segunda-feira, 28 de abril de 2014

Pesca com calor... e pesca com frio!


A pescaria aqui no RS é uma oportunidade ímpar de pegar não somente peixes... mas também de se molhar em um mar frio de doer. O vento quando é de sul, corta o vivente pelo meio... sim, metade dele quer estar ali pescando, a outra metade pensa que a cama quente é o melhor lugar do mundo! Quando não tem alternativa, mais negócio é usar roupa de borracha, manter-se seco da cintura para cima, se possível usando um casaco para não perder o gosto da pescaria. Nos últimos dias invadiu novamente o frio, com a chegada do outono, parece que até a água já esfriou... aliás, deve estar ótimo pra tentar uns papaterras, quem sabe até uns burriquetes. Se aqui é frio, nada dá pra fazer... o negócio é improvisar e ir ao mar mais protegido, mas buscar uns papas para diversão e frito no retorno a casa quente. Feliz é aquele pescador que tem um freezer grande, capaz de armazenar o fruto da produção dos meses quentes. Depois é só curti... de vez em quando, abre o freezer, derrete o peixe, faz ensopado! Nesta época é bom demais. 

domingo, 27 de abril de 2014

As grandes corvinas...


Quando eu vejo pescadores falando de corvinas grandes com 3 ou 4 kg fico me perguntando o que eles já viram de pescaria... certamente não foi muito, pq corvinas grandes são as que já vimos no litoral do RS. Pra não fazer aquilo que muitos fazem quando chutam o peso dos peixes, nós pesamos. Neste dia, pescamos algumas corvinas... acho que pesquei ao todo, cinco exemplares, e Marcio pegou acho que umas duas ou três. Contudo, Marcio pegou a maior de todas... que pesou 7,5 kg. As três primeiras corvinas que peguei neste dia, tinham respectivamente, 6.800, 6.500 e 6.200 kg. Se me lembro bem, as demais que pesquei no dia eram menores, mas ainda possuiam mais  de 5 kg. Era um cardume todo de peixes graúdos... não tanto quanto aquela que vi nesta última temporada. Aquela que se tornou uma ambição para mim... aquela corvina com mais de 10 kg, que eu já havia escutado falar, mas não acreditado. Coisas de pescaria... mas taí a prova de que corvinas pesadas existem! Elas giram sempre em 6 kg, são chamadas de "cascudas" pelos pescadores locais. Este ano pesquei apenas corvinas pequenas... de 3 a 5 kg, mas o futuro me reserva algo muito especial, com certeza. Nas imagens, o amigo Marcio limpa as corvinas. Note que o peixe quase atinge o chão com a cauda e a ponta da cabeça esta na altura da cintura. Na fotografia, o peixe esta ao lado, não para frente como muitos "embromadores" gostam de fazer. Na recordação de troféus, apenas os pescadores de peixes pequenos tentam aumentar o tamanho do troféu.

Texto e Fotos: Roberto Furtado

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Farol Conceição... mais do mesmo!


Em um dia de mar baixo, anos atrás, enquanto eu e meu pai pescávamos, passamos pelo farol caído para fazer umas fotos. Ao que parece, naquele tempo o farol costumava ficar mais tempo fora dágua. Hoje em dia, quase sempre que passo por ali vejo o farol praticamente afogado no mar. Esta fotografia do alto, onde aparece o meu pai, evidencia o tamanho e o formato da base do farol "assombrado" pelas lendas e pelo mar que reconquistou um pedaço de chão. Gostaria de frisar novamente aos futuros entusiastas, que lembrem que o mar nesta região é extremamente perigoso. Ele tem até mesmo fossas de barro no leito do mar... o que pode surpreender um pescador ou banhista que caminha para o arremesso. Portanto, aviso sobre os riscos é uma recomendação necessária. Nem tudo são peixes... principalmente em lugares assim, onde a correnteza é forte como em poucos lugares. 

Texto e Fotos: Roberto Furtado

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Lixo no mar...

