sábado, 20 de dezembro de 2014

Siri

Siri pardinho... nosso belo crustáceo dos mares é uma refeição cobiçada pela miraguaia. Entre ele e o azul, fico com o pardinho. O pardo é mais "calmo", menos perigoso aos dedos. Quando esta na fase de casco mole, dá uma baita isca para corvinas também. Aliás, vc já viu um siri de casco mole? É difícil de encontrar, mas é mudança de tamanho de casa para nosso amigo siri... passagem obrigatória. Normalmente ele está bem escondido... por isto a gente não costuma ver ele nesta condição. 
Diferente do siri azul, o máximo que vc vai ver é um siri pardo próximo de uma barra. Água doce não é com este cara aí... o siri azul consegue inclusive viver na água doce, já este cara fica só no mar. Talvez isto explique a fragilidade dele para aumento de temperatura, pois o mar é muito mais estável. O oxigênio dissolvido é menos presente em águas de temperatura elevada, como águas de barra e lagunas.O siri azul aguenta muito bem a elevada temperatura de barras paradas e lagunas com pouca água. Aliás, certa vez capturamos vários siris, quase todos eram pardos, um apenas era azul. Colocamos na parte de baixo da geladeira para não estragarem, para se manterem vivos. No dia seguinte, apenas um estava vivo e brabo... era um azul e parecia que estava mais disposto do que quando o capturamos. Os crustáceos dos mares do sul se dão muito bem com temperaturas baixas... o que eles não gostam é de calor e de miraguaias.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Um dia... o farol será um pesqueiro promissor!


Achei relevante a informação sobre o farol caído... assim justifico nova postagem.


De acordo com estudo que encontrei na rede, de Elaine Siqueira Goulart, a região do farol caído, nos anos de 1998 a 2000, teve uma redução de praia de 3,6 metros por ano. Os anos seguintes não constam no estudo que li, mas confirma o que pensei sobre a praia em questão... anos atrás, fiz fotos do farol caído ainda fora dágua, hoje ele já se encontra dentro dágua de forma permanente. Em alguns anos, ele estará completamente no valo. Dentro de alguns anos, o farol caído será um bom pesqueiro. Por hora é apenas história...


http://www.praia.log.furg.br/Publicacoes/2010/2010l.pdf

Um gigante de ferro pra alimentar o mar... Mount Athos

Foto: Marcel Araújo, 2010.
Fuçando no arquivo, encontrei esta foto tirada por um amigo. Eu pescava pequenas corvinas no interior do navio. Não era um momento legal para pesar dentro dele. Certa vez, bem ali onde estou com os pés, havia um poço fundo, com mais de 2 metros. Naquela oportunidade fisguei uma corvina de 3 kg ao lado do casco. Em algumas raras vezes pescamos corvinas ao lado deste gigante. É preciso encontrar a condição certa, mas as histórias são muitas, de corvinas, burriquetes e até garoupas. 
O Mount Athos foi um navio grego, com mais 160 metros de comprimento. Ao que parece, este naufrágio aconteceu 1967. Os restos do navio são vistos até os dias de hoje, entre a praia do Bacopari e o Farol da Solidão. Para quem sai da praia do Bacopari (se o acesso estiver transitável), basta pegar a praia em direção sul, por cerca de 2 km, se tanto.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Siri azul...




Durante a passada pela barra do estreito, retiramos o material do carro e fomos pescar... não havia peixe na região. Não batia um papaterra... havia apenas pequeninos comedores de isca, pois os anzóis voltavam limpos depois de alguns minutos. Caminhamos em direção a barra e foi possível perceber que na barra transitavam muitos siris, como este das fotos. Pedi pro Marcio capturar um, pois queria fazer as imagens. Este siri é um "vivente" muito feroz... é arriscado pegar o bichinho, mas no fim deu certo. Fiz as imagens e devolvemos a liberdade para o pequeno animal. Na barra desciam muitos destes... havia pássaros também. Para quem quiser saber a condição da barra neste momento, não passa de carro na saída com o mar. É muita água... de caminhonete passa, mas de uno não dá. E no caminho da direita (saída sul), não passa sem atolar. Tem que ser de 4x4.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Onde andam as corvinas? Um peixe apenas...



  Pescamos no Estreito, no Bujuru... nada, nenhuma notícia de peixe na região do litoral central. Nem mesmo os papaterras se apresentaram. De mãos vazias e acreditando que o problema era na região, também seguindo pistas, pescamos na região do Farol da Solidão até Dunas Altas. Foi decepcionante... encontramos bons locais para pesca, de beira a valo de fora, mas nada. Próximo do Farol da Solidão, Marcio capturou esta corvina que ele ergue, com peso de 4,5 kg. Ele pescou este peixe de arremesso, na primeira linhada da tarde, o que nos deixou motivados, mas no resto da tarde mais nada se apresentou. A pescaria de 4 dias, mal sucedida, nos deixou com muitas dúvidas. Há iscas de sobra em todo litoral, mas não há peixes. Ou apenas os peixes não tenham chegado... ou a pesca industrial chegou muito antes? Se há ou não resposta para isto... bem, por hora o que importa é que o resultado é desanimador. Não há notícias de peixes de Torres ao Chuí, exceto por algumas capturas isoladas e da insistência. Os grandes cardumes foram dizimados? Mês de dezembro sem corvinas é mal sinal... se em dezembro não há peixe, quando haverá? Onde estão as corvinas? Esperamos que a próxima investida não seja tão fraca. 

Texto e fotos: Roberto Furtado

sábado, 6 de dezembro de 2014

Os arenitos do Farol Conceição... mais um pouco!





Os arenitos e farol caído formam um cenário diferente na região do litoral central do Rio Grande do Sul. Longe da capital Porto Alegre e de difícil acesso, a região do Farol Caído é um local diferente no litoral brasileiro. Muitas pessoas tentam conhecer a região pelas histórias que cercam o local, pelo cenário e até mesmo pela dificuldade para chegar. Houve algumas vezes que não foi possível chegar neste lugar, pois a faixa de areia entre as duas e o mar praticamente inexistia. As opções não eram muitas, então era comum ver visitantes retornando sem olhar para este cenário, mas nesta última sexta feira, depois de agitado, o mar recuou e denunciou uma praia transitável e mostrou bem os arenitos. Os arenitos são vistos somente nesta região. A formação é frágil, embora esteja presente no local há cerca de muitos anos. As modificações na costa, conhecidas nesta região do Brasil, estão descobrindo as estruturas que antes era "tapadas" por areia... o mar faz o restante do trabalho, lapidando e mostrando esta obra prima natural. Para visitar a região é preciso ir até o vilarejo do Bujuru, acessar a "estrada do CTG" e sair na beira da praia num lugar conhecido como "João da Praia", lá, se as condições marítimas e climáticas estiverem boas, até mesmo veículos normais trafegam sem problemas. Pegando a praia a direita saindo pelo João da praia, ruma-se ao sul por cerca de 8 km. É importante que o motorista ou guia seja experiente, pois esta beira de praia tem suas pegadinhas. Carros já foram perdidos na região, há também lendas de pessoas desaparecidas, embora ninguém confirme isto oficialmente. 


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Final de semana com mar de cinema...

Nascer do sol no Centro de Capão da Canoa, RS, 2014.
Este final de semana trabalhei na praia... embora tenha tido a chance de ver o sol nascer e também ver o mar a tarde, não pude pescar. Contudo, imaginava que os amigos da pescaria estivessem prontos para me dar grandes notícias. Em Tramandaí saíram algumas corvinas na barra, como era de se esperar. Em Mostardas as ações foram bem mais modestas... ouvi falar que alguém acertou a mão com corvinas por volta de São Simão, mas são informações muito sem detalhamento. Em Mostardas saíram arraias morcegos... em Capão vi apenas papaterras de porte pequeno. Embora fosse um final de semana com mar de cinema, pouco vento, água na cor certa, não foram grandes as notícias de pescaria. Mesmo assim, fiz esta postagem para informar o que fiquei sabendo... já que estamos em temporada de pesca. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Pega a estrada que for pra pescar... o local da pesca!

Estrada Granja Vargas - Dunas Altas, 2014.

Nascer do sol em Dunas Altas, Farol Berta, 2014.

