sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O caminho... ser dono da própria sorte pesqueira!

Muitas vezes me perguntei sobre a direção certa para pescar. Esta é a maior dúvida que vive o pescador... para onde ir? Para que direção devemos rumar e assim encontrar o peixe? Devo me contentar com alguma notícia e informação passada por um colega, ou devo correr atrás de minha própria história? Sem dúvidas esta é a grande pergunta que os pescadores se fazem... principalmente aqueles que por uma infelicidade do destino são "maus" escolhedores de lugares para pesca. Não é raro observar alguém pescando em um lugar ruim... isto é fato! Vc passa por um lugar e lá esta o cidadão pescando em um buraco raso, no meio do nada, quando no caminho havia muitos pontos bonitos e promissores. A verdade é que ele sabe de alguma coisa que vc não sabe ou simplesmente é um péssimo pescador. A dúvida pode ser tirada... pergunta! "pescou algum peixe, amigo?"
A surpresa pode ser grande, as vezes o cara achou um buraco de peixe que parece inesgotável, as vezes ele esta matando alevinos, ou pode estar apenas gastando o tempo que ganhou de presente quando deu as costas para a cidade grande. Ninguém nasceu sabendo pescar... mas que uns aprenderam alguma coisa e que outros continuam insistindo no vazio, isto não resta dúvidas. Ultimamente tenho adotado a prática de reflexão que exclui minha forma de pensar que já aprendi muito. Quando a gente pensa que sabe muito, logo deixa de aprender, pois em muitos casos se encerra a porta da novidade. Valos fundos podem ter grandes peixes escondidos... bancos rasos também, buraqueira da beira, idem! Se vamos pro norte ou pro sul... bem, isto é uma questão de intuição, experiência, pensamento pesqueiro! Eu só sei que é muito bom saber que em algum lugar tem peixe e que vc só precisa procurar... Como nesta estrada que termina no mar, de lá, vamos para esquerda ou para direita? A intuição é mais valorosa que qualquer palpite furado. Cria tuas próprias aspirações pesqueiras, elas podem levar vc de encontro com o novo que ninguém presenciou. Podem ser burriquetes, corvinas ou qualquer outro peixe... vc decide! Vc faz a sua sorte...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Corvina, burriquetes e amanhecer no paraíso...

 Vamos lá... Bom, primeiro dia de pescaria, chegamos lá na praia umas 10 hora da manhã. Acorda cedo, coloca as coisas no carro, passa na casa do Wlad pra pegar ele e as tralhas, estrada ruim (RST-101), beira da praia péssima pra rodar de carro, mar alto na linha de trânsito... complicado! Enfim, chegamos e nos colocamos a pescar. Do início ao fim do dia foram poucos peixes... muitos bagres, siris, alguns papaterras, um burriquete e uma corvina pescados. Wlad pescou a corvina e o burriquete... o mar corria forte, não tinha boa lida pra pescaria. Preparamos água para banho, churrasqueira e dormimos cedo pra assumir a pesca as 6 horas da manhã. Durante a noite teve vento forte de rajada, acordei na madrugada e pensei que nem ia ter pescaria no dia seguinte. As 6 horas da manhã, desentoca do barraco e nos deparemos com um ventinho nordeste fraco-moderado. O nascer do sol foi este aí que flagrei pra dividir com vcs. Colocamos as coisas no carro e fomos para o pesqueiro. Arruma tudo e joga a linha na água... o que vai ser?


Primeiro arremesso, primeiro burriquete... pequeno, 2 kg. O dia foi de atividade, muitos papaterras, nenhum bagre! Muitas foram as batidas de burriquete... pesquei 16 burriquetes de 2 e 3 kg. Soltei grande parte... Wlad pescou também uns 4 ou 5 peixes. Perdi uns 3 peixes, talvez 4 peixes, não recordo. Um dos peixes era fora de padrão, bateu no marisco fechado, na buraqueira da beira, peixe pesado sentido na linha. Quando dei linha pq o peixe pediu, oportunizei uma mudança de ângulo do peixe que cuspiu o anzol. Acho que ferrou em um lugar da boca que não permitiu a resistência da mandada. Foi uma burrada... tinha que  trazer na pontinha da unha, contar com este imprevisto. Contudo, de histórias assim é feita a pescaria. E que seja o maior de todos a ser perdido, afinal, história de pescador é história de pescador.  

