segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Mais um burriquete... duas pescarias, dois peixes!

Eu, com o burriquete que pesou 6,5 kg... mas brigou como um gigante! Foto: Marcio Fagundes

            A menos de uma semana atrás estive com os amigos em um dos naufrágios... pescamos e nos divertimos com as histórias geradas pelo clima de pesca. Em três dias de pesca, um deles eu não estava, pescamos cinco peixes. No dia 02 de fevereiro, dia de Iemanjá, capturei meu burriquete de 8,5kg da postagem anterior. Depois disto, passei os dias seguinte pensando em quando poderia retornar... e com uma semana cheia de trabalho pós feriado de carnaval, percebi que a opção era dar uma escapada durante o feriado ou na outra semana... semana do dia 15. Contudo, a previsão deste final de semana não era nada boa... mar picado, agitado, vento que mudou de lá pra cá e não deu o tempo para o mar voltar pra caixa. Disse Marcio pra mim que a condição não era boa... "só pesca com este mar quem esta com a febre pesqueira."
Bom, chance que existe é aquela que a linha vai pra água. almoçamos um burriquete assado com pirão, produção de cozinha do Marcio para a família... e fui de furão. Coisa boa... 
As 16 horas chegamos ao destino... olhamos o mar de cima da duna. Nos olhamos com aquela certeza de que estava "*@#%$" pra caracoles. Tá ruim? Bem, morde a faca... fecha os olhos e tranca a respiração quando vier a onda. Caniços bem iscados... do Marcio com Siri e outro anzol com caramujo... e meu com bucha de marisco com caramujo. Marcio entrou, achou o naufrágio, escolheu e entregou pra sorte. Estava pescando... agora, minha vez. No conselho que me deu antes de entrar estava: "cuidado com a espuma da onda, é uma onda bem forte!" 
E fui... quando estava entrando experimentei o gosto salgado da arrebentação... Marcio estava certo, a espuma era muito forte. Joelhinhos na hora certa... quando a série deu uma brecha, mordi a faca e os pés de pato bati com toda força que pude. Quando reiniciou a série subi na crista da primeira onda e marquei a vitória contra a arrebentação. Busquei a marcação dos ferros... escolhi, escolhi e larguei a isca no lugar que não era o fundo, mas que poderia ser favorável a captura. Marcio e eu, ficamos observando o mar e criando expectativas sobre a pesca. O sol cortava o horizonte de dunas e nada... nada de peixe. O sol se pôs... e ficava apenas a luz do entardecer. Disse ao Marcio: "Vamos embora... arranquemos as linhas!"... e ele disse: "Espera, o peixe vai bater com o cair da noite!" E cinco minutos depois o caniço pegou pressão e deu uma mandada firme dobrando o parede 8. Segurei o caniço e era firme... pesado! Comentei que não parecia peixe pequeno... o peixe mandava, cabeceava e aos poucos corria para a beira. O peixe estava quase na altura da cintura e já mostrava a dorsal e a cauda na superfície. Marcio entrou e pegou o burrico... e me surpreendi com o tamanho quando ele veio com o peixe nos braços. Era um burriquete pequeno... dos menores que andam saindo nesta temporada. O pequeno tinha uma força muito grande... surpresas pesqueiras. Nada é o que parece... mas peixe na areia é alegria de conquista para um pescador de final de semana que coloca peixe na mesa da família. Peixe limpo na hora e refrigerado é garantia de boa alimentação. Histórias são contadas assim... em detalhes, em especial por alguém que fugiu e voltou de casa no mesmo dia, saiu de casa as 10 da manhã e voltou tarde da noite com o peixe que havia prometido em casa. Agradecimentos ao Marcio... por mais lembranças e parcerias. Irmandade é algo que construímos em atividades nobres como a pescaria. 

Devaneio pesqueiro: Roberto Furtado
Fotos: Marcio V. Fagundes

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Pesca de Burriquetes...





