colada, pois desta forma posso remover as peças que forem danificadas. É importante criar produtos de uso com capacidade de recuperação. Peças coladas podem ser perdidas por impossibilidade de trocar apenas o que estiver quebrado. Como não vi nenhuma bomba fabricada nesta configuração, espero que minhas considerações estejam corretas. Vamos ao teste... 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Pescaria de burriquetes...





Antes de falar da aventura de pesca, vou falar das situações que envolveram a aventura. Primeiro, como sempre digo. Um dia de pescaria, mesmo que cheio de peixes, nunca é o mesmo sem a presença de um amigo. Como meu trabalho é de final de semana, fica difícil de ter amigos disponíveis para ir durante a semana. Também faço questão de dizer que removi os bancos do carro, deixando apenas o banco do motorista pq resolvi dormir dentro do carro. Encho um colchão de ar, transformei o carro na minha barraca. E diga-se de passagem... a ideia é muito boa. Tive uma noite de sono de qualidade e logo que acordei saí procurando um lugar para pescar. Não precisei pensar em desmontar barraca, etc. 
A estrada estava muito ruim... a RST-101 que leva a mostardas e a São José do Norte estava péssima. A estrada não estava tão ruim como já vi um dia, mas como ela tem buracos fundos e o asfalto parece bom, o motorista vai na velocidade que indicam as placas e pode acabar com um pneu estourado, no mínimo! Cautela para quem for pescar no litoral que precise desta estrada. Outra preocupação era o acesso a beira da praia, a estrada serraria estava ruim, com água em alguns pontos, mas nada que o fiat uno não passasse. Não havia areia fofa também... mas havia um receio grande na saída junto da praia. Felipe, um pescador amigo, fez menção a dificuldade de sair na praia neste local devido as fortes chuvas e formação de barrancos. Felizmente, já haviam feito uma descida no barranco, precisando de um embalo mínimo para descer. Deste trecho em diante bastava o carro ser conduzido por dentro do córrego. Logo adiante havia como subir de volta para fora do córrego e foi bastante tranquilo. Na praia havia alguns restos de uma embarcação vitimada pelo mar dias atrás, mas a praia estava bastante transitável com o vento norte-nordeste. Outra embarcação era possível ver no trajeto de praia, encalhou dias antes e estava sendo removida e desmontada. Não imagino para que alguém desmonta um barco velho destes... exceto pelo maquinário.
A pescaria começou em pontos diversos, mas sem sucesso, exceto pelos papaterras que era de tamanho razoável. A água turva impedia a captura de mais peixes... demorava um pouquinho para bater. Fui até a região onde Felipe havia capturado burriquetes, mas não encontrei um bom lugar para pescar, tampouco para alcançar o valor de trás. O problema é que o valo da frente era fundo, e o de trás estava distante. Sentando o braço na penn 140 e parede 7 chegava na quebra da onda, mas a linha voltava com muita sujeira no local. Na praia encontrei um pescador velho com quem troquei umas ideias. Disse para ele que procurava por corvinas e burriquetes... então ele fez sugestão. Segui até a região e sem dificuldade cheguei até o valo de trás. Logo no primeiro arremesso, depois de 3 minutos bateu o primeiro peixe. No primeiro dia peguei 5 peixes, no segundo dia pesquei mais 12 ou 13 peixes, me perdi nas contas do segundo dia. Perdi várias batidas, normalmente o caniço apenas balançava e caia pra trás. Por três vezes o caniço mandou ver pra frente, sendo duas destas oportunidades eram arraias com 10 e 15 kg, também foram libertadas. A terceira mandada não parecia ser arraia, acredito que fosse uma corvina grande que não ferrou. O primeiro peixe do segundo dia foi este da foto, que depois de limpo pesou 3.100 gramas. Foi o maior dos peixes capturados na região toda. Saíram peixes em redes, mas todos eram menores, alguns com mais ou menos 1 kg. Os pescadores estavam matando todos... um verdadeiro pecado. Felizmente quem pescava de rede não capturou muitos. Soltei quase todos os peixes pq é necessário ter a consciência de permitir a propagação da espécie. Todos os peixes machos espirravam esperma quando a barriga era levemente comprimida. As fêmeas estavam ovadas também... É uma ótimo sinal para o futuro. Um dos peixes que levei para casa era uma fêmea ovada com ovas jovens ainda, não estava madura. A julgar pelo tamanho das ovas, estes peixes devem ter uns 2 meses de estrada até a reprodução. Peixes férteis em grande quantidade sugerem novas gerações... assim espero. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A miraguaia marisqueira que eu queria ter soltado...

