quarta-feira, 30 de julho de 2014

Entendimento de "pescaria"...

Dunas Altas, 2011.
É relativo... Algumas pessoas olham para este tipo de mar e ficam totalmente desmotivadas. Preferem as águas cristalinas das praias de outros estados brasileiros. Se engana quem acha que água cristalina acomoda mais riqueza que estas gélidas e turvas águas do sul. Aqui, nestes mares, escondem-se grandes cardumes, grandes peixes... belas oportunidades! Há tempos que acompanho este litoral e posso dizer que prefiro ele assim do que ele cristalino o mês inteiro. É mais fácil ocorrer a passagem de grandes cardumes com mar de chocolate do que em mar cristalino, talvez motivo pelo qual tantos pesqueiros catarinenses venham "roubar" peixe aqui. Vc já ouviu falar de histórias de grandes cardumes de corvinas e miraguaias na costa de SP, PR e SC? Talvez no passado... as águas límpidas já não abrigam mais peixes como antes, nem mesmo aqui no RS é assim, ainda que muito mais produtivo para pescadores de beira de praia. Receio não haver um litoral tão rico como este dos gaúchos. Aqui têm mais peixe em um mês do que o ano todo no resto país tudo junto... e falo por experiência própria e por algumas mensagens que tenho recebido. Tem gente de todo Brasil perguntando o que faço de diferente... Na verdade não tem muito mistério. Tem que saber pescar, mas tem que ter peixe no lugar. A maioria dos pescadores chegam na praia, montam um barraca, churrasqueira, não olham para a areia da praia, abrem uma cerveja, depois outra, e por diante se vão. Isto não é pescaria! Isto é um acampamento com intuito de fuga de casa, do trabalho ou até mesmo uma chance de brincar de indiana jones. Não faço isto... os pescadores de melhor qualidade que conheço, também não. Pescador é um vivente que vai atrás da notícia, do peixe, entende o mar... perde tempo avaliando. Arremessa um caniço antes de fazer acampamento... pescador que bebe não é pescador. Eis a má fama dos pescadores... uma mão no caniço outra numa garrafa de cachaça. Quem vai a praia para beber... pode se dar o luxo de escolher qualquer mar, cristalino, de ressaca, com ou sem vento, de barraca no topo da duna, etc. As conversas que tenho com ditos pescadores quase sempre são as mesmas... as fotos idem. Os caras reunidos, pelo menos um segura a bebida alcoólica. Um monte de papaterras duros e secos na areia, quando tem uma corvina ela esta seca e avermelhada do sol.
Pescou, limpa o peixe na hora... coloca no gelo, acomoda bem o pescado para curtir uma boa refeição com a família. Pesca pensando, reflete no ocorrido, adiciona a experiência para uma oportunidade futura. Repara na água, nas iscas disponíveis no dia, cardume de peixe nas redes dos pescadores, escuta as histórias, pergunta... descobre como estava o mar quando rolou o fenômeno. Pescador de verdade acompanha previsão do tempo, se preocupa em saber se a previsão acertou. Repara os ciclos do mar... eles são parecidos, quase sempre! Cuida a entrada do peixe... em 2011 foi em final de setembro, 2012 em início de outubro, 2013 foi em meio de outubro, já tens uma estatística. Compara o tipo de mar, correntes que trouxeram estes peixes... pescador bom tem que ter entendimento do que esta acontecendo, é um pesquisador do seu habitat! Vai... interage! Pensa nisto...

sábado, 19 de julho de 2014

Morde a faca e vai...