Recebo algumas mensagens por email perguntando sobre os locais. Não existe segredo sobre os locais de pescaria. Todos eles ótimos se vc estiver na hora e dia certo. Na semana passada fui pescar nas imediações de mostardas, peguei aquele único burriquete e 8 papaterras. Enquanto eu estava lá, nas imediações de Pinhal e Quintão se pescava muitas corvinas. Em Torres, duas semanas atrás, saíram muitas corvinas. Tem saído direto corvinas nas Plataformas de Atlântida, Tramandaí e Cidreira. Muitas pessoas sabem que a pescaria no RS é mais produtiva em locais de difícil acesso. Junto com isto surgem algumas prerrogativas ligadas a dificuldade. Se me perguntasse aonde eu gostaria de pescar, diria que lá pros lados do Farol do Albardão... mas aqui deve ficar uns 400 km da minha casa, então fica meio fora de mão. O litoral central e norte são os que costumo ir, justamente pela distância. O grau de envolvimento e mão de obra para ir pescar longe de casa aumenta na medida em que vc se distancia e fica mais dias fora de casa. Esta é a pergunta que o pescador deve fazer... quantos dias pode pescar e se envolver com a pesca. No meu caso, geralmente são dois dias, então a distância fica limitada até 200-250 km. Apenas um referência para compreender quanto tempo vc se envolve com pescaria e quanto tempo efetivamente pesca. 
Outra questão é pescar durante o veraneio... todo mundo sabe que pescaria em temporada de férias fica impraticável nas praias populosas. O peixe some com o movimento e/ou é proibido pescar onde é área de banho. Agora, até fim de novembro é uma época especial pra pescar nas praias badaladas, pq depois de dezembro não dá mais! Aí o pescador tem que deitar o cabelo pra locais tranquilos... tais como a região mais ao sul de Torres, ou ao norte da plataforma de cidreira, ou outros entre meios de balneários. 
Pesquei muito entre quintão e magistério, também em Dunas Altas, pois eram locais próximos do Pinhal, onde eu tinha base. No Pinhal, as vezes, eu e meu amigo Rodrigo, pescávamos corvinas, arraias e bons papaterras. Hoje, acho difícil de ver isto nos meses de janeiro e fevereiro no Pinhal. E Pinhal é um dos melhores locais pra se pescar... mas evidente que a grande quantidade de banhistas afugenta o peixe. 
Se o pescador quer se divertir e arriscar um peixe bom, não tem como escapar... precisa pegar o carro e andar muitos km. É a alma do negócio da diversão na atualidade.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Relatos ou boatos sobre um grande cardume de corvinas na costa do RS?

Imagem meramente ilustrativa.
Neste último final de semana recebi algumas informações sobre cardumes de corvinas em vários km de distância na costa do RS. Procuramos corvinas nas imediações de Mostardas, mas não achamos nem mesmo uma... no entanto, quem foi pescar em Pinhal, Magistério ou Quintão, pode ter sido um dos sortudos que deu de cara com um grande cardume de corvinas. Os relatos são de capturas de 5, 8, 20 peixes por um único pescador. Resolvi investigar para ver se era verdade... hoje, peguei o carro e fui até o litoral, precisamente Quintão e desci até próximo do farol da Solidão. E diga-se de passagem... pensa num filme de terror que estava a beira de praia, cheia de sujeira, muitas barras abertas com degraus de areia com até 50 cm de altura. O mar lavava, parecia uma ressaca de nordeste... Anda muito na beira, arrisca a ensopar o carro no mar, se anda pra cima na praia, arrisca saltar um barranco de areia. Tava complicado... mas foi bom para testar o uno com pneus maiores. Troquei as rodas... a medida dos pneus originais era de 175 70 13R, agora passou pra 185 70 14R. Esta é a maior medida que entra no Mille Fire Way. No Mille fire comum não entra esta medida...
Bom, sobre as corvinas. Conversei com diversos residentes da região, pescadores de rede de espera (cabo). Todos eles confirmam que um grande cardume passou nestas praias, pq eles realmente viram ou capturaram tais peixes. Esperei a remoção de algumas redes e mesmo com aquele mar estava saind peixes com tamanhos variados, onde os menores tinham 1,5 kg e os maiores em torno de 5 kg. As corvinas estão na região... estão bem misturadas entre grandes e pequenas, mas estão aí. Vai dar diversão para quem conseguir ir nas próximas calmarias. Agora, é só esperar o mar "marolar". Vai no terceiro dia de mar baixo que vai dar certo... eu já tô esperando! 

domingo, 26 de outubro de 2014

Burriquete... pequeno, mas valente!

Pogonias cromis - Com 67 cm de medida total, 2014. Foto: Roberto Furtado

Pogonias cromis - Litoral do RS, 2014. Foto: Roberto Furtado

foto: Wladmyr Marredo
Alguma notícia de corvinas e resolvemos ir mais cedo atrás do peixe neste 2014. Já não pescava mais em outubro, pq prefiro acertar do que lidar com loteria. Contudo, havia notícias... dava pra arriscar. Recebi informações de corvinas sendo capturadas em Torres, Tramandaí, Mostardas, Rio Grande... então acreditei que o peixe estaria na volta. Meu receio é que estivesse como no ano passado, pois havia grande quantidade de corvina ano passado, mas elas não entravam pra beira de praia. A industria pesqueira capturava aos milhões e o pescador de beira de praia lidava com "gorjetas" quando era premiado. Mesmo assim, no ano passado fizemos uma bela pescaria, eu e Wladmyr. Este ano, espero que seja igual, mas já começamos nossa investida e pescamos apenas 13 papa-terras e 3 bagres pequenos. De quebra fisguei este burriquete que não pesei, mas acredito estar entre 3-4 kg. Eu não tenho este noção e nem empolgação que muitos colocam sobre o peso do peixe. A foto esta aí pra mostrar, tire suas conclusões... e como diz meu amigo Alessandro: "Isto é de menos... o importante é pescar!".
O peixe bateu no corrupto revestido com cascas de marisco, em um chicote com dois anzóis, sendo um deles com marisco descascado e outro com o corrupto. O peixe mal apresentou um momento para identificar a ação no caniço. Pegou um pouquinho de pressão e fez uma oscilação que poderia ser confundida com os demais "saculejos" das ondas sobre a linha com sujeiras. Havia muita sujeira no mar, tais como restos de capins provenientes das inúmeras barras abertas. O peixe afrouxou a linha quando coloquei as mãos no caniço. Dei alguns passos para trás e recolhi a linha e senti que firmou. Logo vieram as mandadas e cabeçadas. Eu achei de início que era uma corvina muito boa, pq parecia um peixe pesado. Então no festival de mandadas e ágeis corridas, imaginei que era um burriquete. Na beira foi se confirmando o peixe pelas aparições. Foi nas primeiras horas da manhã, depois não teve nem sinal de peixe. Tudo que saiu, foi na manhã! Embora a água estive gelada, turva na medida e o mar "marolando", o peixe não deu as caras. Era para ter muito mais ações... quando eu vi o mar achei que nós teríamos um grande dia. Ainda assim foi um grande dia de pescaria... com direito a muita baboseira e fé pesqueira. Agora, aguardamos a próxima... 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Finalizando peixe grande - muita atenção!

Bacopari, 2006.
Este é o assunto que todo mundo acha que é fácil de resolver e que em muitos casos que presenciei vi problemas... Não é fácil finalizar o peixe de grande porte. Quando o peixe não pode mais ser puxado pra fora dágua com a linha, já entra no assunto de "finalização de grande peixe". Muitos são os pescadores que utilizam dois ou mais anzóis e neste caso é que reside um dos problemas. Se tratando de segurança nós sabemos que anzol é um equipamento que deve ser manipulado com cuidado. Iscado ou não, o anzol é risco iminente para quem se aproxima dele. Quem pesca com um anzol só pode pular esta parte do anzol, mas eu acho que vale a reflexão a respeito do tema pq pode evitar acidentes. Evitar acidentes com anzóis é de grande valor, pois muitos dos lugares de boa pescaria também não possuem recursos médicos. Escrevi este texto simples para que as pessoas pensem a respeito, faço sugestão de como reduzir estes problemas da pescaria, mas muitas soluções virão das suas reflexões que cercam seu modo de pescar. 

