terça-feira, 11 de junho de 2013

A pesca de prancha... existe!


Em cada molde, em cada estilo, para cada cultura, e hábito local. A pesca de prancha têm muitas variáveis. Tem muitos anos que um dos meus amigos achou este desenho de um artista chamado Paul Elder, ilustração criada para divulgar a 15ª edição de um estranho campeonato. Cada lugar com as suas manias... a versão de cada esporte evolui as condições locais. Verdade que o desenho é bem humorado, diferente e um pouco irreal, mas um toque de alegria contagiante cabe muito bem a pesca. Não é de agora, sempre foi, a pesca é uma atividade de entretenimento... em outros tempos, de entretenimento e auxílio no sustento, ou apenas sustento. Hoje, como o estilo de vida mudou tanto, reside apenas a diversão, e eventualmente um peixinho na mesa. Percebi que pesquei de prancha apenas uma ou duas vezes este ano. Esta mais para não deixar terminar uma história do que para colocar peixe na mesa. Sair da rotina é preciso, então, pescaria é pescaria, seja qual tipo você quiser. A pescaria de prancha existe... algumas são meio evoluídas para caiaques e outros flutuantes que estão antes de um barco. Particularmente, acredito que a pesca de prancha tenha mais valor apenas para levar a isca até o local desejado, mas pelo visto, estes caras do campeonato fazem um pouco mais que isto. O livre arbítrio pertence a pescaria... ou vice-versa. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Uma arraia muito grande... é história de pescador!


A cerca de 4 anos atrás, pescando com um amigo no litoral do RS, nasceu uma nova história em nossas vidas. A grande loteria da pesca é conseguir estar no lugar e hora certa, e neste dia, certamente estávamos. Eu, pescava papa-terras (betaras), e ele algo bem maior que pudesse colocar um anzol 10/0 na boca. Fiz alguns arremessos, e ele, prancheiro experiente, entrou no mar revolto, próximo da última arrebentação que aparece na imagem. Quando saiu do mar, montou outro caniço para me acompanhar na pescaria modesta, de papaterras.
Depois de alguns minutos, se me lembro bem, talvez uns de 40 minutos, algo bateu. O peixe deitou a vara, afrouxou e tornou a deitar o caniço. O amigo, correu para o caniço, firmou  fortemente para trás, iniciando o combate que levaria alguns bons minutos. Pensávamos em outros peixes, pois este além de forte, era também mais veloz que as comuns arraias que circundam a região. A linha esticada feito fio de violino, assobiava com o vento. Era certeza de que a briga seria grande, e que talvez não houvesse vencedor. Arrebentando, peixe sairia com o anzol na boca, pescador jamais saberia do que se tratava. Felizmente, a experiência e sorte de Alessandro eram grandes... não sei qual delas poderia descrever como maior, mas ferrar um peixe deste porte, já é um grande presente sugerido pela sorte.
Pouco a pouco o peixe foi encostando na praia. Quando a água me batia na altura da coxa, foi possível segurar o líder, e então auxiliar na puxada. De imediato vi que se tratava de uma grande arraia, mas mal poderia sugerir um peso para o big fish. Tentei erguer sozinho, mas foi em vão. O peixe escorregadio, pesado e extenso, dificultavam a operação. Na areia acomodamos o peixe para realizar fotos e soltar o anzol, percebemos que se tratava de um gigante com mais de 50 kg, talvez 60 quilos. Depois de remover o anzol, e pousarmos para a foto, nos olhamos e concordamos em soltar a fera pacífica. Direito dela em voltar para o mar, direito nosso garantido... foto e uma experiência única, agora repousa em nossa lembrança. Um dia comum de pescaria, um grande combate, e um animal fabuloso que voltou para casa.

É história de pescador, mas com foto, não tem como negar. Isto aconteceu mesmo! Pescamos e soltamos um grande peixe! E bom seria se todos praticassem a pesca esportiva, especialmente das grandes espécies, para que um dia elas não fossem tão raras. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Histórias - Ser pracheiro é...

