quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Violas por acidente...


        Há muitos anos eu não sabia mais o que era pescar violas... a espécie é protegida por lei, desde 2003, se não me engano. E com a proibição, eu e meus amigos, paramos de pescar este peixe. Pra pegar viola sem procurar seria um acidente mesmo... Então agora vou contar o legítimo "causo" de pescador.

Normativa e a confusão

Vamos dizer que esta difícil de saber o que é permitido e o que não é permitido pescar! A lei rebolou tanto que a gente se perdeu, e não há grandes explicações de como isto funciona no país onde tudo é cobrado e nada é explicado. Contudo, até onde entendi, a proibição envolve centenas de espécies de pescado da costa brasileira. No meu entendimento, devemos ter uma preocupação para não entrarmos pelo cano por desconhecimento. Havia uma liminar que permitia a pesca devido a pressão da pesca industrial, que de fato é a grande vilã e motivo de declínio do pescado. Com a queda da liminar... volta a funcionar a normativa que proíbe a captura seguida do abate de mais de 400 espécies. A viola se encontrava em uma situação bem clara... ela já estava proibida antes disto, então esta liminar que abria a exceção temporária para captura não permitia a pesca da mesma. Com a queda de uma lei, entraria em vigor a lei anterior... pelo menos foi o que entendi. E esta questão de lei arriscada quanto a interpretação... eu prefiro pensar da forma que me garante a exclusão de riscos. Então por isto não procurei mais pela pesca de peixe... na dúvida, não pesque! Na dúvida, solte! É por aí... e agora explico a experiência desta pescaria. Eu e alguns amigos fomos pescar, nosso foco de pesca agora era totalmente incerto... era diversão! Não pode pescar? Pode, vc não pode é matar um peixe protegido e levar pra casa. Vc não tem como saber e nem como garantir o que vai e o que não vai cair no anzol, mas a decisão de soltura é sua!

O fato pesqueiro

Com as notícias de peixe de escama, algumas boas aparições de corvinas e burriquetes na praia do Cassino, resolvemos tirar a febre novamente. Nos posicionamos nas proximidades de um velho naufrágio. Contudo, depois de algumas horas percebemos que as ações eram nulas... não tinha sinal de peixe de escama. Muitas arraias bateram e foram soltas, mas corvinas e burriquetes simplesmente desapareceram. Então montei um equipamento bem leve... eu ia me dedicar a pesca de papaterras! Garatéia de desarme com 80 gramas e anzol pequeno, linha 0,30 e arranque de 0,45mm. Isquei o anzol com marisco... sem casca! Primeiro arremesso atrás da primeira onda... e lá deu o sinal de papaterra. Peixinho bom... veio brigando, dançando com a chumbada. Removi o papaterra do anzol e reisquei... arremesso no mesmo lugar. Atrás da primeira onda residia meu foco... eu ia me divertir pra caramba! Nesta vez, nem sinal... e juntei o papaterra e me fui em direção ao carro para guardar o "terrinha" de uns dois palmos. Enquanto me dirigia para o carro, virava e olhava para trás... curioso por algum novo sinal. Então olhei por cima do ombro e vi o canino num pequeno saculejo e me virei para ele. Na hora que me virei a ponta do caniço deitou... embodocou! Corri até o caniço, sem acreditar que havia algum peixe maior tão na beira. Briguei com o peixe da melhor maneira, pois não podia esquecer que o anzol pequeno poderia abrir. Depois de alguns minutos de luta, aparece o lombo de uma viola... peixe pequeno, algo em torno de 6 kg. se tanto! Tirei foto com ela e devolvi para o mar. Reisquei e joguei no mesmo lugar... ai deu uma batida simples e então uma mandada forte. Vinha em um zigue-zague um papaterra no anzol de cima, e no outro nada constava aparentemente. Quando pequei o anzol para reiscar, percebi que ele estava aberto. Uma segunda viola abriu o anzol! Endireitei o anzol e reisquei... agora bateu um papaterra, beleza! Joga de novo.,, outra mandada! Mais uma viola!  Volta pra água, agora sem foto... já devolve pra liberdade pra não estressar mais o peixe. E continuei a pescar... depois de mais alguns minutos pesquei outra, e voltou pra água também. Por três vezes tive um caniço de papaterras confundido por outro peixe... então pesquei 10 violas e as devolvi para o mar. Sabe que o prazer do pescador é com o hábito pesqueiro, uma cultura, antiga, conectada a nossa evolução. A pesca é das atividades mais antigas do mundo humano, tal momento é uma passagem no tempo, onde homem e peixe lutam pela sobrevivência. Bem, agora não mais para o homem, apenas prática cultural. Pesco desde criança... é essencial para minha conexão com a natureza. Não abusa do peixe... solta! Não machuque-o... ele deve votar pra água no melhor estado, pois assim continua seu ciclo. Eu pesquei 10 violas acidentalmente... devolvi, todas em condições e com um mínimo de dano. Histórias de pescador são assim... a gente faz, oportuniza, e alguma coisa estranha acontece, nem que seja captura acidental. E se é acidental, devolve... pode pescar, não pode abater! A proteção do pescado diz respeito à todos nós, e ao nosso futuro. 


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