fotografia: Alessandro Zardo
A pescaria faz parte da minha história como mais nada pode ser comparado nesta caminhada. Desde de pequeno, motivado levemente pela família e pela grande paixão que tenho com o mar, pesco! Desde criança eu sonhava com grandes peixes até que através da dedicação eu cheguei até os mesmos. Na trajetória conheci amigos verdadeiros que tinha mesmo objetivo, e eles se tornaram uma porção da minha família. Dos sonhos nunca desisti, mas na atual condição e com as mudanças dos comportamentos (inclusive meus) descobri outros sentimentos que certamente mudaram minha vida para sempre, como pessoa e profissional. Persegui este peixe e seus semelhantes com uma grande vontade que me permitiu o êxito, mas eu jamais deveria sentir o que descrevo hoje com tristeza. Eu jamais deveria ter tirado este peixe da água. A quase 10 anos atrás eu pensava diferente. Eu não colocarei a culpa na minha ignorância. Também não vou culpar meus amigos que o fazem ou fizeram. Esta decisão é pessoal, intransferível! Durante muito tempo e persegui um peixe... eu entrei na água, me arrisquei. Posso dizer que me arrisquei demais por este peixe... arrisquei a vida pra tirar este peixe dágua. Eu me arrisquei inúmeras vezes por isto. Por muito tempo tive orgulho desta foto, hoje, tenho lembranças de bons tempos, mas tristeza por um feito que poderia ter sido diferente. Eu poderia ter devolvido o peixe ao mar... eu podia ter devolvido ele a sua casa e ter ficado apenas com as lembranças. Eu queria apenas a lembrança... não quero a culpa pelo que um dia eu fiz. Desabafar aqui é uma tentativa de alívio... Eu vou pescar de novo, mas se eu pegar um peixe assim, farei tudo para que ele volte para a água.

terça-feira, 11 de junho de 2013

A pesca de prancha... existe!


Em cada molde, em cada estilo, para cada cultura, e hábito local. A pesca de prancha têm muitas variáveis. Tem muitos anos que um dos meus amigos achou este desenho de um artista chamado Paul Elder, ilustração criada para divulgar a 15ª edição de um estranho campeonato. Cada lugar com as suas manias... a versão de cada esporte evolui as condições locais. Verdade que o desenho é bem humorado, diferente e um pouco irreal, mas um toque de alegria contagiante cabe muito bem a pesca. Não é de agora, sempre foi, a pesca é uma atividade de entretenimento... em outros tempos, de entretenimento e auxílio no sustento, ou apenas sustento. Hoje, como o estilo de vida mudou tanto, reside apenas a diversão, e eventualmente um peixinho na mesa. Percebi que pesquei de prancha apenas uma ou duas vezes este ano. Esta mais para não deixar terminar uma história do que para colocar peixe na mesa. Sair da rotina é preciso, então, pescaria é pescaria, seja qual tipo você quiser. A pescaria de prancha existe... algumas são meio evoluídas para caiaques e outros flutuantes que estão antes de um barco. Particularmente, acredito que a pesca de prancha tenha mais valor apenas para levar a isca até o local desejado, mas pelo visto, estes caras do campeonato fazem um pouco mais que isto. O livre arbítrio pertence a pescaria... ou vice-versa. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Uma arraia muito grande... é história de pescador!