Anzol e Peixe
Não há o que fazer para proteger vc e seus colegas de um anzol afiado, pois anzol sem ponta não é interessante, contudo o entorno da questão pode ser melhorado. Primeira questão é entender a cumplicidade entre o pescador que esta no controle da carretilha ou molinete no ato de recolher a linha e o parceiro que vai entrar na água para pegar o peixe. Não é possível controlar perfeitamente o peixe para que ele não corra quando o finalizador entrar na água, mas vc sabe o que não pode fazer e ajudar na orientação do colega. É importante este sincronismo... O parceiro até pode guiar-se pela linha, mas jamais deve segura-lá, sob risco de machucar-se ou romper a mesma que garante a captura. Fazer o raio de pesca na finalização é uma alternativa... por exemplo, mar correndo de nordeste e o pescador não acompanha totalmente o peixe. Com tal situação o peixe ficará adiantado em relação ao pescador... a linha formará um ângulo com a praia. Isto reduz muitos casos de estouro de linha, primeiro pq temos mais linha para esticar, e depois pq temos uma liberdade um pouco maior do peixe para correr de volta ao mar. Esta alternativa é muito boa para cansar o peixe, mas o pescador deve manter o recolhimento na medida em que o peixe se cansa. A finalização é um processo natural... quanto mais cansado, maior a chance do peixe sair. Se o peixe esta em um lugar que ele não sai sozinho, tente conduzir para um local que ofereça esta condição. Use a corrente! Se ele sair sozinho da água, o risco de acidentes cai para quase zero, especialmente nestes casos de pesca com dois ou mais anzóis. Se o peixe é grande, muitas vezes ele não sai mesmo... corvinas e outros peixes com até 10 kg são tranquilos de finalizar sozinho, mas acima disto fica complicado. Quando o peixe é grande mesmo, mesmo cansado ele fica naquele vai e vem da corrente e se o lugar é fundo e agitado, mesmo na beira, pode ser muito difícil para retirar sozinho. Se o local é raso e afunda gradativamente vc pode até ensaiar a remoção, mas se possui buracos fundos, pode estar em uma situação arriscada de correnteza, caniço na mão e peixe passeando com um anzol extra bem a sua volta. Se a situação pede o coleguismo... então o finalizador entra observando a linha e se houver arranque superior a 0,60mm, esta pode ser a alternativa para sacar o peixe dágua sem riscos. Se o peixe ainda for grande demais para isto, ou se não houver arranque próximo do empate, então o finalizador terá que entrar na água para "grudar" o peixe. É importante saber a espécie... pelos motivos que explico mais adiante neste texto. E ser experiente neste momento faz a diferença, mas experiência é algo que surge com o tempo e ninguém nasce experiente. Em alguns casos já finalizei sozinho peixes bem grandes, mas por este motivo eu mantenho o empate bem forte, pois é nele que confio a finalização. Quando a linha é 0,80mm, vc segura a mesma girando-a em torno da mão para firmar. Não faça isto enrolando no dedo, pois peixes pesados e fortes podem até lhe quebrar um dedo assim. 
Pra finalizar o peixe não é preciso dizer que ele deve estar cansado... peixe cansado diminui a possibilidade de uma corrida repentina. Além do mais, enquanto o peixe possuir forças é válido aproveitar este momento. Oportunizar a remoção imediata do peixe que esta ainda vigoroso, pode acarretar na perda. Primeiro pq vc vai precisar fazer mais tensão na linha e depois pq ele se mexe de forma mais intensa... intensidade na beira da praia aumenta o risco de desengate do anzol da boca do peixe. Se for peixe de escama, ao virar de barriga pra cima vc perceberá que ele tende a se acalmar. Peixe que se debate menos oferece menos risco. Se for peixe de escama como corvina, miraguaia e outros cuja as brânquias não possuem cortantes, a melhor coisa é grudar o peixe firmemente por elas. Se vc pretende soltar o peixe, jamais pegue-o pelas brânquias, pois causará uma lesão nas mesmas e elas são vitais ao animal. Para casos de soltura, a alternativa é o passaguá (aquela rede com cabo que tem outros nomes também). O problema do passaguá é a possibilidade de enrosco com anzóis e chumbada, mas se vc não tiver pressa de resolver isto, esta é a alternativa mais segura. Infelizmente não há uma melhor forma que sirva para todos os casos... pois arraias grandes, a exemplo, geralmente não cabem em passaguá e quando cabem acabam enroscando o esporão na rede. Por isto é importante o pescador saber com qual peixe esta lidando... pq cada um terá uma finalização. Arraias grandes costumam dar muito trabalho quando chegam na beira da praia e o pescador já esta cansado da briga. Isto requer muita atenção... e a melhor alternativa é finalizar no encalhe, mesmo que demore. Manter o peixe próximo da praia é uma alternativa para cansar o mesmo... se vc estiver atento as ondas e correntes, pode usar as mesmas para finalizar o peixe. Quando o peixe estiver próximo da finalização, force-o a pegar a onda. Ele virá com a água, mas no retorno da água vc tensiona a linha sem desafiar o limite da mesma. O peixe deve ficar no seco ou quase... para arraias e violas esta é a melhor alternativa. É relevante destacar que várias espécies estão ameaçadas de extinção e/ou proibidas. Tudo bem que vc não consiga escolher o peixe que vai pegar no anzol, mas vc pode finalizar o peixe com integridade para soltura. As violas, de maneira geral, podem ser finalizadas quase da mesma forma que arraias. A diferença é que se vc pisar no bico da viola ela ficará mais fácil de controlar e remover o anzol com maior segurança. As arraias contam com o esporão (a maior parte delas) e a melhor alternativa é puxar para longe dágua por meio das narinas superiores. Fique atento ao esporão, pois ela tem boa mobilidade da cauda... e fará o possível para usar em sua própria defesa. As arraias podem ser viradas de barriga pra cima, pois assim vc visualiza o anzol e o esporão fica menos "perigoso". Peixes com esporão, tais como arraias e bagres grandes são sempre um problema na finalização. O poder de penetração destas defesas é realmente grande sobre a pele humana e o problema será grande se ocorrer o acidente. Muitas vezes a pescaria acaba ali... então todo cuidado é importante. Tem acidentados com esporão de peixes que levam meses para resolver os problemas destas feridas, portanto quem tiver este tipo de problema deve procurar um atendimento médico. 
Em todos os casos, o pior problema da finalização é o anzol, mas esta questão do esporão de alguns peixes é realmente preocupante e sem a devida atenção dos pescadores... e de fato, resulta em muitos acidentes. Não há regras de como fazer uma finalização, mas vc pode fugir dos problemas relatados por colegas ou experiências anteriores. Há formas diferentes para fugir de imprevistos ou para finalizar grandes peixes, mas o que importa é a sua reflexão sobre isto. Isto é que evita o acidente!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Notícias... as corvinas estão voltando!

Um amigo me contou que os barcos pesqueiros estão descarregando corvinas em SC e aqui no RS. De acordo com a fonte, segura, os peixes são de boa qualidade e tamanho. Corvinas de 4 a 6 kg, algumas maiores. Soube de boatos também em Torres e Tramandaí... em Torres elas saíram nos molhes e em Tramandaí saíram na barra. Outro amigo que não quer se identificar, explica que este ano e os seguintes devem melhorar para pescadores de beira de praia. Segundo ele, os próximos anos serão mais produtivos para pescadores amadores pq a pressão de pesca deve diminuir neste tipo de peixe devido a novas exigências da regulação da pesca. Esta mudança ocorreu a cerca de 3 anos, agora em vigor começa a gerar esperança aos pescadores de beira de praia. Na temporada de 2013 ouviu-se vários relatos referentes a pesca de cardumes de corvinas e de burriquetes, e atribuiu-se isto ao estas novas regulamentações para pesca industrial. Quando a pressão alivia, o peixe tem mais chance... quando tem chance, mais exemplares conseguem perfazer o ciclo e o resultado é este aí. Nos próximos anos, se a pressão de pesca aliviar, a pesca industrial dos cardumes de escama deve colher frutos, e a sobra para os pescadores de praia deve aumentar. E deve aumentar inclusive o tamanho dos peixes capturados, como arrisco estar já acontecendo nesta temporada. Ainda não vi os peixes de agora, mas este ano vou atrás da minha corvina gigante. Lembro que ano passado vi uma corvina grande, conforme o relato que fiz na temporada 2013-2014... a corvina que eu nunca tinha visto, com supostos 10 kg. Aquela, certamente maior que esta que o amigo Alessandro exibe. Corvinas como esta que o amigo mostra possuem em média 6,5 e 7,5 kg e aproximadamente 88 cm. A da foto pesou 7 kg.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Pra começar a diversão... Abu Garcia 6500CT Rocket Chrome


No início deste ano um marginal levou minha Rocket e eu fiquei muito brabo... esta foi uma das melhores carretilhas que já tive a oportunidade de experimentar. Sou extremamente conservador para pesca no mar e até então minha carretilha preferida é a Penn Reels modelo 140 com carretel de alumínio. Contudo, esta carretilha penn não é mais fabricada e eu procurava por algo forte, resistente aos mares do sul e aos peixes de porte de 3-10 kg, mas que fosse capaz de trazer a leveza na pesca de papa-terras (betaras). No ano passado um amigo me apresentou o modelo Chrome e fui a alegria naquelas pescarias de corvinas, burriquetes e algumas arraias, uma das arraias com tinha em torno de 20 kg. Então na temporada passada eu usei e abusei do teste com a Chrome, e aprovei. Tive o infeliz incidente do furto, mas isto é coisa de Brasil e não dá pra escapar sempre. Se alguém encontrar um chinelão vendendo um Chrome baratinha, pode ser minha... Já esta da foto é zerada, comprei agora, recebi na caixinha e tá na mão pra esta temporada que esta abrindo. Logo que começar a pescaria já faço umas postagens do setup e do desempenho. Eu fiquei com vontade de experimentar um prima próxima dela... que possui freio magnético, mas isto vai ficar para uns dias mais pra frente. 

sábado, 27 de setembro de 2014

Aguardando por notícias...


Estive fora de casa por algum tempo... na verdade, neste momento ainda estou. Antes estava nos EUA, como os leitores puderam ver na postagem anterior, mas agora estou trabalhando em outra feira da bicicleta. Estou em SP... mas mesmo assim eu já comecei a sonhar. Eu vi lugares lindos durante minha trip, alguns pareciam promissores. Claro que este lance de pescar em águas estranhas e desconhecidas requer outras preocupações e desprendimentos. A perspectiva de captura cai muito em condições onde não estamos acostumados. No entanto, agora, conto as horas pra voltar pra minha terra natal, tal de Rio Grande do Sul. Pisar na areia, catar os mariscos com as mãos, iscar e arremessar no local certeiro. Estou aguardando informações de amigos... se eu souber de algo, conto aqui. Neste mês de outubro devo arriscar, não sei se longe, se perto ou se só no fim do dito mês, mas que esta próximo, não resta dúvidas. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Bass Pro Shops e o esturjão...