 O lixo no mar é uma realidade que muitas pessoas desconhecem. Não sei se é falta de imaginação ou se é falta de capacidade de entender os problemas que isto pode gerar. Para um colecionador de garrafas e frascos de vidro, ou de lâmpadas diferentes, o melhor lugar para garimpar é a beira de praia. Perdi as contas de quantas vezes me deparei com garrafas e lampadas que jamais havia visto antes. Nestas surpresas de beira do mar é possível observar que tudo que retorna as praias, acaba sendo habitado por algum tipo de vida marinha. Na ilustração, podemos ver que ela esta tomada de moluscos residentes. Olhando de perto era possível observar alguns crustáceos igualmente interessantes. 
 Afinal de contas... como este lixo acaba no mar? Em muitos casos podemos dizer que existe duas formas bastante claras. Sendo uma delas através do mananciais hídricos e outra por embarcações que pensam que o mar é um ótimo descarte de lixo. Eventualmente, mas nem tanto, observar-se piche e outros resíduos a beira de praia. Os navios adoram lavar os porões no mar... e é neste momento que ocorre um crime ambiental que geralmente fica impune. Culpar apenas as embarcações e indústrias costeiras é bastante fácil... basta acompanhar de perto para ver que muita coisa esta errada, mas parece que não há como fiscalizar tudo que ocorre. E não podemos esquecer que as grandes poluidoras são as cidades. O descarte inadequado muitas vezes acaba nos bueiros, que na sequência termina nos rios, e os rios volta e meia finalizam nos oceanos. A garrafa em questão, da ilustração, possivelmente veio de uma embarcação, ficou a deriva com as correntes, enquanto isto a vida se fixou nela. Agora, por fim, ela aporta na praia, embelezando o cenário. Veja como é bonito uma garrafa na beira da praia! Pode ser que esta garrafa seja sua!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Arenitos e turfas...


Aproveitando que recentemente falei sobre o Farol Conceição, publico imagens sobre as formações esculpidas pelo mar. Este material, embora pareça rígido, é macio como barro. Algumas pessoas chamam de barro preto, outras de turfa e ouvi também comentários sobre arenitos. Pesquisando, descobri que existem formações chamadas de arenitos, porém nunca as encontrei. Suponho, de forma totalmente desconhecedora, que estas "ilhas" de turfa estejam relacionadas diretamente com os arenitos descritos. Tanto pela região indicada, como também por um apontamento sobre a formação dos arenitos ser formada no auxílio do efeito do sol e da água. A verdade desconheço, também nunca vi algo que pudesse ser chamado de arenito. Conheço apenas estas "mantas" de turfa esculpidas pelo vento, mar e tempo. Estas formações parecem ser muito perigosas para pescadores e banhistas. Dizem, e apenas ouvi falar de populares, que entre estas formações podem ocorrer fossas profundas onde uma pessoa poderia ficar presa. Não sei se é verdade, mas o mar nesta região possui características extras para eu não ter entrado mais do que a altura do joelho. Em muitos dias do ano, nesta região, a água de beira corre forte paralelamente a praia. Isto possibilita a formação de valos fundos e definidos, porém de períodos restritos para pescaria. É um lugar que é difícil de acertar a pescaria, principalmente por estes perigos locais e pela forte correnteza. Nesta região, uma das únicas vezes pesquei diversos papaterras (betara ou perna de moça) de porte bom, com características diferentes. Estes foram indicados por um pescador local como "papaterras da asa amarela", referindo-se as nadadeiras bem amarelas que possuíam. Pesquei em muitos lugares do RS, litoral farto de papaterras, mas somente neste lugar vi tais peixes. O pescador local também disse que eles não eram muito comuns, que geralmente apareciam com mar de sul. Juntar as informações é importante... uma hora destas repito o feito para reportar o fato. 

domingo, 6 de abril de 2014

O farol Conceição e as histórias


As histórias de grandes peixes...