A cerca de 4 anos atrás, pescando com um amigo no litoral do RS, nasceu uma nova história em nossas vidas. A grande loteria da pesca é conseguir estar no lugar e hora certa, e neste dia, certamente estávamos. Eu, pescava papa-terras (betaras), e ele algo bem maior que pudesse colocar um anzol 10/0 na boca. Fiz alguns arremessos, e ele, prancheiro experiente, entrou no mar revolto, próximo da última arrebentação que aparece na imagem. Quando saiu do mar, montou outro caniço para me acompanhar na pescaria modesta, de papaterras.
Depois de alguns minutos, se me lembro bem, talvez uns de 40 minutos, algo bateu. O peixe deitou a vara, afrouxou e tornou a deitar o caniço. O amigo, correu para o caniço, firmou  fortemente para trás, iniciando o combate que levaria alguns bons minutos. Pensávamos em outros peixes, pois este além de forte, era também mais veloz que as comuns arraias que circundam a região. A linha esticada feito fio de violino, assobiava com o vento. Era certeza de que a briga seria grande, e que talvez não houvesse vencedor. Arrebentando, peixe sairia com o anzol na boca, pescador jamais saberia do que se tratava. Felizmente, a experiência e sorte de Alessandro eram grandes... não sei qual delas poderia descrever como maior, mas ferrar um peixe deste porte, já é um grande presente sugerido pela sorte.
Pouco a pouco o peixe foi encostando na praia. Quando a água me batia na altura da coxa, foi possível segurar o líder, e então auxiliar na puxada. De imediato vi que se tratava de uma grande arraia, mas mal poderia sugerir um peso para o big fish. Tentei erguer sozinho, mas foi em vão. O peixe escorregadio, pesado e extenso, dificultavam a operação. Na areia acomodamos o peixe para realizar fotos e soltar o anzol, percebemos que se tratava de um gigante com mais de 50 kg, talvez 60 quilos. Depois de remover o anzol, e pousarmos para a foto, nos olhamos e concordamos em soltar a fera pacífica. Direito dela em voltar para o mar, direito nosso garantido... foto e uma experiência única, agora repousa em nossa lembrança. Um dia comum de pescaria, um grande combate, e um animal fabuloso que voltou para casa.

É história de pescador, mas com foto, não tem como negar. Isto aconteceu mesmo! Pescamos e soltamos um grande peixe! E bom seria se todos praticassem a pesca esportiva, especialmente das grandes espécies, para que um dia elas não fossem tão raras. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Histórias - Ser pracheiro é...

