sábado, 31 de maio de 2014

Miraguaia... gold drum?

Black "gold" Drum, de Marcio Fagundes, 2006.

Algum tempo atrás, enquanto pescávamos nem me recordo mais o que... eu e Marcio voltávamos frustrados de uma pescaria com poucos e pequenos peixes, depois de um dia de insistente pescaria. Meio fora da proposta, retornamos aos poucos para o QG de pesca. Ao passar por um naufrágio, observamos que o vento sul tocava forte. Marcio olhou e quis tentar o pesqueiro, e me perguntou: "Não vai tentar?" 
Respondi... "tu tá louco que vou entrar neste navio pra arriscar não pegar nada." Já devidamente acomodado em roupas secas. Entrou de prancha e colocou a linha... em seguida bateu. Pau... terminou de recolher, anzol na praia! O peixe cuspiu o anzol... iscou de novo com marisco fechado e colocou no mesmo lugar. Bateu! Foi de novo... desta vez, veio uma corvina de 3,5 kg! Xiiii... tá cheio de corvina ao lado do naufrágio. "É só o que tem!", disse pra ele. Contudo, o sacrifício para pescar neste navio não compensava para pescar corvinas. Se o leitor do texto me permite a recusa, corvinas pesco na praia, muitas vezes sem molhar os pés.
Marcio, muito insistente falou... "Beto, me arruma um siri!" Então fui buscar um bom siri e consegui com pescadores na beira da praia. Iscamos, entrou de novo... na terceira vez o vivente já tava mortinho, mas dizia que estava ótimo. Tá pensando que é fácil puxar linha pro meio do mar quando bate o sul? Eu, ele e outros amigos já entramos centenas de vezes no mar... inclusive uma vez tive receio de perder a vida. Então a cautela já era forte neste que vos escreve. Bom, o caniço ficou lá... desta vez ficou quieto! Voltamos pro carro pra nos defender do frio, e ficamos conversando a respeito do dia e de outras investidas pesqueiras. Logo depois apareceram uns pescadores perguntando de peixe... e Marcio saiu do carro e foi conversar com eles. Fiquei ali, no carro, abrigado do vento e de olho no caniço. O caniço firme, embodocado, oscilando muito pouco devido a forte pressão do mar. Fiquei olhando, olhando, olhando... e Marcio de prosa com pescadores. Foi então que o caniço pegou pressão, pegou mais pressão, mais um pouco, sacudiu e foi perdendo pressão pra trás. E foi de novo pra frente pra tirar qualquer dúvida que pudesse existir. Tive que avisar o vivente que o caniço dele tava batido... ele não viu nada. Brigou com peixe, que ao sair da água, percebemos que era de ouro... uma pequena miraguaia de ouro!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Os concheiros...

Concheiros do Albardão, 2005.
Muito longe da capital... assim vejo os concheiros do albardão. A região é um depósito natural de "cascas" dos moluscos que habitam o atlântico. Dizem, e eu não sei a veracidade dos fatos, que os concheiros estão aumentando em extensão. Os motivos são apontados para a alteração da barra de Rio Grande, pelos conhecidos moles de Rio Grande, que se estendem além da praia do Cassino. Descrevem interessados a questão das alterações das correntes e que a mais de uma centena de km dali se deposita os restos sólidos dos moluscos. A deposição de conchas na atualidade se estende por mais de 50 km sem interrupções, mas é visível a variação das concentrações destas conchas. Obviamente, juntamente com elas surgem muitos fósseis, por isto é recomendado que não se trafegue com o carro pela região. Além do mais, sabe-se que é proibido trafegar de carro pela orla marítima. Sendo que não há estrada na região, entende-se que o local é inacessível, pois entre a estrada que passa próximo dali e a beira da praia a distância é superior a 16 km em grande parte do trajeto. Além disso, bem próximo da região esta a lagoa Mangueira e o parque Taim. A beira de praia para os lados do Albardão é um dos lugares mais inacessíveis e de boa pesca em todo Brasil. O cenário é lindo, remete o pescador ao passado, quando as praias eram praticamente habitadas somente por pescadores locais em casebres de madeira. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Um burriquete... e considerações sobre a pesca comercial