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Bomba ao mar... é bomba de iscas mesmo!




Na última pescaria que rendeu muita diversão de burriquetes e briga com duas arraias morcego, aconteceu algo que nunca havia acontecido comigo. Acho que o mar trouxe muita diversão pesqueira, mas no meu descuido levou minha bomba de corruptos. Enquanto trazia um burriquete no cuidado e atenção da pescaria, o mar deu uma lambada de onda que desenterrou a bomba de corrupto e ao mesmo tempo levou para dentro do mar. Chupada de bala... deveria ter enterrado melhor. Ovos quebrados não tem conserto, assim como bomba que foi para o fundo do mar. Pensando na próxima pescaria, dei jeito de fabricar como eu gostaria de ter... fui no depósito de restos de obra dos meus pais, encontrei algumas peças, e hoje fui até a ferragem e comprei o restante que faltava. Com os materiais que juntei, fiz dois conceitos de bomba, ambas de 75 mm de diâmetro, porém sistema de puxada diferente, bem como comprimento das bombas. A bomba das duas imagens mais ao alto é para corruptos, crustáceo comum nos mares com areia formada em baixa maré. Em todo Brasil existem algumas espécies, mas aqui no sul apenas duas, até onde me recordo. Sendo bem comum aquele de cor rosada, grande. Embora seja uma grande isca, eu não dou muita importância para esta isca. Prefiro mesmo pescar corvinas, papaterras e burriquetes com marisco, ou até mesmo com tatuíra. Por este motivo, fiz esta outra bomba com perfil mais curtinho, levezinha, apenas para cavar mariscos. A bomba grande é pesada para esta finalidade, além do mais, quando precisar puxar corruptos, ela estará desgastada para este ofício. Prefiro deixar uma para cada uma das atividades. A bomba pequena tem borracha menos apertada, sendo mais leve pelo tamanho e pelo efeito de borracha mais livre, e então o braço direito que já não é mais aquele aguenta legal. Amanhã vou colocar em prática as duas bombas para fins de teste. Note que a bomba de corruptos fiz o topo com um CAP de 75 mm para pressão dágua, e não para esgoto, pois no passado tive uma que usava CAP para esgoto, que na rapidez acabou quebrando. Nenhuma das bombas foi colada, pois desta forma posso remover as peças que forem danificadas. É importante criar produtos de uso com capacidade de recuperação. Peças coladas podem ser perdidas por impossibilidade de trocar apenas o que estiver quebrado. Como não vi nenhuma bomba fabricada nesta configuração, espero que minhas considerações estejam corretas. Vamos ao teste... 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Pescaria de burriquetes...