Imagem meramente ilustrativa
Muitas pessoas ficam perguntando "como faz pra pescar peixes bons" no nosso litoral, como se houvesse um segredo. Estou curtindo as mensagens que recebo por email, mas infelizmente não tenho como devolver uma resposta adequada para cada um que me escreve. Tento sanar algumas questões com o que escrevo aqui e, muitas respostas não tenho para oferecer, pois sou mais um aprendiz. Aprendi muito com meus amigos de pescaria, outro tanto com a observação e insistência. Faz parte do pescador perguntar-se dos "pqs e como"? Quem não pergunta, não se questiona, não aprende!
Um dia, solitário no distante litoral, de carro saí circulando em busca de um bom pesqueiro... já estava longe de casa. Lá pras bandas do farol caído. Aquela região me bota medo por questões diferentes, sempre tenho muito cuidado ao trafegar por lá. É uma terra de ninguém, onde qualquer pessoa que por ali passa pode ser um foragido, assassino, ladrão, etc. Também é uma região que pra engolir um automóvel não precisa muito... estacionou mal e deu as costas pro carro, em 15 minutos teu carro tá com o motor encostado na areia. Aí, nem cristo te tira dali... como não tem nada na região, se fores sair caminhando pela praia até encontrar ajuda, depois de algumas horas teu carro vai estar atolado até o vidro. Não duvide... já vi pescador que se acha experiente de praia, com caminhonete tracionada ver a água do mar circulando na palanca do câmbio, em menos de 2 horas. Se já assustei bastante, sei que vais ter mais cautela... é com isto que me preocupo. O litoral não é todo igual, alguns pontos podem ter características muito próprias. O negócio é avaliar bem onde se está.
Continuando... Um dia, solitário, saí circulando em busca de um bom pesqueiro... depois de muito rodar, parei em um lugar muito bonito. O lugar tinha uma buraqueira de beira de praia, depois vinha uma coroa rasa que encostava no valo fundo da última arrebentação. A arrebentação de fora tinha apenas uma pequena crista de onda que se espumava. Levantava alta, vagalhão largo e quando ia formar crista encontrava o valo fundo se esparramando em espuma. Acertei meu caniço parede 7, carretilha penn reels 140, empate feito com linha 0,80, chumbada de desarmar de 175 gramas, anzol 9/0 e bucha de marisco. Não tinha outra isca... A 140 que eu tinha estava com o rolamento direito (lado da manivela) com folga. Estava muito chato aquilo do arremesso fazer um ruído de rolamento falido. Como não tinha alternativa, vai assim mesmo... era a carretilha que eu tinha e que podia ter o maior alcance possível. Vesti o long de borracha, pois era um dia frio de final de outubro. A água de longe era cristalina e somente naquele lugar era turva. Um mar quase parado com leve pressão de norte para sul. Fui caminhando pela buraqueira, atento aos peixes que circulavam na coroa rasa. Sabia que havia corvinas circulando no litoral, pq era incrivelmente grande a quantidade de barcos pesqueiros e também era forte a notícia da cascuda. A série de ondas era bem regradinha... podia contar de 6 a 7 ondas, e calmaria de 50 segundos, me lembro bem que demorava para encostar nova série. Porém, quando a série encontrava o banco de areia, plataforma onde eu ficaria para realizar o arremesso, a pancada de onda era forte. Tinha que esperar... ia entrando, e percebia-se que a coroa era uma ferradura ali naquele local. Começava a uns 10 metros da beira com água no meio da canela e ia embora até a beira do valo, onde o final dava água na altura do peito. Confesso que era de certa forma, assustador, mas era preciso ir até ali para realizar o arremesso. Este seria o único ponto que encontrei que o "tiro" seria longo o bastante para encostar na espuma que descrevi, onde supostamente havia um banco que oferecesse alimento para o peixe que transitasse pelo valo. Eu olhava para os lados, direita e esquerda, e a arrebentação era mais distante... o mar encostava de forma mais viável naquela região. Esperei a série passar e fui para o lugar mais distante possível. Esperei e visualizei o ponto... sentei o braço o que deu, mas o arremesso não saiu bom e precisei recolher a linha novamente. Retornei para o meio do banco, me reorganizei com a linha no carretel, e tornei a arremessar quando se deu a pausa da série. O arremesso foi lindo... um golpe de sorte e dosagem correta. A linha fez uma trajetória perfeita com pouquinho vento... deu pra ver que a chumbada caiu pertinho de onde eu queria. Pouco antes do pico de ondulação. Fiquei cuidando e quando entrou a ondulação, tive a impressão que caiu pouco antes da espuma