Las Vegas, 2014.

Ano passado estive em Las Vegas para um trabalho e não imaginei que estaria de novo neste lugar encantador para quem curte pescaria. Imagine um playground... uma loja cheia de brinquedos de gente grande pescadora. Isto é a Bass Pro Shops... 
A loja tem alguns atrativos interessantes, como tanques com peixes, mas eu acho até cruel manter um peixe deste porte preso. No meu entendimento de pescaria ou mesmo de aquariofilia, ou vc dá as condições ideais para um animal viver, ou deixe-o solto, Se for pra matar, que seja para comer... um esturjão com 2 metros de comprimento deve viver livre, pois não há tanque grande suficiente para uma espécie destas... exceto se o tanque for uma represa! Mesmo assim é uma oportunidade para muitos, inclusive para mim, conhecer um animal fabuloso como este. 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Alma de pescador

Indústria pesqueira x pescador. Foto: Roberto Furtado
A história de pesca é um tema na vida de famílias... e com frequência se escuta de alguém. "Eu tenho (ou eu tive) um tio pescador!", ainda: "meu irmão é pescador!"
O pescador sempre tem uma história... quem conhece algumas delas, sabe que em muitos dos casos elas começaram na infância das pessoas. Pescaria é um atividade, profissional ou amadora, que passa pelas famílias, as vezes de mão em mão e comum é escutar de um grande pescador: "Meu pai pescava!"
Não há regras no mundo, não haveria para os casos de pescadores nascidos em lares onde não se praticava tal atividade. Aliás, se não havia influência familiar, aponta-se para um vivente com tendências fortes sobre um conjunto de possibilidades. Fazer algo pela influência é algo notável pela história, mas começar algo do nada é uma diferença de personalidade e vocação. 
Aos que realizam a pesca porque dela necessitam para viver, lamento, os tempos mudaram. Os mares estão secando de pescado devido a má administração deste que deveria ser um recurso renovável. O mar esta afirmando aos poucos... "mudem de atividade profissional enquanto há tempo!".
Os pescadores amadores, por perceber que a coisa não é tão simples assim, certamente tem um pouco mais de cautela nestes genocídios do pescado. A fartura de hoje, a falta do amanhã. "Grande safras" de corvinas em um dado ano, seguidamente comprovam redução em anos seguintes. Quem já viu muito peixe todos os anos? Isto não é viável...
A pescaria para quem ama a atividade, de qualquer natureza e importância, é uma arte. Se vc é pescador do tipo que lê o mar, sabe o que pode encontrar... também o que não pode, em termos de alegrias, sucesso, e lembranças. Um homem na beira da praia, de caniço e chumbada pronta para voar é garantia de felicidade. Para quem esta no barco, embora a diferença nos resultados, a felicidade pode não ser a mesma. Feliz é quem vive e respira pescaria sem o peso do ofício. Quem é pescador de alma aproveita muito mais... sonha com a próxima aventura. Quem depende, infelizmente, convive com a frustração, pq o peixe nem sempre esta lá!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Leva teu lixo contigo... valeu?

Litoral do RS, 2007.
Com frequência as histórias de pescaria são contadas por "certa vez", ou "uma vez", "foi em", etc As histórias de peixes são contadas assim. A gente vai muitas vezes e em algumas poucas consegue tirar o proveito esperado. Não é tão simples ir lá e escolher o peixe como se faz no supermercado. Contudo, as histórias de lixos encontrados nas praias são uma realidade farta... "farta" falta de educação para as pessoas. Inúmeras foram as oportunidades que vi garrafas e outras embalagens com todo tipo de formato e idioma. E quantos são os pescadores que já vi, atirarem latas e garrafas de cerveja na praia. Deixam restos de linha de pesca, sacolas de plástico usadas para transporte de iscas! O lixo é farto nas praias... todo mundo quer encontrar a praia limpa, o paraíso, mas poucos se esforçam para tal. Aves, peixes, tartarugas e mamíferos mortos... motivo? Embalagens no interior de seus estômagos! Ou redes abandonadas, perdidas que vagam a deriva para o encontro com uma vítima. Já vi redes que o mar tocou para fora com caçonetes, corvinas, violas... ora, até com peixe protegido! Perder peixe protegido para rede a deriva é o fim dos tempos. O pescador que viveu anos de pescaria, teve seu sustento e o da família, agora paga os pecados. Onde esta o peixe? Acabou... esta acabando! Os pescadores vão virar outra coisa no sistema de trabalho... pq se não há peixe, pescaria que não vão fazer. E de certa forma, bom castigo para a sociedade... agora, vamos curtir nas redes sociais, menos peixes em nossas mesas, mais desempregados, menos ambientes para apreciar. Os mares estão podres... não de matéria orgânica, de materiais não biodegradáveis, lixo moderno! Se vais pescar, leva teu lixo pra casa e dá o fim adequado. Vai comprar frutas no supermercado... não deixa embalar. Pow, tem cara que vai no supermercado e embala melão com saco plástico antes de pesar! E por aí vai... com outros legumes e frutas que não há a menor necessidade. Embalar melão, banana, abacaxi... pow, tem que ser muito esperto mesmo. E as bitucas de cigarro jogadas pela janela do carro? Não basta ser um hábito terrível e prejudicial, o vivente ainda joga a bituca pela janela! Não tem lixinho dentro do carro? Fala sério... que difícil, né? Joga no chão do carro mesmo e quando chegar em casa bota no lixo. Que difícil! Pensa nestas pequenas coisas... Este é o tipo de texto mais batido no mundo e parece que as pessoas continuam sem entender. Até criança entende isto hoje...

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Entendimento de "pescaria"...

Dunas Altas, 2011.
É relativo... Algumas pessoas olham para este tipo de mar e ficam totalmente desmotivadas. Preferem as águas cristalinas das praias de outros estados brasileiros. Se engana quem acha que água cristalina acomoda mais riqueza que estas gélidas e turvas águas do sul. Aqui, nestes mares, escondem-se grandes cardumes, grandes peixes... belas oportunidades! Há tempos que acompanho este litoral e posso dizer que prefiro ele assim do que ele cristalino o mês inteiro. É mais fácil ocorrer a passagem de grandes cardumes com mar de chocolate do que em mar cristalino, talvez motivo pelo qual tantos pesqueiros catarinenses venham "roubar" peixe aqui. Vc já ouviu falar de histórias de grandes cardumes de corvinas e miraguaias na costa de SP, PR e SC? Talvez no passado... as águas límpidas já não abrigam mais peixes como antes, nem mesmo aqui no RS é assim, ainda que muito mais produtivo para pescadores de beira de praia. Receio não haver um litoral tão rico como este dos gaúchos. Aqui têm mais peixe em um mês do que o ano todo no resto país tudo junto... e falo por experiência própria e por algumas mensagens que tenho recebido. Tem gente de todo Brasil perguntando o que faço de diferente... Na verdade não tem muito mistério. Tem que saber pescar, mas tem que ter peixe no lugar. A maioria dos pescadores chegam na praia, montam um barraca, churrasqueira, não olham para a areia da praia, abrem uma cerveja, depois outra, e por diante se vão. Isto não é pescaria! Isto é um acampamento com intuito de fuga de casa, do trabalho ou até mesmo uma chance de brincar de indiana jones. Não faço isto... os pescadores de melhor qualidade que conheço, também não. Pescador é um vivente que vai atrás da notícia, do peixe, entende o mar... perde tempo avaliando. Arremessa um caniço antes de fazer acampamento... pescador que bebe não é pescador. Eis a má fama dos pescadores... uma mão no caniço outra numa garrafa de cachaça. Quem vai a praia para beber... pode se dar o luxo de escolher qualquer mar, cristalino, de ressaca, com ou sem vento, de barraca no topo da duna, etc. As conversas que tenho com ditos pescadores quase sempre são as mesmas... as fotos idem. Os caras reunidos, pelo menos um segura a bebida alcoólica. Um monte de papaterras duros e secos na areia, quando tem uma corvina ela esta seca e avermelhada do sol.
Pescou, limpa o peixe na hora... coloca no gelo, acomoda bem o pescado para curtir uma boa refeição com a família. Pesca pensando, reflete no ocorrido, adiciona a experiência para uma oportunidade futura. Repara na água, nas iscas disponíveis no dia, cardume de peixe nas redes dos pescadores, escuta as histórias, pergunta... descobre como estava o mar quando rolou o fenômeno. Pescador de verdade acompanha previsão do tempo, se preocupa em saber se a previsão acertou. Repara os ciclos do mar... eles são parecidos, quase sempre! Cuida a entrada do peixe... em 2011 foi em final de setembro, 2012 em início de outubro, 2013 foi em meio de outubro, já tens uma estatística. Compara o tipo de mar, correntes que trouxeram estes peixes... pescador bom tem que ter entendimento do que esta acontecendo, é um pesquisador do seu habitat! Vai... interage! Pensa nisto...

sábado, 19 de julho de 2014

Morde a faca e vai...

