terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Peixe pingado... peixe bom!

Muitas vezes a gente vai atrás do peixe e volta de mãos vazias... é fato, realidade de pescador. Algumas vezes a gente é contemplado com algum peixe bom. Arriscar é parte deste jogo.  O amigo Alessandro pegou esta corvina que pesamos e bateu em 7 kg. Era um peixe comprido, era um peixe bastante forte. Na batida, apenas uma pequena afrouxada de linha. Ele perguntou pra mim se o caniço estava batido... olhei, olhei, estiquei a linha, e nada. Disse: "acho que não bateu, mas está estranho!" Pensei que algum peixe tivesse batido e cuspido o anzol, mas estiquei a linha novamente, e fui tratar da minha pescaria. Quando olhei de novo para o caniço, a linha embarrigada encostava no chão. Corri, estiquei a linha, e nada... coisa mais estranha! 
Na praia, Ales disse: "Não bateu mesmo?" Respondi: "Cara, acho que esta batido, mas esta quieto... o peixe tá dormindo no anzol!" Começou a recolher... até que ele percebeu umas cabeçadas na linha. Recolheu um peixe até o valo da beira... foi então que o peixe acordou e brigou muito na beira. Foi uma das corvinas maiores e mais estranhas que pude presenciar em captura. Para Alessandro foi uma boa pescaria, embora de único peixe. Poucos papaterras, duas arraias e mais nada pra lembrar... exceto a parceria, amizade de sempre, que a gente cultiva na beira da praia entre um arremesso e outro. Coisa de pescador...

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pega a estrada da pescaria e volta de mãos vazias...


Muitas vezes... incontáveis vezes fui pescar e não peguei nada. Isto é difícil para um pescador mal acostumado. Nesta temporada fui pescar 4 vezes, apenas. Em três pescarias fiz um escore alto... foram 33 burriquetes, 10 corvinas, e 2 arraias. Obviamente, muitos destes peixes voltaram para a água, mas isto é uma realidade de poucos pescadores. Tanto para soltura como para tantas capturas, felizmente, estou aprendendo a ler o mar... Não adianta fincar calão na areia e esquecer. Em lugar que o peixe não esta, vc não vai encontrar muitas ações. Isto tenho dito aos amigos... insistência para pegar peixe em lugar do marasmo é garantia de frustração. O peixe não bate, levanta acampamento e troca de lugar. Na pescaria em que não peguei nada, outros dois amigos também não pegaram nada... e um terceiro pegou uma corvina boa, apenas. Naquele momento, deveríamos ter deitado "cabelo" pra baixo... 10 km, que fosse. Contudo, voltamos contra a corrente dos últimos dias... erramos. Pegar a estrada da pescaria é incerteza do resultado... pode ser que apareça o pescado, pode ser que não. Arriscar é preciso, histórias vão ficar, mas na ausência do peixe... trocar de lugar é preciso!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Pescaria de corvinas... amém!