        De acordo com os antigos... existiu um tempo em que burriquetes, miraguaias, corvinas e outros grandes peixes, foram abundantes. A pesca de beira de praia foi muito rica no passado. A costa gaúcha é um ambiente de alimento para muitas espécies que costumam viver nestas águas turvas. Aliás, em águas azuis é que vc não vai encontrar grandes cardumes de miraguaias... os peixes estão aqui justamente pelas águas turvas enriquecidas de plâncton, pois elas reúnem muitos animais em uma cadeia alimentar que impressona. Quando era pequeno, ouvia história de pescadores capturando grandes peixes. Ouvia falar em miraguaia e parecia uma história lendária, pois tais peixes haviam sumido. Hoje, mais de 30 anos depois, vemos uma nova geração de burriquetes em crescimento acelerado. Para mim parece muito claro os peixes que reapareceram alguns anos atrás na forma de pequenos exemplares com 500 gramas, tornaram-se estes burriquetes com peso que varia de 6 - 12 kg. A diferença de tamanho entre eles seria vista já no ano seguinte a aparição, quando os menores possuíam 1 kg e, os maiores com cerca de 1,5 kg. Mais um ano se passou e capturei peixes com peso de 1,5kg e 4 kg. Sugerindo que os peixes vinham em forte desenvolvimento, destacando que alguns eram mais aptos ao crescimento acelerado. As características observadas no peixes adultos com mais idade, com cerca de 15-25kg, se apresentavam também nos pequenos. Alguns mais robustos, com corcunda maior, cabeça mais larga e arredondada, pedúnculo caudal mais robusto, alguns já apresentavam colorações indicando que se tornariam peixes dourados. Marcio Fagundes, meu amigo de pesca de muitos anos, vinha acompanhando atentamente o mar, também as notícias sobre a beira de praia. Ele vem capturando alguns exemplares há tempos. No sábado estávamos combinando de pescar, mas eu tinha trabalho, podendo viajar somente no domingo. Em Porto Alegre surgiu um temporal na sexta feira que transformou a capital em um caos, com quase uma centena de feridos. E o domingo amanheceu chovendo e instável, colocando receio em todos, mas também em qualquer intenção de pescaria. Contudo, Marcio havia pescado e capturado um burriquete no sábado... os indícios eram favoráveis. O peixe do sábado tinha cerca de 8 kg. No Domingo, tentamos pescar já no final da tarde, mas a condição para peixe não era boa. Havia notícias de peixe na plataforma de Tramandaí, mas em beira de praia nada confirmado. Peixe não pescado é lamentado... mas sabíamos que havia peixe. Segunda feira... nos juntamos a outros três amigos para pescar mais ao sul. A direção é a região de Mostardas. Localizamos um naufrágio e pescamos próximos a ele... anzóis grandes com meio siri, caramujos ou mariscos. Ao longo do dia três exemplares bateram, com 7,5, 8 e 8,5 kg, respectivamente, nesta ordem. Houve um quarto peixe que cuspiu o anzol... coisas de pescaria. Fiquei frustrado porque não consegui capturar um... na terça feira estávamos determinados, eu e Marcio, a voltar neste local para tentar mais alguns peixes. Voltamos no local com outros amigos e depois de uma hora e meia de espera, bateu meu caniço. O peixe deu pequenas mandadas e cabeçadas, indicando realmente ser mais um burriquete. Quando chegou próximo da praia, na onda se via a dorsal do peixe. Quando vi pela primeira vez até pensei que era menor do que os demais... chegando na praia confirmamos que era o mesmo padrão de peixe. O último burriquete da pescaria tinha confirmados 8,5 kg... eu e Marcio fizemos um foto juntos para recordar mais esta pescaria que promove nossa amizade. Linha na água pode não ser garantia de peixe na areia, mas é arriscando que se transforma um sonho em realidade. Entre quantas vezes pesquei e quantas vezes voltei para casa com uma história e um peixe para a família, bem, a diferença pode estar em menos de 2%, mas prefiro conquistar histórias do que ver a vida passar. Ser pescador como modo de vida poderia ser um sonho para muitos de nós... mas como não há possibilidade disto, então trabalhamos o ano inteiro e pescamos algumas vezes no ano para celebrar a vida e a profissão mais antiga e nobre da humanidade. Em um tempo em que ela era sustentável, homens se arriscavam nas águas para conquistar o alimento de cada dia. Estes são dias que não esquecerei...