Imagem meramente ilustrativa
Muitas pessoas ficam perguntando "como faz pra pescar peixes bons" no nosso litoral, como se houvesse um segredo. Estou curtindo as mensagens que recebo por email, mas infelizmente não tenho como devolver uma resposta adequada para cada um que me escreve. Tento sanar algumas questões com o que escrevo aqui e, muitas respostas não tenho para oferecer, pois sou mais um aprendiz. Aprendi muito com meus amigos de pescaria, outro tanto com a observação e insistência. Faz parte do pescador perguntar-se dos "pqs e como"? Quem não pergunta, não se questiona, não aprende!
Um dia, solitário no distante litoral, de carro saí circulando em busca de um bom pesqueiro... já estava longe de casa. Lá pras bandas do farol caído. Aquela região me bota medo por questões diferentes, sempre tenho muito cuidado ao trafegar por lá. É uma terra de ninguém, onde qualquer pessoa que por ali passa pode ser um foragido, assassino, ladrão, etc. Também é uma região que pra engolir um automóvel não precisa muito... estacionou mal e deu as costas pro carro, em 15 minutos teu carro tá com o motor encostado na areia. Aí, nem cristo te tira dali... como não tem nada na região, se fores sair caminhando pela praia até encontrar ajuda, depois de algumas horas teu carro vai estar atolado até o vidro. Não duvide... já vi pescador que se acha experiente de praia, com caminhonete tracionada ver a água do mar circulando na palanca do câmbio, em menos de 2 horas. Se já assustei bastante, sei que vais ter mais cautela... é com isto que me preocupo. O litoral não é todo igual, alguns pontos podem ter características muito próprias. O negócio é avaliar bem onde se está.
Continuando... Um dia, solitário, saí circulando em busca de um bom pesqueiro... depois de muito rodar, parei em um lugar muito bonito. O lugar tinha uma buraqueira de beira de praia, depois vinha uma coroa rasa que encostava no valo fundo da última arrebentação. A arrebentação de fora tinha apenas uma pequena crista de onda que se espumava. Levantava alta, vagalhão largo e quando ia formar crista encontrava o valo fundo se esparramando em espuma. Acertei meu caniço parede 7, carretilha penn reels 140, empate feito com linha 0,80, chumbada de desarmar de 175 gramas, anzol 9/0 e bucha de marisco. Não tinha outra isca... A 140 que eu tinha estava com o rolamento direito (lado da manivela) com folga. Estava muito chato aquilo do arremesso fazer um ruído de rolamento falido. Como não tinha alternativa, vai assim mesmo... era a carretilha que eu tinha e que podia ter o maior alcance possível. Vesti o long de borracha, pois era um dia frio de final de outubro. A água de longe era cristalina e somente naquele lugar era turva. Um mar quase parado com leve pressão de norte para sul. Fui caminhando pela buraqueira, atento aos peixes que circulavam na coroa rasa. Sabia que havia corvinas circulando no litoral, pq era incrivelmente grande a quantidade de barcos pesqueiros e também era forte a notícia da cascuda. A série de ondas era bem regradinha... podia contar de 6 a 7 ondas, e calmaria de 50 segundos, me lembro bem que demorava para encostar nova série. Porém, quando a série encontrava o banco de areia, plataforma onde eu ficaria para realizar o arremesso, a pancada de onda era forte. Tinha que esperar... ia entrando, e percebia-se que a coroa era uma ferradura ali naquele local. Começava a uns 10 metros da beira com água no meio da canela e ia embora até a beira do valo, onde o final dava água na altura do peito. Confesso que era de certa forma, assustador, mas era preciso ir até ali para realizar o arremesso. Este seria o único ponto que encontrei que o "tiro" seria longo o bastante para encostar na espuma que descrevi, onde supostamente havia um banco que oferecesse alimento para o peixe que transitasse pelo valo. Eu olhava para os lados, direita e esquerda, e a arrebentação era mais distante... o mar encostava de forma mais viável naquela região. Esperei a série passar e fui para o lugar mais distante possível. Esperei e visualizei o ponto... sentei o braço o que deu, mas o arremesso não saiu bom e precisei recolher a linha novamente. Retornei para o meio do banco, me reorganizei com a linha no carretel, e tornei a arremessar quando se deu a pausa da série. O arremesso foi lindo... um golpe de sorte e dosagem correta. A linha fez uma trajetória perfeita com pouquinho vento... deu pra ver que a chumbada caiu pertinho de onde eu queria. Pouco antes do pico de ondulação. Fiquei cuidando e quando entrou a ondulação, tive a impressão que caiu pouco antes da espuma formada pelo valo fundo. Estiquei a linha do caniço na praia e deixei esperando. Fui fazer um sanduíche e tomar um refrigerante. Enquanto comia o sanduíche, vi o caniço dar uma mandada bonita, segurou pressão e aliviou bem lentamente, se perder totalmente a pressão. Corri para o caniço e estiquei a linha com alguns passos para trás, e vi que era um peixe pesado. Vinha inicialmente, sem oferecer resistência, mas pelo meio do valo deu umas corridas muito bonitas. Daquelas de não acreditar... Achei que não era corvina, pq se fosse corvina, não poderia ter o peso "morto" do arrasto que sentia no caniço. Quando o peixe não estava nadando forte, era simplesmente pesado... Na hora até pensei que fosse uma arraia grande, mas andava muito ligeiro. Quase não conseguia recolher a linha para manter esticada. Veio rapidamente até a altura do barranco do banco e de momento se negou a subir. Ali, o peixe deu mais umas mandadas muito boas e ágeis, e até me ocorreu que fosse um cação bico doce de bom porte, mas eu nunca havia pescado um, e não confiaria naquela conclusão. Com um pouco de paciência, fiz o peixe subir no banco de areia por umas duas ou três vezes, mas ele tomava fôlego e "deitava o cabelo pro valo de volta". Não dava pra segurar aquele peixe com linha 0,45mm, tinha que ter paciência mesmo. Foi então que resolvi entrar um pouco na água, subi no banco de areia que era longo... e fui tentando fazer o peixe subir de novo no banco de areia. Quando consegui, trouxe com atenção e estrela da carretilha meio aberta... recolhia a linha com a vara, segurando a pressão com o dedo no carretel e, se a pressão aumentava, removia o dedo para então deixar a carretilha trabalhar. Foi bem chatinho trabalhar este peixe... mas ele subiu no banco e mantive ele por ali e, pouco a pouco a carretilha engolia mais linha. Em dado momento vi o nó da linha 0,45 com a 0,60mm, que eu costumo chamar de "arranque". Esta linha 0,60mm representa uma 30 metros de linha, e eu gosto de ter esta quantidade de linha mais forte justamente para trabalhar o final de pesca de peixes mais pesados, além de evitar o rompimento da linha em casa de arremessos com flash. Quando eu consegui colocar duas volta de linha 0,60mm no carretel, aí vi que o combate estava finalizando ao favor do pescador. Fui "rebocando" o peixe para a beira... e vi daquela distância da linha que se tratava de um peixe bom. Desenhava a água com as nadadeiras que quase saiam para fora dágua. Quando consegui colocar o peixe na buraqueira da beira, que dava água na cintura, fiquei na diagonal da praia com o peixe, pois esta situação parecia me dar alternativa para correr junto para dentro da praia e não perder o peixe. Estava finalizando... aproveitei uma ondulação e puxei o peixe para fora, o peixe estava quase no seco. Inclinei o caniço para trás para manter a linha curta e segurei a viola pelo rabo. Me apavorei com o tamanho do bicho... era uma viola muito grande. Acho que tinha, pelo peso e comprimento, cerca de 12 kg. Removi o anzol e larguei ela de volta... saiu nadando livremente. Fiquei muito agitado com aquela captura. Nem bati foto... corri para carro, isquei o caniço de novo e repeti a operação. Deu mais uns 20 minutos e bateu outra vez... quase a mesma coisa, pouco mais tranquilo... e saiu na praia outra viola, pouco menor pelo que pude perceber, mas era outro "monstro" devia ter uns 11 kg. A primeira era tão grande, que a ponta do rabo quase encostava na altura do meu pescoço quando o bico da viola encostava no chão. Era um monstro mesmo... amarela, mais amarelada que o peixe da foto. Soltei as duas, e não bati foto pq estava sozinho, teria que montar tripé e a lida não ia permitir soltar os peixes com integridade física. Optei por soltar... Lembrando o leitor que este é um peixe proibido de abate ou mesmo de captura, e a lei livra o pescador de multa e prisão, somente se vc soltar o peixe imediatamente. Então pra não ficar em desacordo com a lei e com a consciência tranquila, o negócio é voltar pra casa só com o peixe que pode. Pesquei alguns papaterras neste dia e fiquei com a recordação de grandes peixes, que talvez um dia, possam ser pescados novamente por outro pescador sortudo.
Pra pescar grandes peixes... é preciso morder a faca. Não tenha medo, mas tenha responsabilidade. Principalmente quando estiver sozinho, não se arrisque. Pesque com segurança e com sabedoria... Morde a faca e vai no melhor arremesso que puder, pq o presente pode ser um monstro na ponta da linha. 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A saída na praia... a hora "H" pra ver o mar!