Imagem de uma corvina com aproximadamente 4 kg
Alguns amigos estavam curiosos sobre esta semana... quem pesca no mar no mês de dezembro, sabe muito bem que é um ótimo mês para pesca de algumas espécies. A corvina Micropogonias furnieri  (Desmarest, 1823) é pescada e vista por aqui nos meses de primavera e verão, ocasionalmente fora de época também. A corvina é um peixe cobiçado pela pesca de beira de praia pela diversão oferecida no combate. Não se assemelha um burriquete em fôlego, mas o estilo do peixe é muito parecido, embora menos intenso no combate. É comum presenciar diferença de coloração do prateado limpo e/ou com tons dourado, amarelo e até mesmo rosado, metalizados. Eventualmente se captura algumas com manchas pretas chamadas vulgarmente de petrolheiras. Alguma pessoas dizem que esta variante é ligada ao habitat, mas não encontrei nada científico sobre isto, parecendo ser pura imaginação destes que insistem em afirmar a relação de cor com hábitos alimentícios. 
Eu e um amigo resolvemos escapar no meio da semana para investir numa suposta aparição em massa de corvinas. Escolhemos um lugar longe de cabos de redes, vilas e pescadores amadores, e começamos. Pela manhã pescamos 12 exemplares com peso de aproximadamente 3 a 5 kg. A tarde capturamos mais 6 peixes. Os peixes da tarde eram um pouco maiores, onde certamente estavam com peso de 4,5 a 5,5 kg. Alguns peixes foram abatidos para consumo próprio, outros libertados. Os peixes reagiram as iscas de peixe-rei, marisco e tatuíras. Não conseguimos corruptos e percebemos que não era necessário devido a forte resposta dos peixes ao marisco. 
A pescaria de corvinas é muito divertida quando o cardume é localizado. Perde-se algumas batidas, mas de maneira geral o peixe fica muito bem ferrado pq a primeira mandada é forte. Muitas vezes, dependendo da área de arremesso e localização onde o peixe esta se alimentando, ele bate ao contrário, afrouxando a linha. Isto deve ser acompanhado atentamente pelo pescador, pois linha frouxa é pedida para anzol desengatar. É muito comum ver pescadores perdendo peixes quando a linha não é mantida esticada. 
O dia foi muito divertido... dia de pescaria com muitas ações é garantia extra para um bom dia, mas a outra parte da pescaria certamente é a amizade. Pescar sozinho é muito bom... mas pescar com um amigo é melhor ainda. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A próxima pescaria...


Taí... chegou fim de ano. A poeira começa abaixar, no segmento da bicicleta, onde atuo fortemente, as atividades estão encerradas para este ano. Isto se traduz em oportunidade para pescaria. Organizar as ideais, administrar os outros trabalhos da semana, e então partir pra uma nova aventura. Que seja inesquecível... como muitas que já vivi. Estou acompanhando a previsão a meses, para uma boa leitura dos mares. Muitos acham que isto é bobagem, mas seria apenas sorte o que vivi nas duas últimas pescarias? Será que a experiência e atenção sobre as fases do mar, movimentações, etc não correspondam aos acertos? Bem, já que não posso ir tantas vezes como eu gostaria, que sejam boas oportunidades. Quantas vezes pesco por ano... 4 ou 6 vezes. Pouco... mas eu tenho me divertido muito mais do que pessoas que vão todos os finais de semana. Eu acerto a data... eu acerto o lugar do peixe. Eu me divirto e planejo sempre a próxima pescaria. Aproveitando a oportunidade... "diga não as redes e a pesca industrial!" A escassez de pescado é responsabilidade do estado, que simplesmente esquece ou não cumpre o papel de fiscalizador. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ferros ao mar... casa de peixe!