fotografia: Roberto Furtado
Pescar de prancha é algo que soa um tanto quanto estranho para quem desconhece a prática. Até pouco tempo atrás, chamavamos de pesca de prancha, mas um amigo e praticante dos mais mutucas (Canali), logo tratou de arrumar um nome. Nomeou a nós mesmos, os praticantes, de Surfisherman (Surfisherman = surf + fishing + praticante). Somos poucos, apesar do crescente número de adeptos, talvez pela dificuldade da prática. A dificuldade não esta restrita a uma arte de conhecer técnicas de pesca, nem de dominar técnicas de surf, mas na combinação das duas. Detalhes percebidos na tentativa, e acredite eles existem em quantidade.
É isto aí mesmo, pescar de prancha... é coisa de macho mesmo!
Bom pescador de prancha tem que ter um pouco de tudo! Um pouco de persistência, um pouco de surfista, um pouco de pescador, um pouco de valentia, um pouco de confiança, um pouco de professor, um pouco de aluno, um pouco de amizade (ensinar os amigos), um pouco de inteligência e de burrice, um pouco de noção das correntes marítimas, e muito amor ao mar.
Depois de alguns poucos dias sem ver o mar, já sinto falta do mesmo e deste "esporte". Sento em uma poltrona de minha casa, apoio os braços sobre os descansos e começo a lembrar. Visualizo a entrada na água como se fosse imagem de horas atrás...  sinto o gosto da água salgada na boca! Calço os pés de pato, coloco a prancha em baixo do braço, na outra mão seguro a garatéia... as vezes, entro na água aos pulos, as vezes vagarosamente. Há quem possa confirmar... Eventualmente, urino na própria roupa de borracha... e o que era frio de estalar, passa a ser quente como o café! ehehehehehehheeheheh Inversamente proporcional! Quem diria isto? Caminhando na água, sinto a temperatura fria, parece que não vou me acostumar, sigo até a altura da cintura... e sem nenhum pouco de paciência de caminhar no fundo esburacado do mar, logo vou subindo na prancha... bato os pés, por vezes remo com o braço que sobra. A cada onda que passo, uma vitória! Cada onda, uma emoção... um joelhinho sob a onda maior, uma vaca no tombo resulta numa bela chafurdada, mas logo ultrapasso a arrebentação. Vejo uma imensidão de águas revoltas ou calmas, depende do dia. Uma sensação de infinito, longe apenas 250 metros da beira da praia. Escolho um lugar pra largar a isca, e desço-a devagar, assim sondando a profundidade do local. Tchê, algumas vezes... mais de cinco metros! Estranha capacidade da corrente, de criar "valetas" sobre o arenoso fundo do mar.
O desejo de chegar ao objetivo, e uma alegria de ter vencido a água... pelo menos por enquanto. Para sair... encosto com cautela na arrebentação, e espero. Escolho a melhor posição, onda e nível do mar... e pego a onda sentido a força do oceano. Correndo com a água que gira por cima da própria água, surgem milhões de coisas em minha mente. Parece um longo tempo, mas não passam de poucos segundos. Já na meia água, junto a prancha e os pés de pato. Fim da atitude física, e começo da espera... um jogo mental. Será que o peixe vai bater? Era o local correto? Assim somos... pacienciosos, vitoriosos, amigos, sonhadores... meros sonhadores, humildes, felizes na água, tristes em terra firme. Alegres na presença dos amigos e do mar... o infinito nos aguarda! Santa felicidade de existir..

obs: este texto foi produzido e publicado em diversos canais de pesca nos por volta de 2003. Hoje, os prancheiros são vários no RS, e no mundo, mas poucos compreendem o verdadeiro significado da pesca com prancha. Ser prancheiro é ter um algo mais que somente os pescadores de alma compreendem. Imagem meramente ilustrativa.

Roberto Furtado

Pesca de Tarpon na Costa Rica - parte 2






Fotografia: Gelson Petuco

terça-feira, 4 de junho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Histórias - Aventura de um Prancheiro Medroso