formada pelo valo fundo. Estiquei a linha do caniço na praia e deixei esperando. Fui fazer um sanduíche e tomar um refrigerante. Enquanto comia o sanduíche, vi o caniço dar uma mandada bonita, segurou pressão e aliviou bem lentamente, se perder totalmente a pressão. Corri para o caniço e estiquei a linha com alguns passos para trás, e vi que era um peixe pesado. Vinha inicialmente, sem oferecer resistência, mas pelo meio do valo deu umas corridas muito bonitas. Daquelas de não acreditar... Achei que não era corvina, pq se fosse corvina, não poderia ter o peso "morto" do arrasto que sentia no caniço. Quando o peixe não estava nadando forte, era simplesmente pesado... Na hora até pensei que fosse uma arraia grande, mas andava muito ligeiro. Quase não conseguia recolher a linha para manter esticada. Veio rapidamente até a altura do barranco do banco e de momento se negou a subir. Ali, o peixe deu mais umas mandadas muito boas e ágeis, e até me ocorreu que fosse um cação bico doce de bom porte, mas eu nunca havia pescado um, e não confiaria naquela conclusão. Com um pouco de paciência, fiz o peixe subir no banco de areia por umas duas ou três vezes, mas ele tomava fôlego e "deitava o cabelo pro valo de volta". Não dava pra segurar aquele peixe com linha 0,45mm, tinha que ter paciência mesmo. Foi então que resolvi entrar um pouco na água, subi no banco de areia que era longo... e fui tentando fazer o peixe subir de novo no banco de areia. Quando consegui, trouxe com atenção e estrela da carretilha meio aberta... recolhia a linha com a vara, segurando a pressão com o dedo no carretel e, se a pressão aumentava, removia o dedo para então deixar a carretilha trabalhar. Foi bem chatinho trabalhar este peixe... mas ele subiu no banco e mantive ele por ali e, pouco a pouco a carretilha engolia mais linha. Em dado momento vi o nó da linha 0,45 com a 0,60mm, que eu costumo chamar de "arranque". Esta linha 0,60mm representa uma 30 metros de linha, e eu gosto de ter esta quantidade de linha mais forte justamente para trabalhar o final de pesca de peixes mais pesados, além de evitar o rompimento da linha em casa de arremessos com flash. Quando eu consegui colocar duas volta de linha 0,60mm no carretel, aí vi que o combate estava finalizando ao favor do pescador. Fui "rebocando" o peixe para a beira... e vi daquela distância da linha que se tratava de um peixe bom. Desenhava a água com as nadadeiras que quase saiam para fora dágua. Quando consegui colocar o peixe na buraqueira da beira, que dava água na cintura, fiquei na diagonal da praia com o peixe, pois esta situação parecia me dar alternativa para correr junto para dentro da praia e não perder o peixe. Estava finalizando... aproveitei uma ondulação e puxei o peixe para fora, o peixe estava quase no seco. Inclinei o caniço para trás para manter a linha curta e segurei a viola pelo rabo. Me apavorei com o tamanho do bicho... era uma viola muito grande. Acho que tinha, pelo peso e comprimento, cerca de 12 kg. Removi o anzol e larguei ela de volta... saiu nadando livremente. Fiquei muito agitado com aquela captura. Nem bati foto... corri para carro, isquei o caniço de novo e repeti a operação. Deu mais uns 20 minutos e bateu outra vez... quase a mesma coisa, pouco mais tranquilo... e saiu na praia outra viola, pouco menor pelo que pude perceber, mas era outro "monstro" devia ter uns 11 kg. A primeira era tão grande, que a ponta do rabo quase encostava na altura do meu pescoço quando o bico da viola encostava no chão. Era um monstro mesmo... amarela, mais amarelada que o peixe da foto. Soltei as duas, e não bati foto pq estava sozinho, teria que montar tripé e a lida não ia permitir soltar os peixes com integridade física. Optei por soltar... Lembrando o leitor que este é um peixe proibido de abate ou mesmo de captura, e a lei livra o pescador de multa e prisão, somente se vc soltar o peixe imediatamente. Então pra não ficar em desacordo com a lei e com a consciência tranquila, o negócio é voltar pra casa só com o peixe que pode. Pesquei alguns papaterras neste dia e fiquei com a recordação de grandes peixes, que talvez um dia, possam ser pescados novamente por outro pescador sortudo.
Pra pescar grandes peixes... é preciso morder a faca. Não tenha medo, mas tenha responsabilidade. Principalmente quando estiver sozinho, não se arrisque. Pesque com segurança e com sabedoria... Morde a faca e vai no melhor arremesso que puder, pq o presente pode ser um monstro na ponta da linha. 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A saída na praia... a hora "H" pra ver o mar!