Durante muito tempo a gente perseguiu as miraguaias... peixe permitido para pesca quando capturado em tamanho mínimo. 
Eu e o amigo Fagundes entramos numa trilha de aprendizado para encontrar o peixe que já era quase uma lenda. Não havia muitos e parece que hoje há ainda menos peixes desta espécie adultos. Por outro lado, temporada passada foi grande a notícia a respeito. Havia centenas de relatos por toda costa gaúcha, em algumas coincidências falava-se do mesmo peixe de Torres ao Chuí em mesma data. Isto foi na última temporada, mais próximo do final de ano. Na foto de uns 7 anos atrás, Fagundes ergue um burriquete que imagino ter uns 11-12 kg. Muito diferente destes que andaram saindo em 2013. Evidentemente os juvenis de 2013 são de uma mesma geração que por algum motivo escaparam da pancada dos arrastos impiedosos. A parte boa de ter esta notícia é que as ações de fiscalização estão surtindo efeito. A corvina esta sendo menos pescadas por seu baixo valor agregado, e possivelmente os burriquetes confundidos pelo sonar estão também sendo poupados. Agora resta torcer para que seja verdade que o IBAMA e os Ministérios da Pesca e da Agricultura estejam organizando o cerco contra a pesca predatória por meio de forte fiscalização, como estão sendo passados os boatos. Cada um destes orgãos correspondem a exercícios fiscais diferentes e é justamente isto que possibilita a uma ação desagregada um do outro, mas com efeitos em conjunto. Sendo assim, em mais um ou dois anos veremos burriquetes desta natureza em abundância. Que assim seja... pescador de praia, denuncie arrastos e pescas predatórias. Ao sinal de peixe abaixo da tabela ou proibidos, denuncie! Aqui esta o número da linha verde: 

0800-618080 ou http://www.ibama.gov.br

Aqui fala-se sobre tamanho mínimo, ministério da pesca:

domingo, 25 de maio de 2014

Naufrágio Altair


Quem é aventureiro do litoral vai curtir... O litoral possui centenas de naufrágios. A grande maioria dos naufrágios aconteceu muito tempo atrás, possivelmente em decorrência da falta de tecnologia dos barcos e dificuldades para remover os navios dos bancos de areia. O Altair deve ser o naufrágio mais famoso da praia do cassino e muitas pessoas já pescaram nele... contam os relatos dos mais antigos que muitos buriquetes e miraguaias foram pescados na parte mais distante do Altair. Tem relatos de pescaria de burriquete dentro dos porões do mesmo... eu desconheço esta prática pq quando comecei a ir em naufrágios assim já não havia muito peixe no mar. Eu pesquei corvinas no "costado" dos restos de navios... um amigo já pescou até mesmo uma garoupa. Na atualidade pescaria é no aberto mesmo... acha o lugar ideal, tenta, muda de lugar, até encontrar o dia e local mágico. Normalmente volta pra casa sonhando como poderia ter sido, mas pescaria tem este sabor mesmo. É uma mistura de sair da realidade com aproveitar a natureza, e se tudo estive ao seu favor, volta pra casa com um peixe legal. Pescaria é conhecimento, pouco de sorte, mas na verdade uma grande loteria. Não tem mais peixe como antes... contudo, histórias sempre tem, e é nestas que devemos nos apegar. Cada peixe vira uma história muito legal. A foto de cima é do Altair, tirada em 2005, por este que vos escreve. 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Farol do Albardão

Farol do Albardão, 2005.

Muito longe... longe pra dedéu! Uns 100 km ao sul da Praia do Cassino. Fácil de chegar quando a praia ajuda... não tem erro no caminho. Mira no horizonte paralelo a praia e vai. Tem que estar bem acompanhado, com fé que a praia vai estar boa. Se vai ter peixe... bom, isto é pescaria. Pescaria é o mesmo que loteria... deu peixe? Sim, sairam papaterras, arraias e até uma viola que voltou pra água. Em 2005 já estava proibida a viola... então, tem que soltar! A foto... não é grande coisa, naquele tempo eu tinha esta Sony H1, de 5 megapixels. Têm celular que tem mais que isto hoje em dia... hehehehe
Bom, esta é a cara do farol... com as casas que estão lá em torno do mesmo, com placa de propriedade da Marinha do Brasil. Aquela caixa em frente é um container que chegou ali depois de uma ressaca, nos dias que lá estivemos, foi nossa casa. Dizem que ele está bem podre... não sei, nunca mais voltei. Tenho saudade, mas tenho outro lugar mais perto e preferido, e quase nunca tenho tempo, então fica difícil de voltar. Saudade dos amigos que lá estreitei os laços da amizade... pq depois de 4 dias, ou vc fica amigo ou inimigo de alguém. As condições eram extremas... grandes amigos se criam em histórias assim!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Natureza...


Ando contando os dias para uma fuga pesqueira... será que vai rolar uns papaterras? Nesta época do ano eu gosto de pescar, mas quase nunca consigo ir. Também tenho receio pelo menor movimento nos locais desertos, pq se vais atolar na areia, que esteja em pelo menos dois... sair sozinho é possível, mas muito mais difícil. 
Olhando as fotos que tinha dos lugares que já estive pescando no litoral gaúcho, me deparei com algumas que fiz de pássaros e paisagens. Se não é a pescaria que nos prende a lugares assim, deve-se ao próprio cenário. O entardecer é sempre imperdível. Sinto saudades de locais assim, ainda mais que este ano viajarei e ficarei fora por uns 3 meses. Volto bem no meio da temporada de pesca... mas até lá vou fazer umas escapadas pra pegar o meu peixe preferido.