fotografia: Roberto Furtado
Em setembro de 2002, eu e um amigo investimos em uma aventura que até hoje lembramos e rimos. Depois de aprendermos um pouco sobre uma versão funcional sobre a pesca de prancha e rumando para a experiência, resolvemos tentar uma pescaria de Miraguaia. Apenas uma entre tantas tentativas sem êxito, mas aprendemos muito. Não lembro quem entrou no mar primeiro, e a ordem não é importante. O fato sucedeu quando entrei no mar e meu amigo Marcio controlava a linha da carretilha para mim. O mar era calmo, cheio e turvo, apavorante e ao mesmo tempo... instigante. A água era o legítimo chocolate! Rumei na direção que imaginei estar o navio em relação a beira de praia, e logo vi uma grande marcação... era a presença do fantasma de ferro, ainda distante. A corrente era suave, porém constante. Pouco a pouco me aproximei daquela marcação, que seguidamente ficava "invisível", oculta pela ondulação. Entre uma ondulação e outra, vi algo por instantes... foi tão rápido que não tive qualquer certeza, poderia ser qualquer coisa. Talvez um objeto flutuante, naquele momento não me impressionei. O valo era largo, fundo e lembrava o mar aberto, distante cerca de 300 metros da praia. Distância que hoje acho pequena e relativamente fácil de ultrapassar.
Quando vi a marcação novamente, rumei na direção dela, e agora eu estava perto. Imagino que estaria a cerca de 15 metros, talvez menos... a referência dentro do mar, é imprecisa! Neste momento, a marcação fica mais visível... e o gigante de ferro bufa água para cima, deslocando água como em uma nascente! Me preparo para largar a linha. Casualmente, quando eu me preparava para soltar a espera, surge um pequeno vagalhão. Com este vagalhão uma nova marcação surge do navio, o mesmo assopra pra cima, uma grande quantidade de água... e com ela, um grande animal aflora na superfície. Um peixe enorme, colocando as nadadeiras acima da superfície, um peixe amarelo... dourado! Apavorei-me e no primeiro instante pensei na burra lógica de inexperiente prancheiro... seria um tubarão!!! “Gritei mãe de Deus” na mesma hora... foi automático! Um choque que causou a liberação de todas as substâncias químicas do pânico e instintos de sobrevivência. No segundo instante, usei novamente a lógica pouco inteligente, e quase falei em voz alta... "tubarões nunca andam sozinhos, estou cercado!" Tentei largar a espera e ao mesmo tempo me virei para a praia, a linha enrolou-se na minha mão, mas na bateção de mãos e pés, desprendeu-se por conta. Desesperadamente bati braços e pernas na intenção de alcançar um deslocamento rapido suficiente para fugir do suposto ataque coletivo de tubarões. No terceiro acesso de estupidez, pensei que deveria parar de bater os braços, pois os tubarões famintos morderiam minhas mãos... e aí me venceriam facilmente. Então bati os pés mais rápido ainda, senti todas as dores do mundo naquelas pobres pernas. Mesmo com dores, continuei... não podia me render aos peixes “assassinos”. O mesmo valo largo pra chegar, era largo pra voltar! Neste meio tempo, voltei a ser católico, e continuei rezando para que os peixes demoníacos me deixassem em paz. Na velocidade de um cruzeiro atrasado, alcancei a "rebentação" (arrebentação), peguei qualquer onda que nem me lembro. Cheguei bufando na areia, não podia falar, e mal podia respirar. O amigo havia visto aquilo tudo, e estranhou muito... perguntou-me o que vi, e logo expliquei que teria visto um tubarão. Ele logo, perguntou-me se estava louco e duvidou, apesar de acreditar que algo havia me assustado. Subimos na duna em frente, e ficamos a olhar... o peixe era tão grande, que podia ser visto de cima da duna a mais de 300 metros de distância. Era um peixe que parecia exibir-se, e aflorava seguidamente na superfície. Marcio, questionou-me muitas vezes, alegando que tubarões não fazem isto. E pra aumentar ainda mais nossos anseios, ele começou a ver mais outras duas aparições, distando semelhante, porém em pontos diferentes. Era a certeza de não um, mas de três peixes. Passado o estado de choque, retrocedi as imagens claras em mente, e lembrei de detalhes... o peixe era de um dourado único e refletivo, e sua "pele" tinha contornos sugerindo a presença de escamas. A dorsal que tanto me assustou, apresentava raiamentos, como de uma corvina! Não era corvina, eu, pescador de corvinas sabia que não existiria uma corvina daquele tamanho, e que somente um peixe parece tanto com ela. Definitivamente, era uma miraguaia, o lendário peixe perseguido por meus sonhos de infância. Chegara eu tão próximo do peixe, e por ignorância, medo tive de um animal tão pacífico! Não lembro de outros detalhes neste dia, mas nunca esquecemos o mesmo... haviam muitos peixes presentes e não conseguimos capturar nenhum exemplar. Uma única batida perdida, nenhuma surpresa para dois inexperientes prancheiros. A certeza pela aparição nos garantiu esperança, e a mesma alimenta nossa busca até os dias de hoje. Já tivemos sucesso, mas quando lembro deste fracasso, me surge uma alegria momentânea. Lembro do episódio com muita saudade e graça. 

obs: prancheiro é como chamamos o pescador que usa uma prancha para colocar a linha no mar. No arremesso, este local não é alcançado, mas com o uso da prancha, o pescador atinge o local. A imagem do post é meramente ilustrativa.