terça-feira, 24 de junho de 2014

Liberdade


O sentimento é único e incompreensível para aqueles que não viveram. As histórias não podem ser contadas na íntegra por fotos ou textos. Afirmativas marcantes não expressam nenhum momento vivido com emoção. Ando com muita saudade de chão de praia e linha nágua, indescritível sentimento. As vezes, me grudo nas fotos que fiz nestas aventuras, pq por hora é o máximo que posso fazer. A liberdade vivida nestes momentos é uma situação inexplicável! Conto as horas pra aparecer no encontro do continente com o mar. A rivalidade pacífica entre areia e água, marca uma linha imaginária que se desloca no tempo entre vai e vem. A água sobe e desce, por vezes dá uma lavada na meia praia. Leva alimento para dentro do mar, traz peixes para a beira para o banquete de crustáceos e moluscos. Estranha forma de observar, sempre lá, acontecendo, minuto a minuto... mesmo quando estou aqui, como agora, sentado em frente ao computador. Estou aqui, sonhando e teclando algo que vai acontecer em breve... mesmo que incerto de data. É a liberdade... me permito sonhar!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Não olhe para trás

Difícil escrever ou abordar questões sem colocar o peso de suas próprias impressões. É um fato! Carregamos sempre nossas experiências em tudo que nos envolvemos. O passado se reflete no presente... por isto muitas pessoas tem algum fantasma. As vezes a gente percebe isto conversando ou convivendo com as pessoas...
No ofício de trabalhar muito em finais de semana, acabei perdendo o contato com alguns amigos. Minhas folgas, quando aconteciam, eram de meio de semana. Isto acabou me fazendo pescar muitas vezes sozinho... o que têm lá suas vantagens, mas também desvantagens. Aventurar-se sozinho pelo litoral do RS poderia ter mais de um tipo de perigo. Como em certa vez que dormi no interior do carro e no meio da noite acordei com um barulho. Pela manhã alguém havia tentado roubar-me os caniços. Evidente que eu estava protegido... além de um anjo forte, ainda havia com o que me defender. Fotógrafos Andarilhos aprendem na marra algumas coisas nesta vida... uma delas é saber lidar com certas situações, não importa quão inocente ou bom vc seja, no ofício de repórter fotográfico, do tipo que dorme em qualquer lugar, vc aprende muita coisa. Isto, os que dormem em apartamentos, casas ou hotéis, jamais aprenderão. É o tipo de coisa que a gente deve vivenciar... Sempre digo que não sou mais ou mesmo. Não sou mais um guri para realizar algumas coisas, estou mais fraco para outras onde a juventude adolescente é uma virtude, mas estou muito forte em outros quesitos que jamais imaginei. Realmente, para saber é preciso viver! Dormi muitas vezes no chão, na areia, dentro de um carro, no chão de ônibus e vans. Dormi em pulgueiros... peguei pulgas, carrapatos, bicho de pé e outras perebas do ofício aventureiro. Me pergunta se deixei de amar esta vida... te responderei que não. Eu nasci para isto, e por tal motivo me tornei um profissional da mídia como poucos. Este ofício de repórter fotográfico exige estas "qualidades" se vc quiser ser realmente um profissional reconhecido. Reconhecido não tem relação com dinheiro, antes que alguém pense ao contrário. Se vc quer ganhar dinheiro com fotografia vai fazer casamentos e festas familiares. O resto é pingadinho... exceto se vc for um bom puxa sacos e político. 
Nas andanças que fiz pelo meu pequeno mundo aprendi algumas coisas... uma delas é não olhar para trás. Olhar para trás quando se vai a um lugar bonito, faz vc se arrepender da decisão de partir. Se algum lugar alguém ou algo espera por vc, ao olhar para trás vai se arrepender de muitas escolhas. Se vc olhar para trás, olhe ainda bem antes de partir, pq já vi gente que não partiu pq olhou para trás na hora H. As pescarias mais felizes de minha vida foram muitas... com amigos, sozinho, com a presença de algo inexplicável. Acho que este algo inexplicável é o que muitos chamam de Deus ou entidades invisíveis, mas eu reconheço apenas com uma energia boa que faz vc valorizar cada segundo de ar que respira. Estar na beira da praia, para mim,  é o paraíso. Não olhe para trás... conselho de amigo! 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A bagulhada...