Esta cena para mim é como um video... eu já vi esta cena, talvez por mais de mil vezes. Não sei... Muda muito pouco! Difere a cor e altura do mar, altura das dunas e quantidade de areia na saída da praia. E a expectativa de pesca chega dar uma adrenalina nesta hora. Conhecer o mar é uma situação da experiência e da observação... se o palpite é bom e vc dá de cara com um marzão, bom, aí a chance aumenta. Já fui algumas dezenas de vezes pescar sozinho... de uno mille, carro que tenho. Aliás, o último, coitadinho... passou 5 temporadas de pescaria na minha mão, com todo trabalho que ofereci. De atoleiro de areia com lodo, a fofão com 50 cm de profundidade. O negócio então... sozinho, é embalar e rezar. Se der... vai de ré, vai por cima da duna firme, por cima dos capins, mas faz qualquer negócio pra não atolar. Nesta imagem aqui foi igual a andar em qualquer lugar firme... Marcio tocou devagarito, tava boa a saída. Em um oportunidade que não esqueço, com o Wlad, passamos por maus bocados. Teve lugar alagado que o uno foi silenciado por motor e escapamento coberto dágua, deve lugar que ele não subia devido ao lodo. Teve lugar tão fundo que não tinha como passar... posso garantir pra vc, mesmo que o uno seja leve e valente na água, apontado por alguns críticos como melhor automóvel para enfrentamento de enchentes, ainda desta maneira não havia como passar. Foi num lugar com mais ou menos 70-80 de profundidade, daquela de tapa o farol, que optamos por andar entre uma plantação de pinheiros. Rapaiz... imagina uma plantação de pinus, a esmo... daquelas que tem uma árvore do lado da outra. Nem pensei que passava um carro por entre elas, mas o uneira passou. Por cima de um fofo das folhas de pinus, fomos entrando mato adentro por uma região seca. O caroneiro ia a pé e na frente do carro removendo os galhos da frente do carro... e eu ali, preocupado com as distâncias dos espelhos. Dá uma paradinha... dobra os espelhos! Toca ficha... vamo embora. Foi um Camel Trophy realizado de uno mille! Logo mais conseguimos voltar pra estrada... depois de uma curva, atolamos no fofo. Cava, empurra e vai embora... até que chegamos em um lugar onde enxergamos o mar, mas ficou difícil de acreditar que passaríamos. De longe vimos uns jipeiros em uma vila de pescadores. Pensei e falei para o parceiro de pesca: "Cara, vamos tentar, se a gente ficar... chamamos ajuda!" 
De longe, os jipeiros observavam e acho que pensaram que éramos loucos... e na verdade a gente continua sendo! De uno, só podiam ser loucos! Então desci... caroneiro desceu, ambos observados pelos trilheiros. 
O obstáculo não era grande coisa pra um jipe, mas pra um uno, certamente era missão de cara ou coroa, com peso do diabo pra escolha errada. Um arroio pequeno, agora transformado em banhado devida a falta de fluxo dágua. A largura... não era muita, mas não tinha como passar correndo pq a depressão entre um lado e outro era grande. E no meio tinha muita água e no fundo havia lodo... 
Dei uma embalada com o carro, devarzinho, e quando chegou perto da água acelerei a meio pé... quando chegou no meio daquilo toquei o pé no fundo pra não perde embalo. O carro se movia em câmera lenta, oferecendo dúvida e esperança... Começou a sair da água e o outro lado era uma subida cheia de uma gramínea. A vegetação molhada pelos pneus com lodo servia muito bem para um tobogã, imagina pra subir com um carro de tração dianteira. Os trilheiros ficaram olhando aquilo... meio estupefatos, atentos e incrédulos. O uno se movia a 1 km/h, mas não parava... era a prova certeira de que aquele carro com rodas de 14 polegadas era um guerreiro! Subiu... subiu e subiu até que a tração com o terreno normalizou, e seguimos até onde estavam os espectadores. Parei o carro do lado deles... o primeiro olhou e disse: "Cara, quase que não deu, hein?" Eu, brincando... disse: "Nós sempre damos um jeito de pescar!"
Pegamos informação da saída na praia... perguntei ainda se era muito ruim a saída, e o outro trilheiro disse: "pow, agora não tem mais nada ruim, vai embora!" E nas risadas nos despedimos e nos fomos as pescarias. Que nem me lembro mais se foi bem ou mal sucedida, pois o importante desta oportunidade foi a aventura. 

sábado, 12 de julho de 2014

Pega esse burriquete seu *&$#@...

 Aqui segue uma história curiosa... Um dia fomos pescar no final da tarde em um naufrágio com a ideia de entrar noite adentro na pescaria. É muito raro uma linha se manter em ordem durante a noite, pois nosso mar tem corrente forte e com ela sempre surge muita sujeira. Esta sujeira se fixa na linha e acaba encurtando o período de pescaria... quando não arrebenta, a gente acaba ficando desconfiado que a sujeira na água próximo ao navio é tanta, que possivelmente o anzol esta coberto pela sujeira. Vc acha que esta pescando, mas não esta pescando mais nada. 
Pescaria boa aquela que as ações acontecem rapidamente, onde vc tem quase certeza de que a linha esta preservada, bem como iscas. A pescaria de prancha em naufrágios é tão técnica que não tem como ficar otimista com o passar de algumas horas, embora, algumas vezes tenhamos sido surpreendidos justamente por peixes que bateram 8 horas após a colocação da linha. É uma loteria... chama-se pescaria! E o bom é estar acompanhado de um bom amigo... para que então, o tempo passe da forma proveitosa do convívio.
Neste dia, colocamos as linhas ao final da tarde, para tentar evitar os peixes espada, que frequentemente cortam nossas linhas. A linha na água, com o reflexo, é um alvo perfeito para o ataque do peixe em questão. Não tenho fotos do peixe que descrevo, mas uma hora faço... algumas pessoas conhecem também por peixe fita. É um peixe comprido, prateado, mole e com uma dentição para ninguém botar defeito. O peixe espada é um grande predador. 
Estávamos sentados dentro do carro, o amigo Marcio e eu, conversando... as vezes, ele saia do carro, cochilei enquanto ele ficava de guarda. Depois ele entrou no carro novamente, e ficou cuidando o caniço. Ainda era dia quando o peixe bateu... horário de verão aqui no RS, 9 horas da noite é ainda um restinho de luz. 
O caniço bateu e ele colocou-se em combate. O peixe não era grande, evidente, mas não era um molenga. No combate, a favor do peixe estavam aquelas pequenas algas que vão se acumulando ao longo da linha. Tinha que remoer de tanto em tanto... linha esticada, auxiliar (eu) removendo o que dava de algas da linha 0,40mm.  Tirava um pouco, e ele gritava: "deixa eu recolher mais um pouco!" Embuchava a carretilha com linha suja... e foi indo, peixe se aproximando e se cansando. Em dado momento, não recolhia mais... a ponta do caniço embuchou com as algas e já era. O jeito agora era andar para trás, em direção as dunas, cruzando a praia. O peixe estava pertinho... no valo da beira. A beira era funda... não dava pé. E pegar um peixe no valor é uma boa pedida para perder o peixe. Eu disse para ele... "vai puxando o que dá da linha e vai em direção as dunas". Ele foi indo, e o peixe passou por mim, quando a água estava na canela... ele gritava: "a linha vai arrebentar!" Eu fazia sinal com a mão, agora era praticamente noite. Tinha que se esforçar para enxergar o peixe na água. Me aproximei do peixe... cerca de um metro, quando percebi que a linha arrebentou! Lá em cima na duna, Marcio, gritava nomes feios que eu não entendia pela distância e vento! Só o que eu entendia era "Pega". O peixe veio nadando e bateu com o "fucinho" na minha perna, naquele momento escorrei as duas mãos pela cabeça do peixe e o firmei nas brânquias. Naquele momento, com o repuxo, o peixe se debateu e cravou a dorsal na minha canela. Tenho a marca até hoje, mas não deixei escapar. Marcio veio correndo lá de cima enquanto eu saia da água com o peixe. O resultado foi este belo burriquete, pescado na praia e algumas lembranças especiais. A ferida na minha canela, provocada pela dorsal do peixe custou a cicatrizar, mas ficou ali para garantir a história, assim como as imagens. 

domingo, 6 de julho de 2014

Pensamento isolado

Litoral do RS, 2013.