Esta cena para mim é como um video... eu já vi esta cena, talvez por mais de mil vezes. Não sei... Muda muito pouco! Difere a cor e altura do mar, altura das dunas e quantidade de areia na saída da praia. E a expectativa de pesca chega dar uma adrenalina nesta hora. Conhecer o mar é uma situação da experiência e da observação... se o palpite é bom e vc dá de cara com um marzão, bom, aí a chance aumenta. Já fui algumas dezenas de vezes pescar sozinho... de uno mille, carro que tenho. Aliás, o último, coitadinho... passou 5 temporadas de pescaria na minha mão, com todo trabalho que ofereci. De atoleiro de areia com lodo, a fofão com 50 cm de profundidade. O negócio então... sozinho, é embalar e rezar. Se der... vai de ré, vai por cima da duna firme, por cima dos capins, mas faz qualquer negócio pra não atolar. Nesta imagem aqui foi igual a andar em qualquer lugar firme... Marcio tocou devagarito, tava boa a saída. Em um oportunidade que não esqueço, com o Wlad, passamos por maus bocados. Teve lugar alagado que o uno foi silenciado por motor e escapamento coberto dágua, deve lugar que ele não subia devido ao lodo. Teve lugar tão fundo que não tinha como passar... posso garantir pra vc, mesmo que o uno seja leve e valente na água, apontado por alguns críticos como melhor automóvel para enfrentamento de enchentes, ainda desta maneira não havia como passar. Foi num lugar com mais ou menos 70-80 de profundidade, daquela de tapa o farol, que optamos por andar entre uma plantação de pinheiros. Rapaiz... imagina uma plantação de pinus, a esmo... daquelas que tem uma árvore do lado da outra. Nem pensei que passava um carro por entre elas, mas o uneira passou. Por cima de um fofo das folhas de pinus, fomos entrando mato adentro por uma região seca. O caroneiro ia a pé e na frente do carro removendo os galhos da frente do carro... e eu ali, preocupado com as distâncias dos espelhos. Dá uma paradinha... dobra os espelhos! Toca ficha... vamo embora. Foi um Camel Trophy realizado de uno mille! Logo mais conseguimos voltar pra estrada... depois de uma curva, atolamos no fofo. Cava, empurra e vai embora... até que chegamos em um lugar onde enxergamos o mar, mas ficou difícil de acreditar que passaríamos. De longe vimos uns jipeiros em uma vila de pescadores. Pensei e falei para o parceiro de pesca: "Cara, vamos tentar, se a gente ficar... chamamos ajuda!" 
De longe, os jipeiros observavam e acho que pensaram que éramos loucos... e na verdade a gente continua sendo! De uno, só podiam ser loucos! Então desci... caroneiro desceu, ambos observados pelos trilheiros. 
O obstáculo não era grande coisa pra um jipe, mas pra um uno, certamente era missão de cara ou coroa, com peso do diabo pra escolha errada. Um arroio pequeno, agora transformado em banhado devida a falta de fluxo dágua. A largura... não era muita, mas não tinha como passar correndo pq a depressão entre um lado e outro era grande. E no meio tinha muita água e no fundo havia lodo... 
Dei uma embalada com o carro, devarzinho, e quando chegou perto da água acelerei a meio pé... quando chegou no meio daquilo toquei o pé no fundo pra não perde embalo. O carro se movia em câmera lenta, oferecendo dúvida e esperança... Começou a sair da água e o outro lado era uma subida cheia de uma gramínea. A vegetação molhada pelos pneus com lodo servia muito bem para um tobogã, imagina pra subir com um carro de tração dianteira. Os trilheiros ficaram olhando aquilo... meio estupefatos, atentos e incrédulos. O uno se movia a 1 km/h, mas não parava... era a prova certeira de que aquele carro com rodas de 14 polegadas era um guerreiro! Subiu... subiu e subiu até que a tração com o terreno normalizou, e seguimos até onde estavam os espectadores. Parei o carro do lado deles... o primeiro olhou e disse: "Cara, quase que não deu, hein?" Eu, brincando... disse: "Nós sempre damos um jeito de pescar!"
Pegamos informação da saída na praia... perguntei ainda se era muito ruim a saída, e o outro trilheiro disse: "pow, agora não tem mais nada ruim, vai embora!" E nas risadas nos despedimos e nos fomos as pescarias. Que nem me lembro mais se foi bem ou mal sucedida, pois o importante desta oportunidade foi a aventura. 