Já falei algumas vezes sobre meu desejo por pescar em lugares distantes... aqui, neste canal de entretenimento comentei isto. Quando criança sonhava com estes locais, acreditando que eles eram mágicos pesqueiros. Em parte, estes sonhos carregavam verdades sobre estes locais. Vi peixes enormes em locais como este... se a literatura científica falava de peixes com até 7 kg, em lugares vi peixes com 8 ou 9, talvez 10 kg. Exatamente como a corvina que vi neste último verão, capturada em uma rede de pesca de passeio... Um senhor com alguns peixes em um reboque, dois rapazes que o ajudavam. Encostei o carro perto do vivente e perguntei: "Pegou algum peixe bom?" Ele disse, peguei um burriquete grande. Curioso, saí do carro e fui até o reboque. No reboque havia alguns peixes, dentre eles um burriquete pequeno, com cerca de 1,5 kg. E duas corvinas... mas uma das corvinas me espantou. Olhei para ela e fiquei tentando precisar o peso do peixe... olhei para a corvina menor, que parecia pequena perto dela e usei de referência para começar a análise. A corvina pequena, igual a dezenas que já pesquei, deveria ter uns 4 ou 5 kg, era uma corvina muito boa. E a corvina grande era realmente um monstro, lamento não ter fotografado. Deixei de fotografar pq estava sozinho na beira de praia e tenho receio mostrar meu material fotográfico a estranhos, pq pode despertar nestes algum tipo de sentimento "humano".
Na busca por precisar o tamanho do peixe, falei para aquele senhor que o peixe era uma corvina, e não um burriquete como ele pensava. Ele disse pra mim, "mas deve ter uns 11 kg, não pode ser corvina deste tamanho."  Mostrei para ele que a corvina possuía formato e características muito diferentes do burriquete. Argumentei... "O burriquete e a miraguaia, que o senhor sabe ser o mesmo peixe com idades diferentes, possuem barbilhões na parte inferior externa da boca. Este peixe é dourado... não tem burriquete desta cor com este tamanho. Olhe a cauda da outra corvina, é igual, olha a cauda do burriquete, não possui o reforço central!" Ambos, pasmos, olhavam para uma corvina com mais de 10 kg. Eu nunca havia visto, embora tivesse escutado histórias de peixes grandes com mais de 12 kg, nas histórias de moradores antigos da beira de praia. Puxei o peixe para ficar paralelo a tampa do reboque e peguntei para o proprietário: "O senhor sabe a largura do seu reboque?" Ele respondeu, "este reboque tem 110 cm de largura!" A corvina não atingia o comprimento total... faltava mais ou menos uns 4 cm de cada lado, que eu concluí ser mais ou menos um metro. Levantando nos braços a corvina, pensei que ela tivesse mais de 10 kg, mas achei prudente dizer que ela deveria ter quase 10 kg, pois ninguém acreditaria mesmo... apenas meus amigos de beira de praia conhecem estes fenômenos especiais da natureza, onde o destino conspirava a favor do peixe e ele escapa de todas as redes. 

O farol Conceição

O farol das imagens é conhecido como farol Conceição, ele fica alguns km abaixo do vilarejo do Bujuru, ao sul de Mostardas e ao norte de São José do Norte. É uma região bastante isolada, onde vivem alguns pescadores e "ceboleiros", também pessoas que vivem da plantação de pinus para corte e fornecimento de madeira. Nesta região, ao que parece, o mar esta pedindo de volta a faixa de areia que é de conhecimento da Marinha do Brasil. Na imagem mais ao alto é possível observar um objeto dentro do mar, alguns destroços no meio da praia, e um farol de ferro. A história é curiosa, embora, natural! O farol da conceição é um farol que foi construído em material, possuindo originalmente base sextavada, como quase é possível observar na imagem. Aquela base, embora não pareça tão grande, deve ter uns 5-7 metros de largura, pelo menos. Já fui até ali em dias de mar baixo e coloquei a mão na base para sentir a energia da história. O "farol caído", como ficou conhecido, descansa em um lugar que um dia foi areia. Ele esta, agora, aonde era a beira de praia. A ponta mais alta do farol ainda existe, quebrada, e atinge o valo fundo. Seria um lugar muito bom de pescar se não fosse perigoso e difícil de remover a chumbada. Nesta região aflora, em toda extensão de praia, a turfa sedimentada no passado distante. A turfa foi o resultado de milhares de anos da lagoa que vinha até esta região. A lagoa em questão é a atual lagoa dos patos. Antes da queda do farol caído até o tombamento, havia na região uma lenda de fantasmas ou algo relacionado. Cuja história era contada por moradores locais antigos, algo que não consegui descobrir com precisão, pois quem contou foi morador da região que por sua vez recebeu a história do pai, já falecido. Não encontrei mais este morador, e um dia pretendo encontrar outro caminho desta história, para que então seja contada da mesma forma, se for verdade, ou esclarecida de uma maneira mais provável e completa. O farol caído, ao que entendi, era assombrado, talvez amaldiçoado pelo mar, que por vigança derrubou a obra do homem. Estas, são histórias do homem, do mar e que ganham "entornos" diferentes com o passar dos anos. Se o farol realmente era assombrado, não sei... talvez por alguma garoupa residente, talvez por gatanhões, mexilhões e outros seres vivos da região costeira. Prefiro pensar que em toda história do farol caído esteja plantada a paixão dos pescadores que frequentam a região, e que um dia estes estejam contando histórias assim a seus netos.