 Entre o céu azul, e o azul do mar, haverá um cantinho... chamo de "ilha". Um brisa fraca sopra lá, faz do dia quente, confortável cama na areia. Lá, nunca chove, pq o sol sempre é sol lá. O calor do sol, lá não queima! Nesta ilha, há um coqueiro, um araçazeiro, uma bananeira... frutos abundantes o ano todo. Peixes, são tantos que nem se repetem. Pesco-os o dia inteiro, vejo-os como alimento, mas os respeito. Mosquitos, estes não existem lá. Um lugar perfeito, o sonho dos novos tempos... a maior ausência e medo que pude sentir, a falta do meu amor. O lugar seria perfeito se meu amor lá estivesse... abri mão do paraíso por amor. Então percebi que o amor era o próprio paraíso. Disto o que posso pensar? Pensar que tens o que tens, aproveite, veja o que é bom e o que realmente importa nesta vida. Ame! Ame seu amor, ame sua família, seus amigos, sua vida. Não esqueça que vives hoje a mágica, estar vivo é a própria magia, e esta tem início e fim. Não lamente por não ter aproveitado passado, aproveite agora, saboreie o passado, valorize o futuro. Esta é a mensagem que posso deixar agora. Aproveite ou não, é com você!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Liberdade


O sentimento é único e incompreensível para aqueles que não viveram. As histórias não podem ser contadas na íntegra por fotos ou textos. Afirmativas marcantes não expressam nenhum momento vivido com emoção. Ando com muita saudade de chão de praia e linha nágua, indescritível sentimento. As vezes, me grudo nas fotos que fiz nestas aventuras, pq por hora é o máximo que posso fazer. A liberdade vivida nestes momentos é uma situação inexplicável! Conto as horas pra aparecer no encontro do continente com o mar. A rivalidade pacífica entre areia e água, marca uma linha imaginária que se desloca no tempo entre vai e vem. A água sobe e desce, por vezes dá uma lavada na meia praia. Leva alimento para dentro do mar, traz peixes para a beira para o banquete de crustáceos e moluscos. Estranha forma de observar, sempre lá, acontecendo, minuto a minuto... mesmo quando estou aqui, como agora, sentado em frente ao computador. Estou aqui, sonhando e teclando algo que vai acontecer em breve... mesmo que incerto de data. É a liberdade... me permito sonhar!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Não olhe para trás

Difícil escrever ou abordar questões sem colocar o peso de suas próprias impressões. É um fato! Carregamos sempre nossas experiências em tudo que nos envolvemos. O passado se reflete no presente... por isto muitas pessoas tem algum fantasma. As vezes a gente percebe isto conversando ou convivendo com as pessoas...
No ofício de trabalhar muito em finais de semana, acabei perdendo o contato com alguns amigos. Minhas folgas, quando aconteciam, eram de meio de semana. Isto acabou me fazendo pescar muitas vezes sozinho... o que têm lá suas vantagens, mas também desvantagens. Aventurar-se sozinho pelo litoral do RS poderia ter mais de um tipo de perigo. Como em certa vez que dormi no interior do carro e no meio da noite acordei com um barulho. Pela manhã alguém havia tentado roubar-me os caniços. Evidente que eu estava protegido... além de um anjo forte, ainda havia com o que me defender. Fotógrafos Andarilhos aprendem na marra algumas coisas nesta vida... uma delas é saber lidar com certas situações, não importa quão inocente ou bom vc seja, no ofício de repórter fotográfico, do tipo que dorme em qualquer lugar, vc aprende muita coisa. Isto, os que dormem em apartamentos, casas ou hotéis, jamais aprenderão. É o tipo de coisa que a gente deve vivenciar... Sempre digo que não sou mais ou mesmo. Não sou mais um guri para realizar algumas coisas, estou mais fraco para outras onde a juventude adolescente é uma virtude, mas estou muito forte em outros quesitos que jamais imaginei. Realmente, para saber é preciso viver! Dormi muitas vezes no chão, na areia, dentro de um carro, no chão de ônibus e vans. Dormi em pulgueiros... peguei pulgas, carrapatos, bicho de pé e outras perebas do ofício aventureiro. Me pergunta se deixei de amar esta vida... te responderei que não. Eu nasci para isto, e por tal motivo me tornei um profissional da mídia como poucos. Este ofício de repórter fotográfico exige estas "qualidades" se vc quiser ser realmente um profissional reconhecido. Reconhecido não tem relação com dinheiro, antes que alguém pense ao contrário. Se vc quer ganhar dinheiro com fotografia vai fazer casamentos e festas familiares. O resto é pingadinho... exceto se vc for um bom puxa sacos e político. 
Nas andanças que fiz pelo meu pequeno mundo aprendi algumas coisas... uma delas é não olhar para trás. Olhar para trás quando se vai a um lugar bonito, faz vc se arrepender da decisão de partir. Se algum lugar alguém ou algo espera por vc, ao olhar para trás vai se arrepender de muitas escolhas. Se vc olhar para trás, olhe ainda bem antes de partir, pq já vi gente que não partiu pq olhou para trás na hora H. As pescarias mais felizes de minha vida foram muitas... com amigos, sozinho, com a presença de algo inexplicável. Acho que este algo inexplicável é o que muitos chamam de Deus ou entidades invisíveis, mas eu reconheço apenas com uma energia boa que faz vc valorizar cada segundo de ar que respira. Estar na beira da praia, para mim,  é o paraíso. Não olhe para trás... conselho de amigo! 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A bagulhada...

pescaria, 2008. Roberto Furtado.com

Algumas vezes me perdi na organização da "tralha de pesca", esquecendo algum material de importância para pescaria. Certa vez, esqueci a caixa de chumbadas, em outra oportunidade, me preocupei tanto com a estrutura do local que esqueci as carretilhas. Não me deixa mentir um amigo, Fagundes, que precisou me emprestar o que deixei em casa. Por estas e outras, sigo mais ou menos um procedimento de organização. No dia anterior, se possível, deixo tudo pronto e refaço a contagem do material. Já adotei o sistema de check list, mas o problema é que em cada pescaria vc precisa de coisas diferentes. O pescador não vai levar sempre todo material, então é melhor fazer uma organização com calma, antes da ida. O planejamento faz parte da pescaria... Se vou para pescar corvinas de arremesso, não levarei prancha e pé de pato, tampouco pinos enormes para pescar em naufrágios, menos ainda carretilhas grandes como Penn 500. Se vamos para pescar papaterras, enxuga-se o material, conta-se perfeitamente tudo que vai precisar para "efetivar" o arremesso. De preferência que a carretilha já esteja embuchada com linha, arranque e chicote. Coloca os anzóis na hora, da mesma forma chumbada. Então é só iscar... não vai esquecer a linha elástica, tal de elastricot. Pescar sem linha elástica é possível, principalmente para aqueles dias que não há peixes pequenos e as batidas acontecem rapidamente, mas pq deixar em casa algo tão importante?
Pescaria é um plano a traçar... você vai para se divertir. Não pode esquecer nada que resulte na perda de desempenho. Em primeiro plano a segurança, em segundo o conforto, em terceiro todo material de pesca. Na segurança podes considerar caniços bem amarrados no carro, carro revisado, medicamentos necessários (aí vai de cada um), etc. No conforto, alimentos e roupas, e demais relacionados ao bem estar durante e entre pescarias. E o material de pesca, a bagulhada... se vc vai pescar, não esqueça nada. Isto faz diferença até mesmo como efeito psicológico. Mente inquieta é o mesmo que estar a 70% do desempenho pesqueiro, ou, até menos!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A bagunça na pesca... amizades!


Estou certo de que muitos dos pescadores vão concordar com o tema e lembrar de suas histórias. A bagunça que ocorre nas pescarias é a mesma que os pescadores viveram na infância. Quando joga-se nove pescadores em uma van (sprinter) com o objetivo de oportunizar 4 dias de pescaria, podemos dizer que é certo que a quantidade de risadas e brincadeiras é maior do que da média cotidiana. A gente vai em busca de pescaria com os amigos pra viver grandes aventuras pesqueiras... é garantia para recuperar as energias para viver a vida de trabalho. "Se vive para viver!" E nem entendo como tem gente que vive apenas para o trabalho. Sei que pesco muito pouco na atualidade, mas cada pescaria é uma recordação pra vida toda. O omelhordapesca.com também tem esta finalidade. Junta todo mundo, mesmo que a distância, e a gente vai lembrando e contando histórias. Acha as fotos certas, conta as histórias... assim o dia a dia passa diferente, com a esperança de reviver tudo de novo.
Na foto ao alto, um amigo que há tempos não vejo, Thum, briga com uma arraia morcego, pensando que era outra coisa, evidente! Na verdade a gente até sabia o que era, mas foi bom dar esperança a um amigo, e afinal de contas, importante é sentir e mostrar as habilidades de pesca. Na foto menor, amigo Canali e eu, mostramos corvina pequena que capturamos de forma diferente. Em locais tranquilos, corvinas e papaterras, também pequenos cações fiuza, costumam caçar tatuíras bem na beiradinha. Muitas vezes são surpreendidos por uma onda forte que os deixa no seco... isto aconteceu algumas vezes em minha presença. Canali e eu dividimos o peixe. Na Verdade ele levou o peixe inteiro, mas dividimos a reputação de captura. Estes fatos são brincadeiras únicas... pescaria é algo exclusivo daqueles que sabem pescar, brincar e lembrar. O grande barato do minha turma é que não tem bebida. Bebida e mar não combinam... então fica a dica de segurança. Se vai pescar ou dirigir, não beba! 

Fotos e texto: Roberto Furtado

sábado, 31 de maio de 2014

Miraguaia... gold drum?

Black "gold" Drum, de Marcio Fagundes, 2006.