fotografia: Roberto Furtado
Pescar de prancha é algo que soa um tanto quanto estranho para quem desconhece a prática. Até pouco tempo atrás, chamavamos de pesca de prancha, mas um amigo e praticante dos mais mutucas (Canali), logo tratou de arrumar um nome. Nomeou a nós mesmos, os praticantes, de Surfisherman (Surfisherman = surf + fishing + praticante). Somos poucos, apesar do crescente número de adeptos, talvez pela dificuldade da prática. A dificuldade não esta restrita a uma arte de conhecer técnicas de pesca, nem de dominar técnicas de surf, mas na combinação das duas. Detalhes percebidos na tentativa, e acredite eles existem em quantidade.
É isto aí mesmo, pescar de prancha... é coisa de macho mesmo!
Bom pescador de prancha tem que ter um pouco de tudo! Um pouco de persistência, um pouco de surfista, um pouco de pescador, um pouco de valentia, um pouco de confiança, um pouco de professor, um pouco de aluno, um pouco de amizade (ensinar os amigos), um pouco de inteligência e de burrice, um pouco de noção das correntes marítimas, e muito amor ao mar.
Depois de alguns poucos dias sem ver o mar, já sinto falta do mesmo e deste "esporte". Sento em uma poltrona de minha casa, apoio os braços sobre os descansos e começo a lembrar. Visualizo a entrada na água como se fosse imagem de horas atrás...  sinto o gosto da água salgada na boca! Calço os pés de pato, coloco a prancha em baixo do braço, na outra mão seguro a garatéia... as vezes, entro na água aos pulos, as vezes vagarosamente. Há quem possa confirmar... Eventualmente, urino na própria roupa de borracha... e o que era frio de estalar, passa a ser quente como o café! ehehehehehehheeheheh Inversamente proporcional! Quem diria isto? Caminhando na água, sinto a temperatura fria, parece que não vou me acostumar, sigo até a altura da cintura... e sem nenhum pouco de paciência de caminhar no fundo esburacado do mar, logo vou subindo na prancha... bato os pés, por vezes remo com o braço que sobra. A cada onda que passo, uma vitória! Cada onda, uma emoção... um joelhinho sob a onda maior, uma vaca no tombo resulta numa bela chafurdada, mas logo ultrapasso a arrebentação. Vejo uma imensidão de águas revoltas ou calmas, depende do dia. Uma sensação de infinito, longe apenas 250 metros da beira da praia. Escolho um lugar pra largar a isca, e desço-a devagar, assim sondando a profundidade do local. Tchê, algumas vezes... mais de cinco metros! Estranha capacidade da corrente, de criar "valetas" sobre o arenoso fundo do mar.
O desejo de chegar ao objetivo, e uma alegria de ter vencido a água... pelo menos por enquanto. Para sair... encosto com cautela na arrebentação, e espero. Escolho a melhor posição, onda e nível do mar... e pego a onda sentido a força do oceano. Correndo com a água que gira por cima da própria água, surgem milhões de coisas em minha mente. Parece um longo tempo, mas não passam de poucos segundos. Já na meia água, junto a prancha e os pés de pato. Fim da atitude física, e começo da espera... um jogo mental. Será que o peixe vai bater? Era o local correto? Assim somos... pacienciosos, vitoriosos, amigos, sonhadores... meros sonhadores, humildes, felizes na água, tristes em terra firme. Alegres na presença dos amigos e do mar... o infinito nos aguarda! Santa felicidade de existir..

obs: este texto foi produzido e publicado em diversos canais de pesca nos por volta de 2003. Hoje, os prancheiros são vários no RS, e no mundo, mas poucos compreendem o verdadeiro significado da pesca com prancha. Ser prancheiro é ter um algo mais que somente os pescadores de alma compreendem. Imagem meramente ilustrativa.

Roberto Furtado

Pesca de Tarpon na Costa Rica - parte 2






Fotografia: Gelson Petuco

terça-feira, 4 de junho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Histórias - Aventura de um Prancheiro Medroso