Antes de falar da aventura de pesca, vou falar das situações que envolveram a aventura. Primeiro, como sempre digo. Um dia de pescaria, mesmo que cheio de peixes, nunca é o mesmo sem a presença de um amigo. Como meu trabalho é de final de semana, fica difícil de ter amigos disponíveis para ir durante a semana. Também faço questão de dizer que removi os bancos do carro, deixando apenas o banco do motorista pq resolvi dormir dentro do carro. Encho um colchão de ar, transformei o carro na minha barraca. E diga-se de passagem... a ideia é muito boa. Tive uma noite de sono de qualidade e logo que acordei saí procurando um lugar para pescar. Não precisei pensar em desmontar barraca, etc. 
A estrada estava muito ruim... a RST-101 que leva a mostardas e a São José do Norte estava péssima. A estrada não estava tão ruim como já vi um dia, mas como ela tem buracos fundos e o asfalto parece bom, o motorista vai na velocidade que indicam as placas e pode acabar com um pneu estourado, no mínimo! Cautela para quem for pescar no litoral que precise desta estrada. Outra preocupação era o acesso a beira da praia, a estrada serraria estava ruim, com água em alguns pontos, mas nada que o fiat uno não passasse. Não havia areia fofa também... mas havia um receio grande na saída junto da praia. Felipe, um pescador amigo, fez menção a dificuldade de sair na praia neste local devido as fortes chuvas e formação de barrancos. Felizmente, já haviam feito uma descida no barranco, precisando de um embalo mínimo para descer. Deste trecho em diante bastava o carro ser conduzido por dentro do córrego. Logo adiante havia como subir de volta para fora do córrego e foi bastante tranquilo. Na praia havia alguns restos de uma embarcação vitimada pelo mar dias atrás, mas a praia estava bastante transitável com o vento norte-nordeste. Outra embarcação era possível ver no trajeto de praia, encalhou dias antes e estava sendo removida e desmontada. Não imagino para que alguém desmonta um barco velho destes... exceto pelo maquinário.
A pescaria começou em pontos diversos, mas sem sucesso, exceto pelos papaterras que era de tamanho razoável. A água turva impedia a captura de mais peixes... demorava um pouquinho para bater. Fui até a região onde Felipe havia capturado burriquetes, mas não encontrei um bom lugar para pescar, tampouco para alcançar o valor de trás. O problema é que o valo da frente era fundo, e o de trás estava distante. Sentando o braço na penn 140 e parede 7 chegava na quebra da onda, mas a linha voltava com muita sujeira no local. Na praia encontrei um pescador velho com quem troquei umas ideias. Disse para ele que procurava por corvinas e burriquetes... então ele fez sugestão. Segui até a região e sem dificuldade cheguei até o valo de trás. Logo no primeiro arremesso, depois de 3 minutos bateu o primeiro peixe. No primeiro dia peguei 5 peixes, no segundo dia pesquei mais 12 ou 13 peixes, me perdi nas contas do segundo dia. Perdi várias batidas, normalmente o caniço apenas balançava e caia pra trás. Por três vezes o caniço mandou ver pra frente, sendo duas destas oportunidades eram arraias com 10 e 15 kg, também foram libertadas. A terceira mandada não parecia ser arraia, acredito que fosse uma corvina grande que não ferrou. O primeiro peixe do segundo dia foi este da foto, que depois de limpo pesou 3.100 gramas. Foi o maior dos peixes capturados na região toda. Saíram peixes em redes, mas todos eram menores, alguns com mais ou menos 1 kg. Os pescadores estavam matando todos... um verdadeiro pecado. Felizmente quem pescava de rede não capturou muitos. Soltei quase todos os peixes pq é necessário ter a consciência de permitir a propagação da espécie. Todos os peixes machos espirravam esperma quando a barriga era levemente comprimida. As fêmeas estavam ovadas também... É uma ótimo sinal para o futuro. Um dos peixes que levei para casa era uma fêmea ovada com ovas jovens ainda, não estava madura. A julgar pelo tamanho das ovas, estes peixes devem ter uns 2 meses de estrada até a reprodução. Peixes férteis em grande quantidade sugerem novas gerações... assim espero. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A miraguaia marisqueira que eu queria ter soltado...

fotografia: Alessandro Zardo
A pescaria faz parte da minha história como mais nada pode ser comparado nesta caminhada. Desde de pequeno, motivado levemente pela família e pela grande paixão que tenho com o mar, pesco! Desde criança eu sonhava com grandes peixes até que através da dedicação eu cheguei até os mesmos. Na trajetória conheci amigos verdadeiros que tinha mesmo objetivo, e eles se tornaram uma porção da minha família. Dos sonhos nunca desisti, mas na atual condição e com as mudanças dos comportamentos (inclusive meus) descobri outros sentimentos que certamente mudaram minha vida para sempre, como pessoa e profissional. Persegui este peixe e seus semelhantes com uma grande vontade que me permitiu o êxito, mas eu jamais deveria sentir o que descrevo hoje com tristeza. Eu jamais deveria ter tirado este peixe da água. A quase 10 anos atrás eu pensava diferente. Eu não colocarei a culpa na minha ignorância. Também não vou culpar meus amigos que o fazem ou fizeram. Esta decisão é pessoal, intransferível! Durante muito tempo e persegui um peixe... eu entrei na água, me arrisquei. Posso dizer que me arrisquei demais por este peixe... arrisquei a vida pra tirar este peixe dágua. Eu me arrisquei inúmeras vezes por isto. Por muito tempo tive orgulho desta foto, hoje, tenho lembranças de bons tempos, mas tristeza por um feito que poderia ter sido diferente. Eu poderia ter devolvido o peixe ao mar... eu podia ter devolvido ele a sua casa e ter ficado apenas com as lembranças. Eu queria apenas a lembrança... não quero a culpa pelo que um dia eu fiz. Desabafar aqui é uma tentativa de alívio... Eu vou pescar de novo, mas se eu pegar um peixe assim, farei tudo para que ele volte para a água.