pescaria, 2008. Roberto Furtado.com

Algumas vezes me perdi na organização da "tralha de pesca", esquecendo algum material de importância para pescaria. Certa vez, esqueci a caixa de chumbadas, em outra oportunidade, me preocupei tanto com a estrutura do local que esqueci as carretilhas. Não me deixa mentir um amigo, Fagundes, que precisou me emprestar o que deixei em casa. Por estas e outras, sigo mais ou menos um procedimento de organização. No dia anterior, se possível, deixo tudo pronto e refaço a contagem do material. Já adotei o sistema de check list, mas o problema é que em cada pescaria vc precisa de coisas diferentes. O pescador não vai levar sempre todo material, então é melhor fazer uma organização com calma, antes da ida. O planejamento faz parte da pescaria... Se vou para pescar corvinas de arremesso, não levarei prancha e pé de pato, tampouco pinos enormes para pescar em naufrágios, menos ainda carretilhas grandes como Penn 500. Se vamos para pescar papaterras, enxuga-se o material, conta-se perfeitamente tudo que vai precisar para "efetivar" o arremesso. De preferência que a carretilha já esteja embuchada com linha, arranque e chicote. Coloca os anzóis na hora, da mesma forma chumbada. Então é só iscar... não vai esquecer a linha elástica, tal de elastricot. Pescar sem linha elástica é possível, principalmente para aqueles dias que não há peixes pequenos e as batidas acontecem rapidamente, mas pq deixar em casa algo tão importante?
Pescaria é um plano a traçar... você vai para se divertir. Não pode esquecer nada que resulte na perda de desempenho. Em primeiro plano a segurança, em segundo o conforto, em terceiro todo material de pesca. Na segurança podes considerar caniços bem amarrados no carro, carro revisado, medicamentos necessários (aí vai de cada um), etc. No conforto, alimentos e roupas, e demais relacionados ao bem estar durante e entre pescarias. E o material de pesca, a bagulhada... se vc vai pescar, não esqueça nada. Isto faz diferença até mesmo como efeito psicológico. Mente inquieta é o mesmo que estar a 70% do desempenho pesqueiro, ou, até menos!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A bagunça na pesca... amizades!


Estou certo de que muitos dos pescadores vão concordar com o tema e lembrar de suas histórias. A bagunça que ocorre nas pescarias é a mesma que os pescadores viveram na infância. Quando joga-se nove pescadores em uma van (sprinter) com o objetivo de oportunizar 4 dias de pescaria, podemos dizer que é certo que a quantidade de risadas e brincadeiras é maior do que da média cotidiana. A gente vai em busca de pescaria com os amigos pra viver grandes aventuras pesqueiras... é garantia para recuperar as energias para viver a vida de trabalho. "Se vive para viver!" E nem entendo como tem gente que vive apenas para o trabalho. Sei que pesco muito pouco na atualidade, mas cada pescaria é uma recordação pra vida toda. O omelhordapesca.com também tem esta finalidade. Junta todo mundo, mesmo que a distância, e a gente vai lembrando e contando histórias. Acha as fotos certas, conta as histórias... assim o dia a dia passa diferente, com a esperança de reviver tudo de novo.
Na foto ao alto, um amigo que há tempos não vejo, Thum, briga com uma arraia morcego, pensando que era outra coisa, evidente! Na verdade a gente até sabia o que era, mas foi bom dar esperança a um amigo, e afinal de contas, importante é sentir e mostrar as habilidades de pesca. Na foto menor, amigo Canali e eu, mostramos corvina pequena que capturamos de forma diferente. Em locais tranquilos, corvinas e papaterras, também pequenos cações fiuza, costumam caçar tatuíras bem na beiradinha. Muitas vezes são surpreendidos por uma onda forte que os deixa no seco... isto aconteceu algumas vezes em minha presença. Canali e eu dividimos o peixe. Na Verdade ele levou o peixe inteiro, mas dividimos a reputação de captura. Estes fatos são brincadeiras únicas... pescaria é algo exclusivo daqueles que sabem pescar, brincar e lembrar. O grande barato do minha turma é que não tem bebida. Bebida e mar não combinam... então fica a dica de segurança. Se vai pescar ou dirigir, não beba! 

Fotos e texto: Roberto Furtado