fotografia: Roberto Furtado
Em setembro de 2002, eu e um amigo investimos em uma aventura que até hoje lembramos e rimos. Depois de aprendermos um pouco sobre uma versão funcional sobre a pesca de prancha e rumando para a experiência, resolvemos tentar uma pescaria de Miraguaia. Apenas uma entre tantas tentativas sem êxito, mas aprendemos muito. Não lembro quem entrou no mar primeiro, e a ordem não é importante. O fato sucedeu quando entrei no mar e meu amigo Marcio controlava a linha da carretilha para mim. O mar era calmo, cheio e turvo, apavorante e ao mesmo tempo... instigante. A água era o legítimo chocolate! Rumei na direção que imaginei estar o navio em relação a beira de praia, e logo vi uma grande marcação... era a presença do fantasma de ferro, ainda distante. A corrente era suave, porém constante. Pouco a pouco me aproximei daquela marcação, que seguidamente ficava "invisível", oculta pela ondulação. Entre uma ondulação e outra, vi algo por instantes... foi tão rápido que não tive qualquer certeza, poderia ser qualquer coisa. Talvez um objeto flutuante, naquele momento não me impressionei. O valo era largo, fundo e lembrava o mar aberto, distante cerca de 300 metros da praia. Distância que hoje acho pequena e relativamente fácil de ultrapassar.
Quando vi a marcação novamente, rumei na direção dela, e agora eu estava perto. Imagino que estaria a cerca de 15 metros, talvez menos... a referência dentro do mar, é imprecisa! Neste momento, a marcação fica mais visível... e o gigante de ferro bufa água para cima, deslocando água como em uma nascente! Me preparo para largar a linha. Casualmente, quando eu me preparava para soltar a espera, surge um pequeno vagalhão. Com este vagalhão uma nova marcação surge do navio, o mesmo assopra pra cima, uma grande quantidade de água... e com ela, um grande animal aflora na superfície. Um peixe enorme, colocando as nadadeiras acima da superfície, um peixe amarelo... dourado! Apavorei-me e no primeiro instante pensei na burra lógica de inexperiente prancheiro... seria um tubarão!!! “Gritei mãe de Deus” na mesma hora... foi automático! Um choque que causou a liberação de todas as substâncias químicas do pânico e instintos de sobrevivência. No segundo instante, usei novamente a lógica pouco inteligente, e quase falei em voz alta... "tubarões nunca andam sozinhos, estou cercado!" Tentei largar a espera e ao mesmo tempo me virei para a praia, a linha enrolou-se na minha mão, mas na bateção de mãos e pés, desprendeu-se por conta. Desesperadamente bati braços e pernas na intenção de alcançar um deslocamento rapido suficiente para fugir do suposto ataque coletivo de tubarões. No terceiro acesso de estupidez, pensei que deveria parar de bater os braços, pois os tubarões famintos morderiam minhas mãos... e aí me venceriam facilmente. Então bati os pés mais rápido ainda, senti todas as dores do mundo naquelas pobres pernas. Mesmo com dores, continuei... não podia me render aos peixes “assassinos”. O mesmo valo largo pra chegar, era largo pra voltar! Neste meio tempo, voltei a ser católico, e continuei rezando para que os peixes demoníacos me deixassem em paz. Na velocidade de um cruzeiro atrasado, alcancei a "rebentação" (arrebentação), peguei qualquer onda que nem me lembro. Cheguei bufando na areia, não podia falar, e mal podia respirar. O amigo havia visto aquilo tudo, e estranhou muito... perguntou-me o que vi, e logo expliquei que teria visto um tubarão. Ele logo, perguntou-me se estava louco e duvidou, apesar de acreditar que algo havia me assustado. Subimos na duna em frente, e ficamos a olhar... o peixe era tão grande, que podia ser visto de cima da duna a mais de 300 metros de distância. Era um peixe que parecia exibir-se, e aflorava seguidamente na superfície. Marcio, questionou-me muitas vezes, alegando que tubarões não fazem isto. E pra aumentar ainda mais nossos anseios, ele começou a ver mais outras duas aparições, distando semelhante, porém em pontos diferentes. Era a certeza de não um, mas de três peixes. Passado o estado de choque, retrocedi as imagens claras em mente, e lembrei de detalhes... o peixe era de um dourado único e refletivo, e sua "pele" tinha contornos sugerindo a presença de escamas. A dorsal que tanto me assustou, apresentava raiamentos, como de uma corvina! Não era corvina, eu, pescador de corvinas sabia que não existiria uma corvina daquele tamanho, e que somente um peixe parece tanto com ela. Definitivamente, era uma miraguaia, o lendário peixe perseguido por meus sonhos de infância. Chegara eu tão próximo do peixe, e por ignorância, medo tive de um animal tão pacífico! Não lembro de outros detalhes neste dia, mas nunca esquecemos o mesmo... haviam muitos peixes presentes e não conseguimos capturar nenhum exemplar. Uma única batida perdida, nenhuma surpresa para dois inexperientes prancheiros. A certeza pela aparição nos garantiu esperança, e a mesma alimenta nossa busca até os dias de hoje. Já tivemos sucesso, mas quando lembro deste fracasso, me surge uma alegria momentânea. Lembro do episódio com muita saudade e graça. 

obs: prancheiro é como chamamos o pescador que usa uma prancha para colocar a linha no mar. No arremesso, este local não é alcançado, mas com o uso da prancha, o pescador atinge o local. A imagem do post é meramente ilustrativa.