sábado, 12 de julho de 2014

Pega esse burriquete seu *&$#@...

 Aqui segue uma história curiosa... Um dia fomos pescar no final da tarde em um naufrágio com a ideia de entrar noite adentro na pescaria. É muito raro uma linha se manter em ordem durante a noite, pois nosso mar tem corrente forte e com ela sempre surge muita sujeira. Esta sujeira se fixa na linha e acaba encurtando o período de pescaria... quando não arrebenta, a gente acaba ficando desconfiado que a sujeira na água próximo ao navio é tanta, que possivelmente o anzol esta coberto pela sujeira. Vc acha que esta pescando, mas não esta pescando mais nada. 
Pescaria boa aquela que as ações acontecem rapidamente, onde vc tem quase certeza de que a linha esta preservada, bem como iscas. A pescaria de prancha em naufrágios é tão técnica que não tem como ficar otimista com o passar de algumas horas, embora, algumas vezes tenhamos sido surpreendidos justamente por peixes que bateram 8 horas após a colocação da linha. É uma loteria... chama-se pescaria! E o bom é estar acompanhado de um bom amigo... para que então, o tempo passe da forma proveitosa do convívio.
Neste dia, colocamos as linhas ao final da tarde, para tentar evitar os peixes espada, que frequentemente cortam nossas linhas. A linha na água, com o reflexo, é um alvo perfeito para o ataque do peixe em questão. Não tenho fotos do peixe que descrevo, mas uma hora faço... algumas pessoas conhecem também por peixe fita. É um peixe comprido, prateado, mole e com uma dentição para ninguém botar defeito. O peixe espada é um grande predador. 
Estávamos sentados dentro do carro, o amigo Marcio e eu, conversando... as vezes, ele saia do carro, cochilei enquanto ele ficava de guarda. Depois ele entrou no carro novamente, e ficou cuidando o caniço. Ainda era dia quando o peixe bateu... horário de verão aqui no RS, 9 horas da noite é ainda um restinho de luz. 
O caniço bateu e ele colocou-se em combate. O peixe não era grande, evidente, mas não era um molenga. No combate, a favor do peixe estavam aquelas pequenas algas que vão se acumulando ao longo da linha. Tinha que remoer de tanto em tanto... linha esticada, auxiliar (eu) removendo o que dava de algas da linha 0,40mm.  Tirava um pouco, e ele gritava: "deixa eu recolher mais um pouco!" Embuchava a carretilha com linha suja... e foi indo, peixe se aproximando e se cansando. Em dado momento, não recolhia mais... a ponta do caniço embuchou com as algas e já era. O jeito agora era andar para trás, em direção as dunas, cruzando a praia. O peixe estava pertinho... no valo da beira. A beira era funda... não dava pé. E pegar um peixe no valor é uma boa pedida para perder o peixe. Eu disse para ele... "vai puxando o que dá da linha e vai em direção as dunas". Ele foi indo, e o peixe passou por mim, quando a água estava na canela... ele gritava: "a linha vai arrebentar!" Eu fazia sinal com a mão, agora era praticamente noite. Tinha que se esforçar para enxergar o peixe na água. Me aproximei do peixe... cerca de um metro, quando percebi que a linha arrebentou! Lá em cima na duna, Marcio, gritava nomes feios que eu não entendia pela distância e vento! Só o que eu entendia era "Pega". O peixe veio nadando e bateu com o "fucinho" na minha perna, naquele momento escorrei as duas mãos pela cabeça do peixe e o firmei nas brânquias. Naquele momento, com o repuxo, o peixe se debateu e cravou a dorsal na minha canela. Tenho a marca até hoje, mas não deixei escapar. Marcio veio correndo lá de cima enquanto eu saia da água com o peixe. O resultado foi este belo burriquete, pescado na praia e algumas lembranças especiais. A ferida na minha canela, provocada pela dorsal do peixe custou a cicatrizar, mas ficou ali para garantir a história, assim como as imagens. 

domingo, 6 de julho de 2014

Pensamento isolado

Litoral do RS, 2013.

 Entre o céu azul, e o azul do mar, haverá um cantinho... chamo de "ilha". Um brisa fraca sopra lá, faz do dia quente, confortável cama na areia. Lá, nunca chove, pq o sol sempre é sol lá. O calor do sol, lá não queima! Nesta ilha, há um coqueiro, um araçazeiro, uma bananeira... frutos abundantes o ano todo. Peixes, são tantos que nem se repetem. Pesco-os o dia inteiro, vejo-os como alimento, mas os respeito. Mosquitos, estes não existem lá. Um lugar perfeito, o sonho dos novos tempos... a maior ausência e medo que pude sentir, a falta do meu amor. O lugar seria perfeito se meu amor lá estivesse... abri mão do paraíso por amor. Então percebi que o amor era o próprio paraíso. Disto o que posso pensar? Pensar que tens o que tens, aproveite, veja o que é bom e o que realmente importa nesta vida. Ame! Ame seu amor, ame sua família, seus amigos, sua vida. Não esqueça que vives hoje a mágica, estar vivo é a própria magia, e esta tem início e fim. Não lamente por não ter aproveitado passado, aproveite agora, saboreie o passado, valorize o futuro. Esta é a mensagem que posso deixar agora. Aproveite ou não, é com você!