fotografia executada em 2007
A imagem ao lado é o que restou da proa de um navio grego chamado de Mount Athos. O gigante encalhou no final da década de 60 (março de 1967), deixando sua carreira de cargueiro de lado. No interior havia adubo... e por ali encerrou sua história de navegação. Os restos deste, e de outros gigantes, se encontra no mesmo lugar que um dia foi abandonado. As histórias são parecidas, barco encalhado, barco a deriva por problemas mecânicos de leme ou motor. O mar bravo da costa gaúcha se encarrega de jogar as embarcações contra a margem. Uma vez de encontro a ela... dali raramente são retirados pelo custo e dificuldade. Infelizmente para seus proprietários, mas felizmente para os peixes e para os pescadores, estes gigantes de ferro transformam-se em "residências" de peixes variados. Garoupas e outras espécies desfrutam destes locais permanentemente... outras como corvinas e burriquetes, também miraguaias, passam por eles e fazem pausa para alimentação. Especula-se que algumas espécies utilizam estes até mesmo para reprodução, mas é informação imprecisa. A verdade é que se percebe grande quantidade de alimento junto destes naufrágios, mexilhões, caramujos, caranguejos, pequenos crustáceos, siris usam estes recifes artificiais para abrigar-se e fixar-se. Tais seres vivos atraem grandes quantidades de peixes passageiros. 
Por volta do ano 2000, pescava com meu pai ao redor deste navio com mar baixo de nordeste, quando ele perguntou pra mim. "Tu tá jogando a linha tão pertinho... vai trancar!" 
O lugar de pesca era a apenas 5 metros da areia seca... ao lado do navio, por toda extensão, havia uma valeta escura que denunciava profundidade incomum. Cheguei pertinho com o caniço e praticamente deixei a chumbada escorregar o barranco dentro dágua até que chegasse ao fundo. A profundidade era de mais ou menos 2 metros, água gelada e turva. Caminhei de volta até o calão descanso do caniço e estiquei a linha para acompanhar a ação de algum peixe. Nestes lugares a quantidade de peixes pequenos e siris é tão grande que se recomenda recolocar a isca a cada 5 minutos. Era uma ação de pequeninos atrás da outra... corvininhas com um palmo que obviamente voltavam para a água. Em uma das vezes, recoloquei a isca ao lado do navio como na primeira oportunidade. Percebi que naquele momento não havia ação de peixes pequenos... estranhei e até pensei que estivesse para dentro do casco do navio, em algum lugar que os peixes não acessavam. Foi então que vi uma pequena tremida na ponta da vara que me deixou tranquilo de que estaria pescando. Enquanto pescava, ajoelhei-me para desenterrar um marisco ou tatuíras. Então como o canto de olho percebi que algo balançou firme e diferente. Olhei para cima e vi o caniço envergado com a ponta para o navio. Corri para o caniço e senti o peso do peixe. Em seguida o retirei da água... era uma corvina de aproximadamente 3 kg. Meu pai ficou muito surpreso de que houvesse um peixe assim tão na beira da praia. E eu disse... navios são mágicos! Nos navios vc pode acreditar que nos cantos mais desmerecidos pode haver peixe de bom tamanho. Navios são casas para peixes... esta foi uma história que jamais esqueci, de verdade, nem mesmo eu acreditava que poderia haver peixe tão perto do seco. Bastou uma valeta de 2 metros de largura por 2 metros de profundidade para uma corvina encontrar o caminho da refeição. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O mar e as histórias... e os pilares de Deus


Quando erámos crianças, eu, o amigo Rodrigo, e meu irmão Guilherme, costumávamos pescar distante de casa acreditando em algo que hoje descrevo como fé pesqueira. Tinha um lugar na beira da praia que a gente acreditava ser diferente do que se formava em frente a nossas casas... neste lugar era comum pescar bons papaterras. A gente pescava uns grandes, alguns que hoje imagino girar em torno de 700-1000 gramas. Acreditava e pescava peixes maiores... Eu lembro que a gente colocava uma expectativa sobre as pescarias! Ouvíamos e criávamos mitos sobre pesca. Enquanto éramos crianças vivíamos ali sob o olhar dos pais, e pescávamos somente por ali no "bairro" da praia. Algumas vezes eu ia com meu pai longe pela praia, com o carro, uns 20-30 km de distância. Naquele tempo parecia muito, hoje é comum eu nem ir pescar nestes lugares porque eles já estão povoados. Muito tempo depois de tirar carteira de habilitação, um amigo havia me contado sobre um lugar que tentaram construir uma plataforma de pesca. Achei que ele estava inventando a história... Um dia resolvi ir do Quintão até o Balneário Mostardense para ver como era a praia neste trajeto. Então fui... sozinho, rumo ao horizonte de estrada de areia paralela ao mar. A praia estava boa para andar de carro... e o fiat uno é um tipinho que vai mesmo, e o melhor de tudo, gasta pouco e custa pouco! Então eu passei por naufrágios, embarcações abandonadas e consumidas pelo mar, vilarejos de pescadores, faróis e estes pilares que batizei de pilares de Deus. Olhando os pilares parece que eles mostram o caminho de algo. Sabe lá o que isto quer dizer, mas eu achei muito interessante, e sendo em uma região tão remota, certamente poderia ser uma grande pescaria. Passei por este lugar umas 4 ou 5 vezes na minha vida. Nunca pesquei em frente, ou por falta de buraco aparente, ou por ser apenas passagem no dia, mas é um lugar que eu fiquei pensando ser digno de lendas. E os velhos da época devem ter muita história para contar desta região que por muito tempo foi apontado como região de tubarões e violas. Hoje estes peixes estão quase esgotados, mas em tempos passados, deveria ser uma barbada fazer pescaria na região. Nascem histórias "contadas" por um avô, pai, tio... são histórias do mar.