Algum tempo atrás, enquanto pescávamos nem me recordo mais o que... eu e Marcio voltávamos frustrados de uma pescaria com poucos e pequenos peixes, depois de um dia de insistente pescaria. Meio fora da proposta, retornamos aos poucos para o QG de pesca. Ao passar por um naufrágio, observamos que o vento sul tocava forte. Marcio olhou e quis tentar o pesqueiro, e me perguntou: "Não vai tentar?" 
Respondi... "tu tá louco que vou entrar neste navio pra arriscar não pegar nada." Já devidamente acomodado em roupas secas. Entrou de prancha e colocou a linha... em seguida bateu. Pau... terminou de recolher, anzol na praia! O peixe cuspiu o anzol... iscou de novo com marisco fechado e colocou no mesmo lugar. Bateu! Foi de novo... desta vez, veio uma corvina de 3,5 kg! Xiiii... tá cheio de corvina ao lado do naufrágio. "É só o que tem!", disse pra ele. Contudo, o sacrifício para pescar neste navio não compensava para pescar corvinas. Se o leitor do texto me permite a recusa, corvinas pesco na praia, muitas vezes sem molhar os pés.
Marcio, muito insistente falou... "Beto, me arruma um siri!" Então fui buscar um bom siri e consegui com pescadores na beira da praia. Iscamos, entrou de novo... na terceira vez o vivente já tava mortinho, mas dizia que estava ótimo. Tá pensando que é fácil puxar linha pro meio do mar quando bate o sul? Eu, ele e outros amigos já entramos centenas de vezes no mar... inclusive uma vez tive receio de perder a vida. Então a cautela já era forte neste que vos escreve. Bom, o caniço ficou lá... desta vez ficou quieto! Voltamos pro carro pra nos defender do frio, e ficamos conversando a respeito do dia e de outras investidas pesqueiras. Logo depois apareceram uns pescadores perguntando de peixe... e Marcio saiu do carro e foi conversar com eles. Fiquei ali, no carro, abrigado do vento e de olho no caniço. O caniço firme, embodocado, oscilando muito pouco devido a forte pressão do mar. Fiquei olhando, olhando, olhando... e Marcio de prosa com pescadores. Foi então que o caniço pegou pressão, pegou mais pressão, mais um pouco, sacudiu e foi perdendo pressão pra trás. E foi de novo pra frente pra tirar qualquer dúvida que pudesse existir. Tive que avisar o vivente que o caniço dele tava batido... ele não viu nada. Brigou com peixe, que ao sair da água, percebemos que era de ouro... uma pequena miraguaia de ouro!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Os concheiros...

Concheiros do Albardão, 2005.
Muito longe da capital... assim vejo os concheiros do albardão. A região é um depósito natural de "cascas" dos moluscos que habitam o atlântico. Dizem, e eu não sei a veracidade dos fatos, que os concheiros estão aumentando em extensão. Os motivos são apontados para a alteração da barra de Rio Grande, pelos conhecidos moles de Rio Grande, que se estendem além da praia do Cassino. Descrevem interessados a questão das alterações das correntes e que a mais de uma centena de km dali se deposita os restos sólidos dos moluscos. A deposição de conchas na atualidade se estende por mais de 50 km sem interrupções, mas é visível a variação das concentrações destas conchas. Obviamente, juntamente com elas surgem muitos fósseis, por isto é recomendado que não se trafegue com o carro pela região. Além do mais, sabe-se que é proibido trafegar de carro pela orla marítima. Sendo que não há estrada na região, entende-se que o local é inacessível, pois entre a estrada que passa próximo dali e a beira da praia a distância é superior a 16 km em grande parte do trajeto. Além disso, bem próximo da região esta a lagoa Mangueira e o parque Taim. A beira de praia para os lados do Albardão é um dos lugares mais inacessíveis e de boa pesca em todo Brasil. O cenário é lindo, remete o pescador ao passado, quando as praias eram praticamente habitadas somente por pescadores locais em casebres de madeira. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Um burriquete... e considerações sobre a pesca comercial

Durante muito tempo a gente perseguiu as miraguaias... peixe permitido para pesca quando capturado em tamanho mínimo. 
Eu e o amigo Fagundes entramos numa trilha de aprendizado para encontrar o peixe que já era quase uma lenda. Não havia muitos e parece que hoje há ainda menos peixes desta espécie adultos. Por outro lado, temporada passada foi grande a notícia a respeito. Havia centenas de relatos por toda costa gaúcha, em algumas coincidências falava-se do mesmo peixe de Torres ao Chuí em mesma data. Isto foi na última temporada, mais próximo do final de ano. Na foto de uns 7 anos atrás, Fagundes ergue um burriquete que imagino ter uns 11-12 kg. Muito diferente destes que andaram saindo em 2013. Evidentemente os juvenis de 2013 são de uma mesma geração que por algum motivo escaparam da pancada dos arrastos impiedosos. A parte boa de ter esta notícia é que as ações de fiscalização estão surtindo efeito. A corvina esta sendo menos pescadas por seu baixo valor agregado, e possivelmente os burriquetes confundidos pelo sonar estão também sendo poupados. Agora resta torcer para que seja verdade que o IBAMA e os Ministérios da Pesca e da Agricultura estejam organizando o cerco contra a pesca predatória por meio de forte fiscalização, como estão sendo passados os boatos. Cada um destes orgãos correspondem a exercícios fiscais diferentes e é justamente isto que possibilita a uma ação desagregada um do outro, mas com efeitos em conjunto. Sendo assim, em mais um ou dois anos veremos burriquetes desta natureza em abundância. Que assim seja... pescador de praia, denuncie arrastos e pescas predatórias. Ao sinal de peixe abaixo da tabela ou proibidos, denuncie! Aqui esta o número da linha verde: 

0800-618080 ou http://www.ibama.gov.br

Aqui fala-se sobre tamanho mínimo, ministério da pesca:

domingo, 25 de maio de 2014

Naufrágio Altair


Quem é aventureiro do litoral vai curtir... O litoral possui centenas de naufrágios. A grande maioria dos naufrágios aconteceu muito tempo atrás, possivelmente em decorrência da falta de tecnologia dos barcos e dificuldades para remover os navios dos bancos de areia. O Altair deve ser o naufrágio mais famoso da praia do cassino e muitas pessoas já pescaram nele... contam os relatos dos mais antigos que muitos buriquetes e miraguaias foram pescados na parte mais distante do Altair. Tem relatos de pescaria de burriquete dentro dos porões do mesmo... eu desconheço esta prática pq quando comecei a ir em naufrágios assim já não havia muito peixe no mar. Eu pesquei corvinas no "costado" dos restos de navios... um amigo já pescou até mesmo uma garoupa. Na atualidade pescaria é no aberto mesmo... acha o lugar ideal, tenta, muda de lugar, até encontrar o dia e local mágico. Normalmente volta pra casa sonhando como poderia ter sido, mas pescaria tem este sabor mesmo. É uma mistura de sair da realidade com aproveitar a natureza, e se tudo estive ao seu favor, volta pra casa com um peixe legal. Pescaria é conhecimento, pouco de sorte, mas na verdade uma grande loteria. Não tem mais peixe como antes... contudo, histórias sempre tem, e é nestas que devemos nos apegar. Cada peixe vira uma história muito legal. A foto de cima é do Altair, tirada em 2005, por este que vos escreve. 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Farol do Albardão

Farol do Albardão, 2005.

Muito longe... longe pra dedéu! Uns 100 km ao sul da Praia do Cassino. Fácil de chegar quando a praia ajuda... não tem erro no caminho. Mira no horizonte paralelo a praia e vai. Tem que estar bem acompanhado, com fé que a praia vai estar boa. Se vai ter peixe... bom, isto é pescaria. Pescaria é o mesmo que loteria... deu peixe? Sim, sairam papaterras, arraias e até uma viola que voltou pra água. Em 2005 já estava proibida a viola... então, tem que soltar! A foto... não é grande coisa, naquele tempo eu tinha esta Sony H1, de 5 megapixels. Têm celular que tem mais que isto hoje em dia... hehehehe
Bom, esta é a cara do farol... com as casas que estão lá em torno do mesmo, com placa de propriedade da Marinha do Brasil. Aquela caixa em frente é um container que chegou ali depois de uma ressaca, nos dias que lá estivemos, foi nossa casa. Dizem que ele está bem podre... não sei, nunca mais voltei. Tenho saudade, mas tenho outro lugar mais perto e preferido, e quase nunca tenho tempo, então fica difícil de voltar. Saudade dos amigos que lá estreitei os laços da amizade... pq depois de 4 dias, ou vc fica amigo ou inimigo de alguém. As condições eram extremas... grandes amigos se criam em histórias assim!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Natureza...


Ando contando os dias para uma fuga pesqueira... será que vai rolar uns papaterras? Nesta época do ano eu gosto de pescar, mas quase nunca consigo ir. Também tenho receio pelo menor movimento nos locais desertos, pq se vais atolar na areia, que esteja em pelo menos dois... sair sozinho é possível, mas muito mais difícil. 
Olhando as fotos que tinha dos lugares que já estive pescando no litoral gaúcho, me deparei com algumas que fiz de pássaros e paisagens. Se não é a pescaria que nos prende a lugares assim, deve-se ao próprio cenário. O entardecer é sempre imperdível. Sinto saudades de locais assim, ainda mais que este ano viajarei e ficarei fora por uns 3 meses. Volto bem no meio da temporada de pesca... mas até lá vou fazer umas escapadas pra pegar o meu peixe preferido.